Os 25 anos da Cia Paulista de Moda são comemorados com lançamento de livro!
Reginaldo Fonseca reuniu em publicação deluxe o que rola nas passarelas e backstages do Brasil afora
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São 25 anos à frente da Cia Paulista de Moda. Reginaldo Fonseca tem histórias para contar. E muitas. "Moda só vira moda quando é mostrada para muita gente, grandes plateias. O que os olhos veem, o coração sente e a mão assina o cheque. Nós levamos a informação de moda às pessoas e despertamos o desejo pelo assunto no Brasil”, disse o diretor executivo do ParkFashion. E os ecos do trabalho de Reginaldo tem se difundido pelo Brasil afora (ou adentro). Todo o seu trabalho foi reunido no livro "25 anos de Cia Paulista de Moda", e a gente bateu um papo com ele sobre a trajetória profissional, parte integrante da engrenagem que faz o mundo da moda girar.
HT - Quem são os seus ídolos do passado que o inspiraram a seguir a carreira?
RF - Eu sempre me espelhei em pessoas que fizeram e fazem coisas boas no planeta, que estão no propósito do bem e tive o prazer de viver e conviver com algumas delas, nas quais eu me espelho até hoje para poder sempre desenvolver um trabalho sério, com total profissionalismo e muita humildade.
HT - Qual a chancela que Reginaldo Fonseca terá orgulho de dizer que imprimiu no mundo da moda?
RF - Realizar eventos de moda voltados ao consumidor final, informando e criando um entendimento da moda real para as pessoas e gerando milhões de reais anualmente para a indústria da moda de Norte a Sul do país, aquecendo a economia.
HT - Como analisa o mercado de moda fora do eixo Rio-São Paulo?
RF - Um mercado carente, que muitas vezes não tem acesso ao que acontece no mundo fashion nestas grandes metrópoles. As pessoas também gostam de se vestir e precisam de muita informação para estar na moda independente de ter dinheiro ou não.
HT - O que o tira do sério durante o trabalho de dirigir um desfile?
RF - Trabalhar com pessoas desequilibradas, que gritam, não fazem o seu trabalho por amor e acham que por fazerem parte do mundo da moda podem ser melhores do que os outros... e pessoas chatas, é claro (risos).
HT - Quais as perguntas mais absurdas que você já ouviu de uma modelo?
RF - "Amanhã eu posso chegar atrasada?", "Coloco a mão aqui ou ali?","O que eu tenho que fazer mesmo na hora do desfile?", "Posso colocar a roupa já?", "Que horas vai vestir?", "Que horas vai começar?" "VAI TER COMIDA????" E por aí vai... Precisamos ter muita paciência,porque, além de serem modelos são seres humanos e que precisam de oportunidades. Já ajudamos na preparação e projeção de modelos como o Alexandre Verga e Aline Nakashima, que são top models internacionais e só chegaram lá porque nunca perderam tempo perguntado coisas que não deviam e além do mais são seres humanos de verdade e com luz própria.
HT - Quais as mudanças no conceito de se fazer uma semana de moda em shopping center, na qual você fala direto com o consumidor?
RF - Mostrar uma moda de verdade... sem fantasiar e pensando em tudo e em todos (peso, altura, idade, clima, tipo físico, etc...). Fomos os pioneiros nas grandes semanas de moda em shopping centers de todo o país e ver estes empreendimentos lotados e vendendo muito me deixa muito feliz. É a sensação de trabalho cumprido.
HT - Se sentir obrigada a trocar de roupa a cada estação representa o prazer de se atualizar com as novidades, se mostrar viva e… jovem, detalhe que é motivo de eterna busca feminina. Concorda com a frase?
RF - Sim... claro... Todo mundo precisa de roupa e nos vestimos com o propósito de sermos vistos e somos vistos exatamente como planejamos. Claro que isto pode ser perigoso para muitas pessoas. Mas percebo que elas trocam de roupa a cada estação puramente por prazer. É maravilhoso comprar roupa. Não é mesmo?
HT - Você é engajado em causas sociais? Ajuda alguma obra social ou movimento?
RF - Acredito que se faltar caridade não há salvação... Desde jovem sempre me envolvi em várias projetos sociais e isto ajuda muito na minha evolução moral. É muito melhor dar do que receber...

HT - A brasileira sabe investir no mercado de luxo ou ela é puro exagero quando tem dinheiro?
RF - Ter dinheiro não quer dizer ter bom gosto e originalidade. Tenho amigas milionárias que pecam muito na hora de se vestir. Claro que ter dinheiro e poder comprar coisas boas e caras é muito bom, porém a verdadeira beleza vem de dentro de cada um. Se a pessoa não for nada, nunca mostrará nada, nem com a roupa mais cara do planeta.
HT - Você esteve em contato com o talento de pessoas do entorno de Brasília. Como foi trabalhar com essa gente nova e cheia de ideias?
RF - O Brasil é cheio de pessoas talentosas e vemos isso em todos os lugares pelos quais passamos. Vamos trocando ideias e informando pessoas. Hoje tenho um produtor de moda na minha equipe que foi um assistente de camarim numa das primeiras edições do ParkFashion, em Brasília. A minha equipe é recheada de pessoas de vários cantos que passamos. Aquela coisa que só em São Paulo e Rio de Janeiro têm gente boa não é verdade. Claro que as pessoas precisam estar preparadas e serem lapidadas. Funciona exatamente como um diamante.
HT - O vestuário se libertou da inquisição social? Por que no Brasil as mulheres se vestem sempre da mesma forma?
RF - Falta ousadia. As pessoas querem combinar tudo e com a democratização da moda temos que começar a descombinar e aprender a fazer misturas (curto com longo, barato com caro, bruto com delicado enovo com velho). Aquela coisa de combinar o calçado com cinto e bolsa está fora de moda e é nisto que as pessoas devem se apegar: MODERNIDADE.
HT - Dá para se viver de moda no nosso país?
RF - Sim... mas, infelizmente, poucos conseguem. O segredo é não gastar mais do que ganha. Isto em qualquer profissão. O mercado de moda brasileiro é algo novo e percebo que faltam profissionais neste setor. As pessoas são atraídas pelo falso glamour e se esquecem que é um mercado em total desenvolvimento e precisa de profissionais de verdade e que façam as coisas por amor e não somente por dinheiro ou deslumbramento. O dinheiro é sempre uma consequência daquilo que fazemos bem feito.
HT - O que o fez escrever um livro sobre a sua trajetória profissional?
RF - Contar uma história verdadeira e com total realidade com poucos textos e muitas imagens (uma imagem vale mais do que mil palavras). Falamos de Moda, Sedução, Desejo e Expectativa, que são os principais ingredientes que levamos para os nossos trabalhos. O Jackson Araújo e a Karlla Girotto, que são parceiros da Cia Paulista de Moda, conseguiram captar a nossa vontade de mostrar que o sucesso vem através de muito trabalho e que a nossa meta é um grande negócio que movimenta a economia do nosso país e do mundo e que fazemos um trabalho puramente por resultados. Colocar o nome no mercado é fácil, agora, fazer o nome permanecer no mercado 25 anos não é nada fácil e o livro de 25 anos da Cia Paulista de Moda mostra exatamente isto, é claro que com total HUMILDADE.

