'Avenida Brasil': Suelen e músicas são incorporadas em festa junina da classe A
Em colégio da Zona Sul do Rio, personagem "baixa" em auê caipira do terceiro ano do ensino médio
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No sábado, eu fui conferir uma festa junina e a quadrilha do terceiro ano do ensino médio do Liceu Franco Brasileiro, na Zona Sul carioca. Qual não foi a minha surpresa ao constatar que todos os clichês - vestido de chita para as meninas/meninos com camisa xadrez + bigodinho/sanfona/acordeão/pandeiro + zabumba + triângulo - foram substituídos por uma inversão de papéis e temas + personagem da novela 'Avenida Brasil', que está bombando no Ibope? Quando a turma entrou no pátio, os meninos estavam com perucas louras, vermelhas ou com trancinhas; vestidos coloridos e meia-arrastão. Por sua vez, as meninas usavam camisas xadrez, chapéu de palha, calça jeans e tinham bigodes pintados.
Hora do casamento na roça. Entram noivo e noiva - com um vestidinho branco curtinho e decotado (interpretada por um aluno). E são recebidos pelo "padre". Quando ele pergunta se entre os "convidados do casamento" alguém tinha algo que impedisse a união... eis que surge... ELA... Suelen: a maria-chuteira do Divino, que ama a união de legging+top+correntinha na cintura+salto 12. Uma aluna encarnava a personagem vivida nas telas por Ísis Valverde.
No fim das contas, na historinha que ali estava sendo contada, Suelen arma aquele barraco que lhe é peculiar e acaba fugindo da festa com a ajuda do "padre". Tem início a quadrilha do Terceirão e as músicas são Correndo atrás de mim, do Aviões do Forró, tema de Suelen em 'Avenida Brasil', e Eu quero tchu eu quero tcha, de João Lucas e Marcelo, ritmo que embala as cenas hilárias de Carminha (Adriana Esteves).
Vamos dar um stop por aqui e passar para uma outra cena que eu registrei nessa festa junina pós-moderna. Meninos vão para um lado e meninas para outro. De repente, me sinto no clipe de Run the world (Girls), de Beyoncé, com os meninos fazendo um confronto com as meninas. A resposta veio com a música Sexy and I Know It, do LMFAO.
Conclusão: a novela nossa de cada dia, quando bem feita, encontra eco em todas as classes sociais e idades. Com direito a diversidade sexual, refletida na troca de identidade de meninos e meninas, aliada à trilha sonora radicalmente popular e contemporânea. A classe A, quem diria, está dividindo o 'radinho de pilha' com a classe C, escutando as mesmas músicas. E sem a menor vergonha disso, que delícia...


