Jornal do Brasil

Quinta-feira, 24 de Maio de 2012

Heloisa Tolipan

Como será o amanhã? As crises da moda em meio à semana de Nova York

A Mercedez Benz Fashion Week de Nova York começou e surgem novas discussões no fashion world

Jornal do BrasilCom Pedro Willmersdorf

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A moda está passando por um momento de transição. Ainda não está muito claro para que lado e nem o que está por vir. Mas do jeito que está parece que não continua. E todas essas mudanças já estão acontecendo há algum tempo. Se formos analisar, neste sábado, já são dois anos que o grande Alexander McQueen morreu, muito pela depressão causada pela perda da mãe e muito pela pressão que a indústria da moda fazia (por exemplo, um mês antes, ele apresentou coleções em Milão, Paris e Londres). No Brasil, as semanas de moda estiveram “discutindo” o processo criativo, tanto pela pausa de algumas marcas e estilistas, como Ronaldo Fraga, como através das exposições retratando o tema. 

As modelos em Nova York não podem ter menos de 16 anos para subir às passarelas
As modelos em Nova York não podem ter menos de 16 anos para subir às passarelas

A semana de moda de Nova York, que começou na quinta-feira, dia 9 de fevereiro, trouxe uma outra discussão, voltada para as modelos. Logo, na segunda-feira (três dias antes da fashion week), foi lançado o The Model Alliance, idealizado por Sara Ziff, para regulamentar a profissão de modelo e dar um suporte às meninas. A Mercedes Benz Fashion Week começou com a promessa do Conselho de Designers Americanos(CFDA), presidido por Diane von Furstenberg, prezando pela saúde, de fiscalizar rigorosamente a idade das modelos (não poderiam ser menores de 16 anos) e seus horários de trabalho, com o apoio da “Vogue” do mundo todo e o “The Health Institute” (embora, segundo o New York Times, haja, pelo menos, duas modelos com idade menor que a estipulada, uma delas é Ondria Hardin).

Os modelos desfilados são releituras das décadas do século XX
Os modelos desfilados são releituras das décadas do século XX

Como se pode perceber o meio como um todo está em debates, o que significa nada mais que estamos passando por um processo de reestruturação. Talvez, o que estejamos realmente precisando é de “alguém novo que nos traga uma outra visão” (que não estamos conseguindo ter?), porque, convenhamos, na moda sempre foi assim. Desde Frederick Worth, pai da alta costura e “criador” da etiqueta, passando por Coco Chanel, que libertou a mulher dos trajes desconfortáveis e rígidos do século 19, Christian Dior, com o New Look, trazendo de volta o luxo após a época da guerra, ao início da moda comportamental dos anos 60, começado pela minissaia de Mary Quant, até chegar a década de 90 quando foram  “resgatadas” as poderosas maisons (por grupos investidores, como o LVMH), época também das supermodels e de toda uma nova geração de estilistas, como Marc Jacobs, Tom Ford, John Galliano e McQueen. 

A semana de Nova York, considerada a mais comercial, entre as principais
A semana de Nova York, considerada a mais comercial, entre as principais

Porém, mais ou menos de uma década atés os dias de hoje, o que temos vistos nada mais são do que releituras das décadas do século passado (admitimos que algumas criações são magníficas e majestosas, mas, ainda assim, sempre releituras). Talvez o problema seja mesmo o processo criativo nessa era tecnológica em que vivemos, na qual a tendência de hoje já não serve para amanhã, e estilistas são forçados a criarem cada vez mais em um menor espaço de tempo, juntando a isso a questão ambiental e ainda os tecidos tecnológicos, ou por que não a roupa tecnológica? Talvez essa rapidez tenha superado a busca pelo novo da moda, ou talvez não. Talvez, a moda seja mais uma indústria que esteja passando por “crise” e, isso tudo tenha a ver com o ano de 2012. Afinal, não tem quem acredita que não será o fim do mundo, mas, sim, uma guerra que acontecerá, muito mais ideológica e comportamental, o que resultaria em uma nova organização de sociedades? 

A moda está passando por transição no processo criativo?
A moda está passando por transição no processo criativo?

Bom, o que irá acontecer ninguém sabe ou pode saber. Então, o jeito é ir vivendo e vendo. Enquanto essas dúvidas permeiam o mundo e a moda, nas passarelas de Nova York, que abriga as coleções mais comerciais da temporada, os maiores destaques foram: a década de  40 (Richard Chai Love, Cynthia Rowley), a de 70 (BCBG Max Azria), o minimalismo dos anos 90 (Helmut Lang, Peter Som) e a alfaiataria (DKNY Men, John Barlett, Doo Ri). E Jason Wu, o “diferente”, levou a China através do militarismo, da dinastia Qing nos bordados e a vista por Hollywood com muito vermelho e rendas clássicas.

colunaheloisatolipan@gmail.com

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