Jornal do Brasil

Segunda-feira, 20 de Agosto de 2018 Fundado em 1891
Futebol & Cia.

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Renato Mauricio Prado


Para um moleque bom de bola

Jornal do Brasil

Caro Vinícius, vi hoje, pela TV, trechos da sua apresentação no Real Madrid e, confesso, senti muita saudade. Para ser sincero, tal sentimento já tinha me atacado na última quarta-feira, quando o Flamengo perdeu para o São Paulo, em pleno Maracanã, e você fez uma falta danada! 

Mas chutemos a amargura pra escanteio e vamos ao que é bom e interessa. Duvido que os “madridistas” (aprende, assim são chamados por aí os torcedores do seu novo clube) não tenham ficado encantados com o seu sorriso de menino, sua simpatia e, acima de tudo, sua simplicidade.

Pode apostar, havia muita expectativa em conhecê-lo pessoalmente. Ver como a maior promessa do futebol brasileiro se portaria diante da marcação cerrada dos jornalistas europeus e como responderia às perguntas mais complicadas. E, tenha certeza, você somou pontos com sua entrevista simpática e franca. 

Não sei se chegou a receber orientações de Ronaldo Fenômeno, que estava ao seu lado, mas foram ótimas as respostas sobre qual o seu craque preferido no elenco estelar, do qual passou a fazer parte (“gosto de todos, que até agora só conhecia de videogame”); se gostaria de jogar com Neymar (“em breve, espero que estejamos juntos, na seleção”) e se temia o peso de atuar num gigante como o Real Madrid (“Eu vim do Flamengo. Lá também tem muita pressão”). Tudo dito olhos nos olhos, sem um pingo de arrogância. Dez, nota dez, diria Carlos Imperial. 

Boas fontes garantem que o técnico Julen Lopetegui, como você um estreante no clube merengue, anda encantado com o seu talento, já demonstrado nos primeiros treinos. Aproveita esses jogos da pré-temporada nos EUA e garante logo a sua permanência no grupo principal. Aquele lado esquerdo do time está vazio com a saída do Cristiano Ronaldo. Vai por mim, você tem bola pra disputá-lo. Bota pra quebrar.

No mais, aposto que você adorará a Espanha e principalmente Madrid, essa cidade linda, que me acolheu tão bem, quando aí morei, trabalhando como correspondente internacional, há algumas décadas. Não deixe de ir à lindíssima Plaza Mayor, ao Botin, o restaurante mais antigo do mundo, ao Parque do Retiro e ao Museu do Prado, bem em frente. Quando vir por lá as Meninas (de Velázquez) e a Maja desnuda, ou mesmo a vestida (ambas de Goya), mande lembranças minhas, por favor. Elas sempre me ajudavam a entreter os amigos e parentes que me visitavam nessa capital maravilhosa. 

Voltando ao mundo da bola, me faz um favor: quando as coisas começarem a dar certo por aí - e tenho certeza, mais cedo ou mais tarde, darão - não imite o seu ídolo Neymar nas quedas, simulações e, principalmente, na arrogância narcisista que hoje, infelizmente, vemos em quase todos os seus gestos, atitudes e palavras. Continue a ser sempre esse garoto simples, que irradia simpatia e simplicidade por onde passa. Você consegue. Inclusive porque, até onde eu sei, seu pai e sua família são bem diferentes dos dele. 

Quer um conselho de um cara muito mais velho? Seja como o “Gasolina”, guri talentoso como você, que um dia chegou à Vila Belmiro, chamava-se Edson, e o mundo conheceu e idolatra até hoje pelo apelido de Pelé.

Ah, ia me esquecendo do mais importante: quando der, volta pro Mengão! Hoje tem clássico contra o Botafogo e, aposto, vou sentir ainda mais a sua falta! Torce aí, pela internet! 

Um forte abraço, desse seu grande fã, desde as categorias de base do Flamengo.

Enquanto isso 

Neymar pai diz que não vê motivos para que o filho faça qualquer reflexão sobre o que aconteceu na Copa da Rússia: 

“Ele sempre foi assim, sempre teve sucesso e não vejo porque mudar”. 

Então, tá.



Tags: flamengo, futebol, neymar, real madrid, renato maurício prado, vinícius juniro

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