Jornal do Brasil

Quarta-feira, 18 de Julho de 2018 Fundado em 1891
Futebol & Cia.

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Renato Mauricio Prado


Ah, o aleatório!

Jornal do Brasil

E pensar que o Brasil derrotou a Croácia, no penúltimo amistoso, antes da Copa, jogando com Neymar apenas no segundo tempo... Impossível não lembrar disso, ao ver a briosa equipe de Modric, Mandzukic e Rakitic superar a exaustão física de duas prorrogações consecutivas e, numa terceira, diante da favorita Inglaterra chegar à final, na Rússia, concretizando uma das maiores zebras da história dos Mundiais.

Que o “lado de lá” da chave tinha ficado bem mais fraco, sabia-se desde que terminou a fase de grupos. Mas o fiasco da Espanha e a decepção que se mostrou a Inglaterra, no jogo de ontem, comprovam que o caminho brasileiro até à decisão teria sido bem mais tranquilo, caso tivesse acabado em segundo lugar no seu grupo. E já que Tite não gosta de falar em sorte, resta lamentar usando um termo de sua preferência: Ah, o aleatório!

A classificação da Croácia teve ares heroicos, não somente pelo evidente desgaste de seus jogadores, mas também por ter sofrido um gol no início do jogo, o que a obrigou a buscar o empate, abrindo mão de uma tática de contra-ataques que lhe seria bem mais confortável e menos cansativa.

Os ingleses, porém, fizeram de tudo para entregar o ouro. Em vantagem no placar, passaram a apelar seguidamente para chutões para a frente e praticamente não ameaçaram mais o gol de Subasic, a não ser numa jogada com Harry Kane que a arbitragem considerou, equivocadamente, impedido. O artilheiro da Inglaterra, aliás, teve atuação apagadíssima, não justificando a fama. O mesmo pode-se dizer do English Team, como um todo, autêntico blefe, na hora da verdade.

Assim como chegou à final como grande azarão, o time croata pisará o gramado no domingo, para decidir o título contra o francês como gigantesca zebra. Não somente por causa do enorme desgaste físico que sofreu (ter disputado três prorrogações seguidas equivale a ter feito um jogo de 90 minutos a mais), mas também porque a França lhe é tecnicamente superior.

Fosse um torneio de vôlei ou basquete, onde os melhores prevalecem em 90% dos casos, diria que a Copa acabou, o que falta é apenas entregar a taça para “Les Bleus”.  Mas é futebol, esse esporte imprevisível e apaixonante, onde muitas vezes o coração na ponta da chuteira vale mais que a técnica refinada ou a estratégia mais bem preparada.

Alma e coração essa seleção da Croácia já provou ter de sobra. E, quem diria, o jovem Mbappé ganhou um concorrente de peso na disputa pelo posto de craque da Copa. Ele tem 32 anos e chama-se Luka Modric.



Tags: copa do mundo, croácia, final, inglaterra, modric, renato mauricio prado

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