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A Blue Man iniciou a maratona do Fashion Rio com um desfile que comemorava os 40 anos da grife, reeditando formas e padronagens que marcaram sua trajetória. A marca, que agora tem os primos Thomaz e Sharon Azulay - segunda geração do clã fashionista - à frente do estilo, fez bonito. As quatro décadas de história foram representadas por estampas que reproduziam os rostos de tops que marcaram cada época: Rose di Primo que, dizem, foi convidada, mas fez forfait e não deu pinta na primeira fila, para os 1970; Monique Evans para os oitenta; e Paulo Zulu para os 1990, além do trio parada dura Ana Claudia Michels, Mariana Weickert e Talitha Pugliesi para a década passada. As referências da história da grife estavam todas lá: policromias de borboletas, peixes, mandalas e cachos de banana multicoloridos, detalhes em neon, biquínis asa delta, viseiras em acrílico colorido, lacinhos nas laterais, tangas, maiôs recortados, grafismos e até os sungões tipo short que, desde o final dos oitenta, deixam a rapaziada sarada, hum..., bem mais saliente nas areias escaldantes. O time de beldades ia da morena Laís Ribeiro a uma magnética louraça-belzebu Shirley Mallmann. Para ela, o tempo não passa mesmo. E, ao longo do desfile, o público pode ver o característico entra-e-sai de belezuras da grife, que contou com Alicia Kuczman, Carol Francischini (grávida), Barbara Fialho, Lovani Pinow, Flávia Luccini, Ana Claudia Michels, Luana Teifke, Emanuelle de Paula, Carmelita, Aline Weber e Natália Zambiasi. Natália, aliás, tem se destacado como the body. Suas formas perfeitas, em um conjunto digno de Bond Girl, não tem nada fora do lugar e seu corpo é tão incrível quanto foi o de Camila Espinosa na década retrasada. E sua pele branca - noooossa! - é quase um pêssego da Califórnia, como diria a saudosa Carmen Miranda.
Em seguida, a Oh, Boy! estreou no Fashion Rio, após algumas temporadas se apresentando no Fashion Business. Desfilou uma coleção inspirada em um Japão pop, com direito a Harajuku girls e espírito de bonequinha hentai. A marca segue graciosa, crescendo a cada desfile e, sob o comando criativo de Thais Losso, se firma como boa opção para a menina urbana e descolada. A levada japa incluiu mini vestidos-quimonos lindinhos, obis, apliques de pandas estilizados com jeito de embalagem de jujuba, estampinhas de cerejeira e bambú, um pouco de transparência, toques de ouro, turquesa e roxo metalizados, patches e referências esportivas. Tudo bem resolvido. E a trilha do desfile, um primor! Começou com Walk Like an Egiptian, da banda The Bangles (quem viveu, sabe do que estou falando) e seguiu gostosa, com You're Unbelievable, do EMF e uma pitada do Daft Punk. Os pezinhos da platéia sacodiam sem parar!
E, se a Oh, Boy! atacou de Japão, a New Order desfilou sobre uma passarela em forma de proa, que lembrava um barquinho de comida japonesa, de combinado de sushi com sashimi. Mas esqueça qualquer leitura oriental e sequer pense em comida. Nada disso! A viagem nesse barco é literal, com direito a reinterpretação dos ícones clássicos do estilo náutico, com listrados, âncoras, conchas, correntes, e touquinhas de natação. Tudo com muito ouro metalizado, levando a crer que o brilho do inverno continua nesta praia de verão. A interpretação do estilo navy, como seria de se esperar, foi óbvia. Mas os acessórios da grife, como sempre, são tão fofos que a gente até se esquece disso. Ótimas sacações, como os top siders-plataforma, as sandálias com tiras em verniz colorido, as bolsas de rede-arrastão ou em plástico com estampas de crustáceos. E os maiozinhos retrô, uma delícia de se ver e comprar! Tudo gracinha, embalado ao som de uma versão francesa de Yellow Submarine, dos Beatles. Valeu!
A Sacada mais uma vez trouxe o luxo para sua cliente, desta vez tendo o Marrocos como tema. Com uma abordagem, diga-se de passagem, nada étnica, mas privilegiando uma conversa estreita com sua cliente, que não precisa se vestir de odalisca, nem assistir à reprise de O Clone para se entregar, de corpo e alma, ao resultado apresentado. No fundo, a cultura dos souks de Marrakesh estava toda lá: na cartela, que ia do açafrão ao mostarda, passando pelo rosa, nos brilhos, nas franjas metálicas, nos bordados e texturas que lembram as tapeçarias marroquinas. Uma boa sacada, a Sacada!
Já a Patachou trouxe como ponto de partida o impressionismo da pintura de Claude Monet. O tal passeio pelos jardins do mestre se limitou a uma cartela de pastéis da estação, mas não explorou a riqueza que o tema possibilitava. Os quadros pintados em Giverny - o jardim - permitiriam um arroubo de cores frescas e suaves misturadas de forma plena em pinceladas exuberantes. Ainda assim, foi uma boa idéia as peças com mini pérolas bordadas, aludindo ao pontilhismo típico das pinturas de Monet.
Alessa fechou a noite e comemorou os 10 anos da marca com uma coleção cheia de estampas digitais, seu forte, evocando as festas do interior, vistas nas padronagens de bandeirinhas de São João e nos florais de chita sobre laisie, nas modelagens soltas e em uma certa pegada latina, com várias amarrações. Macacões, macaquinhos, vestidos tomara-que-caia com babados, curtos e longos, tudo ao som de Roberto Carlos, na trilha composta por Zé Pedro. Um desfile bem divertido e alegre, como é de se esperar de Alessa Migani, que, no final, entrou vestida de caftã, com direito a estampa de Mulher Maravilha, saltitante e fazendo as reverências de costume à platéia. Mas, além do show e tudo o mais, maravilha mesmo foi encontrar a própria, momentos depois no Baixo Gávea, vestindo o mesmo look, sentada na mesa do lado. Como se a Liga da Justiça houvesse se transferido de mala e cuia para o Braseiro, que também recebia o Nelsinho, braço direito de Oskar Metsavaht, várias assessoras de imprensa e figuras recém-saídas do evento do Jockey.
Por Alexandre Schnabl