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Heloisa Tolipan

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Dos pés à cabeça: a força do mercado calçadista do Sul sem distinção de classes

Zero Grau - Salão de Tendências em Calçados e Acessórios, em Gramado, e o poder da exportação

Com Pedro Willmersdorf

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Este ano, acompanhamos a mudança histórica nas datas do Calendário Oficial da Moda Brasileira - um investimento de R$ 34 milhões com a realização de três edições do Fashion Rio e da São Paulo Fashion Week. A partir da mudança, a indústria da moda terá prazos mais alongados de produção e entrega. Portanto, o intervalo entre o lançamento e a chegada das peças ao varejo será ampliado, o que permitirá um melhor planejamento e maior competitividade ao setor, em um mercado cada vez mais disputado e globalizado. A indústria calçadista do Sul do país, por exemplo, já está integrada a esse cronograma (de lançamentos das coleções de inverno entre os meses de outubro/novembro e, de verão, entre março/abril) há algum tempo, contando com um Salão de Tendências em Calçados e Acessórios, batizado Zero Grau, realizado esta semana em Gramado, no Rio Grande do Sul, reunindo 600 grandes expositores para apresentar as novidades do outono-inverno 2013 a lojistas nacionais e internacionais de 12 países. 

“Esta foi a melhor feira que promovemos em termos de mostrar as tendências da moda e dos lançamentos para a próxima temporada. O expositor entende que é necessário antecipar os lançamentos e oferecer informação de moda para o lojista, a fim de que ele possa efetuar uma compra segura e tenha condições de atender o desejo do consumidor”, diz Frederico Pletsch, diretor da Merkator Feiras e Eventos, a promotora da feira. Pletsch salienta também que este posicionamento do industrial calçadista vem em um crescente de amadurecimento e que, a partir de agora, deve se tornar diretriz do setor. “Todo expositor que veio com a coleção ajustada realizou venda e encaminhou pedidos para os próximos meses”, alinhava Pletsch, responsável também pelo Salão Internacional do Couro e do Calçado (SICC), que sempre apostou na força da indústria calçadista e na sua importância para a construção do PIB nacional.

Já frisei em várias matérias aqui, na coluna, que todos os especialistas em economia têm apontado que as últimas quatro décadas foram cruciais para o Brasil marcar o seu território na História do calçado como um dos maiores fabricantes do mundo em couro. Já publicamos na coluna que, no site do Sebrae, há uma informação que o PIB do setor de Couro e Calçados, no Brasil, deverá crescer 2,61% em virtude da realização da Copa do Mundo de 2014. Lá dizia: "O impacto estimado é de R$ 242,70 milhões. Esse é um dos resultados das análises publicadas na série Brasil Sustentável, resultado de parceria da Ernst & Young com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), que traz como tema os Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo 2014".

E, por falar no que vai rolar nos nossos gramados, reunindo gente do mundo todo, os fabricantes da cadeia calçadista do Sul comemoram. Segundo as estatísticas da Abicalçados – Associação Brasileira das Indústrias de Calçados, a produção está em torno de 900 milhões de pares de calçados/ano, representando um montante de U$ 13 bilhões. Desse total, a exportação é responsável por gerar U$ 1,2 bilhão. A temporada outono-inverno consome cerca de 35% dos pares produzidos durante o ano. E, portanto, a feira Zero Grau e os negócios que são gerados por lá servem como termômetro para o que vem pela frente. 

Outro ponto de importância vital na feira, e que corrobora a nossa chancela nas lojas de calçados do mundo todo, é a presença de compradores internacionais. No total, 12 países estavam representados, com ênfase nas Américas do Sul, Norte e Central. O diretor Frederico Pletsch sempre afirma: “Convidamos compradores de diversos países. A maioria sabe que o Brasil é referência na produção de calçados, mas é importante que conheçam de perto nossos produtos”. Nessa edição, oito importadores eram do Paraguai, seis da Bolívia, seis do Equador, quatro da Colômbia, três do Chile, três do Peru, três da Venezuela, dois da Costa Rica, um do Uruguai, um do Panamá, além de um importador e distribuidor com base em Portugal (mas que dissemina para outros países da Europa) e dois dos Estados Unidos, país que é o maior importador de calçados "made in Brazil".

Pletsch comemora o número de compradores das Américas. E o comprador Mario Aguirre, do Equador, presença constante nas feiras em Gramado, diz que o investimento financeiro na compra das marcas na feira é grande. Soubemos que cerca de 60% dos calçados importados pelo Equador são do Brasil e 40% da China. Aguirre associa estes números à facilidade de comercialização, principalmente, devido ao acordo bilateral existente entre os países. “Como há essa política tributária, que permite a redução de impostos, acabamos favorecendo a comercialização entre Brasil e Equador”, afirma.

É, querido leitor, ali foram comercializados produtos para todos. Do comprador internacional ao microempresário nacional. Disseminando as peças tanto no mercado externo quanto no mosaico social do novo perfil do consumidor brasileiro. E olha que o povo brasileiro a-do-ra comprar um sapatinho novo.

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