Jornal do Brasil

Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2018 Fundado em 1891

Heloisa Tolipan

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De Frida Kahlo a X-Men

Um balanço do terceiro dia de desfiles da SPFW

Por Alexandre Schnabel 

A maratona de desfiles do SPFW prossegue em ritmo de Hanna Barbera. É a verdadeira corrida maluca, na qual os fashionistas correm de um lugar para o outro, na esperança de assistir os shows sem atraso, sem tempo de traçar sequer um sanduíche de mortadela.

Uma das Fridas da Cavalera no backstage
Uma das Fridas da Cavalera no backstage

Já pela manhã, a Cavalera apresentou sua coleção nos bucólicos jardins do Parque do Ibirapuera. Na passarela, modelos desfilaram looks inspirados no México de Frida Kahlo e do festival del Dia de Los Muertos. Aliás, mortos que nada! Vestidos espertíssimos, rebordados com girassóis gigantes e otras cositas más compareceram, entre peças de alfaiataria bem cortada. Como moldura, lutadores mascarados seminus, com direto a barrigas salientes e capas de caveirinhas, abriam espaço pras belezuras darem o ar de sua graça. Alheios a tudo, do outro lado do gramado, patos, cisnes e gansos faziam sua digestão matinal e pegavam o solzinho da manhã.

Pouco depois, no Shopping Iguatemi, Gloria Coelho apresentou sua coleção inspirada no amor, na solidariedade, na compaixão, nos Pokemóns e X-Men. Glorinha paz e amor? Nada disso! Quando a gente lê o release da Gloria, a gente sempre acha um gostoso mix, mas é assim mesmo. A estilista é uma profusão de referências, viajandona para valer, inclusive no universo zodiacal. Na hora da coleção entrar em cena, entretanto, tudo faz sentido, Esse e o DNA da marca, que sempre vem com aquilo que Gloria sabe fazer de bom.

Já na Bienal, Mario Queiroz apresentou um desfile que mesclou looks masculinos com femininos. Os ternos femininos, em risca de giz, animaram a plateia. Eram lindos mesmo e lembraram um outro desfile seu, tempos atrás, com temática indiana, peças bem talhadas e umas gaiolas no cenário. Senti falta desse Mario. 

Em seguida, Huis Clos trouxe seu minimalismo de costume, que agrada em cheio sua clientela habitual.

A beleza negra do backstage da Osklen
A beleza negra do backstage da Osklen

Falando em minimalismo, a Osklen fez bonito mesmo. Com uma coleçãao ousada, com texturas naturais e música africana, o desfile abriu com uma sequência de modelos negros em modelitos off white. Oskar Metsavaht é um craque e, para variar, seu desfile foi o ponto alto do dia. Na plateia, seria capaz de me metamorfosear numa diminuta e indiscreta drosófila pra descobrir o que tantoos coleguinhas cochichavam. Mistééééério!

Ja no final do dia, a Colcci surpreendeu e trouxe uma coleção muito bem resolvida, com alfaiataria impecável, cores vivas amparadas pelo jeans escuro, quase sem lavagem. Tudo lindo e comercial ao mesmo tempo. Seria capaz de cometer um crime pra me apoderar do sobretudo branco, onde um mosquetão fazia as vezes de um martingale, desfilado na parte final, toda navy. Ótima releitura dos anos setenta! Com uma coleção boa dessas, repleta de bons produtos e boa moda, a presença de Ashton Kutcher, que nem sequer desfilou direito, acaba mesmo fazendo só marola. Ashton lembra muito o Salsicha, da turma do Scooby Doo. No desenho, a gente so repara nele quando ele faz uma gracinha e serve de escada pro cachorro-detetive. Senão ele passa batido e a gente so olha mesmo para Daphne... Ops, pra Alessandra Ambrosio!

Tags: cavalera, colcci, gloria coelho, huis clos, mario queiroz, osklen, são paulo fashion week

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