Com 'Avenida Brasil', João Emanuel Carneiro lidera nova safra de bons autores
Tramas com sucesso de audiência e crítica jogam luz sobre o futuro da nossa teledramaturgia
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É notável: a teledramaturgia brasileira passa por uma fase de mudanças, não somente em suas bases narrativas, com ousadias textuais que tentam aproximar a ficção da realidade do telespectador (empregadas virando protagonistas, por exemplo), não apenas na seara técnica, como as gravações em HD da Rede Globo. Mais do que conceitualmente, a teledramaturgia nacional passa por um processo de mudança de comando. Nossa fantasia está mudando de mãos.

João Emanuel Carneiro, sem dúvida, é o grande representante desta nova safra de autores que, de certa forma, anda mexendo com a forma de assistirmos a histórias que amamos há tanto tempo. Afinal de contas, 'Avenida Brasil', assim como 'A Favorita', outro sucesso de João no horário nobre, levam em suas costas, características clássicas de nossos tradicionais folhetins: mocinhas, mocinhos, vilões, conflitos (sendo um, especial, a ser o fio condutor da trama), uma reviravolta de maior dimensão e o desfecho catártico. Mas, claro, com uma nova roupagem, que inverte ordens, vai contra a hierarquia de eventos: Flora (Patrícia Pillar), de mocinha, transformou-se em vilã, ainda antes da metade de 'A Favorita'. Já 'Avenida Brasil' traz elementos cinematográficos de primeira grandeza à telinha, contando com a força da direção de Amora Mautner e José Luiz Villamarin. Um golaço, aliás, essa trinca de diretores somados à capacidade inventiva de João Emanuel.
Mas nem só do criador de Carminha vive a TV brasileira: mês passado, chegou ao fim 'Cheias de Charme', novela que fez de empregadas protagonistas, dialogou com a internet (especificamente, o Youtube) de forma inédita e oficializou o brega como o novo hype. Obra de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira, estreantes.

E o que dizer de 'Cordel Encantado'? Em 2011, Thelma Guedes e Duca Rachid, que, anteriormente, já haviam feito um belo (porém, discreto) trabalho em 'Cama de Gato', fascinaram o Brasil com seu cangaço lúdico, trazendo um glamour inusitado ao horário das seis da Globo, conquistando público e crítica. E, logo na sequência, Lícia Manzo, em sua primeira novela como autora titular, nos brindou com 'A Vida da Gente', folhetim de sensível desenvolvimento, como foco em interpretações inesquecíveis (como a de Ana Beatriz Nogueira) e um texto impecável, como há muito não se via.
E, para não restringir os olhares sobre a nova geração de novelistas promissores apenas à Globo, por que não incluir neste clube Tiago Santiago, dono de 'Prova de Amor', maior sucesso de audiência da Record, desde a retomada da emissora em sua empreitada pela dramaturgia. Hoje, no SBT, ele está sempre na mira de sua ex-casa, por conta de seu reconhecido talento.
Se ainda lembrarmos que alguns autores veteranos, como Lauro César Muniz e Manoel Carlos estão, publicamente, prestes a deixarem suas canetas de lado, nada mais animador, saudável e digno para a televisão brasileira do que novelistas com novo gás, novos olhares e, principalmente, ousadia para seguirmos adiante na história de sucesso de nossas novelas.
Por Pedro Willmersdorf

