Jornal do Brasil

Quarta-feira, 25 de Abril de 2018 Fundado em 1891

Heloisa Tolipan

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Em um picadeiro fashion, Reserva dá seu recado e, novamente, faz barulho

Coleção inspirada em sátira ao regime ditatorial cubano faz sucesso no primeiro dia de São Paulo Fashion Week e reafirma o papel provocativo da grife carioca

Heloisa Tolipan

Nos bastidores da sala 1 do prédio da Bienal, narizes de palhaço conviviam em perfeita harmonia com camisas e bermudas estampadas pela moeda cubana customizada por tanques de guerra e rostos do Ronald McDonald. Tal irreverência só podia ter alguma coisa a ver com a carioca Reserva, que sempre vem para deixar a semana mais divertida, mas com uma pitadinha de acidez e crítica. 

No backstage, a preparação para o "show"

“Acho que a moda está muito chata. Tem muita marca pretensiosa por aí que faz a coleção e só depois define um tema, para dizer que teve um tema. Isso não é moda, isso é vender roupa. E nós achamos que moda é muito mais do que isso, é passar uma mensagem, fazer as pessoas pensarem ao sair do desfile. Nós nos preocupamos muito mais com a mensagem”, nos disse Rony Meisler, estilista da grife, que só conseguia pensar na alegria do povo cubano, que conseguiu transformar todos da equipe da marca que foram ao país de Fidel. “Eu voltei de lá transformado e espero que esse desfile desperte o desejo de ir a Cuba. Lá, infelizmente, há engenheiros e médicos que largaram suas profissões e vivem do turismo, mas parece que as pessoas têm medo de ir para lá”. 

Rony Meisler, o mestre-de-cerimônia

Enquanto tem gente indo a Cuba, outros estão vindo de lá. Era o caso de Ariel Iglesias, modelo cubano que desfilou pela Reserva e já esteve outras vezes no Brasil. “Já participei de outras semanas de moda aqui, mas estou bem ansioso para esse desfile. Acho que vai ser muito legal porque eles conseguiram fazer uma crítica e ainda abordar a felicidade do povo”, elogiava o rapaz, que arrancava suspiros das moças que passeavam pelo backstage, com seu português impecável. 

Nós, aqui “de fora” só desejamos, sempre, que um dia cuba seja libre, mas será que esse também é o desejo de quem está “lá dentro”? “Acho que é preciso mudar sim, não dá para viver em um regime tão fechado. O mundo inteiro evolui e Cuba também tem de evoluir. Acho que a política tem de ser mais humilde e não somente pegar em armas para impor a vontade de alguns. Há 11 millhões de cubanos que precisam ser ouvidos”, disse Ariel, nos fazendo dar mais força ao coro que deseja uma Cubalibre!

Ariel Iglesias, modelo cubano convidado a desfilar pelo picadeiro fashion montado pela Reserva

Com Pedro Willmersdorf



Tags: ariel iglesias, reserva, rony meisler, são paulo fashion week

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