Jornal do Brasil

Segunda-feira, 22 de Janeiro de 2018 Fundado em 1891

Heloisa Tolipan

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Após polêmica envolvendo casting, Osklen mostra sua coleção Royal Black

Inspiradas pela cultura negra, peças de Oskar Metsavaht transbordaram originalidade em materiais rústicos mesclados às modelagens largas, típicas da grife

Com Pedro Willmersdorf

Há alguns dias, o desfila da Osklen entrou na pauta de  diversos veículos de comunicação, não porque estes estavam curiosos em saber mais sobre a modelagem das peças, mas devido à polêmica que uma declaração do estilista da marca, Oskar Metsavaht, causou. Para a apresentação da coleção Royal Black, inspirada na cultura negra, Oskar queria um casting de modelos inteiramente negro, mas não atingiu sua meta. 

Osklen, mais uma vez, trouxe modelagens largas e materiais inusitados à SPFW
Osklen, mais uma vez, trouxe modelagens largas e materiais inusitados à SPFW

Dos 37 looks desfilados, apenas nove estavam em corpos negros. “Não consegui encontrar modelos suficientes”, declarou. Justamente na semana em que um manifesto para que a cota de modelos negros nos desfiles fosse aumentada tomou conta da entrada da Bienal. “Como alguém que faz moda, não concordo com essa ideia das cotas. Acho que a iniciativa deveria partir de cada estilista e não de uma obrigatoriedade. Nos quinze minutos do desfile a passarela é minha, eu decido o que fazer”, disse. 

E, para o Verão, o designer fez peças com o característico corte amplo da Osklen, em malha de algodão, linho e e-fabrics, como tricô de ráfia e palha de seda com toques de couro de tilápia, material que espantou uma das modelos gringas do casting. “Isso é couro de cobra?!” E lá foi o paciente Oskar explicá-la do que se tratava aquela textura, enquanto vestia os modelos. Sim, a fila de entrevistas e os últimos ajustes na passarela foram interrompidos para que ele pudesse vestir todos os modelos e fazer suas observações sobre cada detalhe das peças. Trabalho meticuloso que encantou a plateia com o contraste entre as peças brancas e a pele dos primeiros a entrarem na passarela. Em sintonia com a lua que, lá fora, trocava sua “roupa” alvíssima pelo negro do eclipse.

Oskar Metsavaht, sobre possível legitimação de cotas para negros nas semanas de moda brasileiras: "Nos quinze minutos do desfile a passarela é minha, eu decido o que fazer"
Oskar Metsavaht, sobre possível legitimação de cotas para negros nas semanas de moda brasileiras: "Nos quinze minutos do desfile a passarela é minha, eu decido o que fazer"

Tags: cotas, oskar metsavaht, osklen, são paulo fashion week

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