Jornal do Brasil

Quarta-feira, 18 de Julho de 2018 Fundado em 1891
Futebol & Cia.

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Renato Mauricio Prado


Weggis particular

Jornal do Brasil

Muito se falou da bagunça em Weggis, na Copa de 2006, na Alemanha, mas pouco se tem comentado a respeito do que aconteceu na Copa da Rússia, com os autênticos “bondes” de parentes e amigos dos jogadores sempre gravitando em torno do hotel da seleção, muitas vezes até com acesso aos treinos fechados, como se pode atestar graças a uma indiscreta postagem de um vídeo feito por um “parça” de Gabriel Jesus, que ajudou até a tirar dúvidas a respeito da escalação que viria a ser usada por Tite.

A comissão técnica, conivente, nunca se mostrou incomodada com tal promiscuidade e a alegação oficial era de que os jogadores só tinham contato com as famílias e os amigos nos dias de folga. As fotos dos jogadores com os filhos, em pleno gramado de treino desmentem categoricamente tal afirmativa. É sabido também que Neymar pai, sempre ele, durante o Mundial, transferiu-se para o próprio hotel onde estavam hospedados os jogadores, provavelmente para dar “apoio” ao filho, tão “injustamente” criticado.

O paternalismo exacerbado foi a marca do trabalho de Tite e Edu Gaspar nesta Copa. Da exagerada intervenção do treinador, no dia em que Neymar foi perguntado sobre as críticas que lhe foram feitas por Osório, à desastrosa entrevista coletiva do coordenador, dizendo-se penalizado com o “sofrimento” do craque maior do elenco.

Preocupado em não contrariar o grupo e “ganhar o vestiário”, o técnico, na verdade, se tornou refém dos caprichos e vontades dos jogadores. Soa exagerado dizer que foi por causa disso que o Brasil perdeu a Copa. Mas, certamente, esse clima de permissividade e falta de foco não ajudou nem um pouco. Se Tite continuar, precisará rever muitos dos seus conceitos. A começar por esse. Copa do Mundo não é ocasião para fazer turismo com parentes e amigos.

PESADELO

O “El País” Brasil revela que Neymar e Mbappé não se dão. Mal se falam. A boa parte da reportagem está reproduzida na capa desse caderno e merece ser lida do início ao fim, pois revela um pouco mais da personalidade controversa do nosso craque maior. Que ele e Cavani não se bicavam, já era público e notório. Descobrir agora que também detesta seu outro companheiro de ataque ajuda a entender os motivos pelos quais parece disposto a trocar novamente de clube.

Para desespero de Neymar, Mbappé tem grandes chances de conquistar tudo aquilo que ele próprio sonhava: ganhar a Copa do Mundo, ser eleito o craque da competição, o melhor jogador do planeta e acabar contratado pelo Real Madrid. 

Alguém duvida de que a Bélgica terá um fervoroso torcedor, hoje, em Mangaratiba? 



Tags: copa do mundo, neymar, renato maurício prado, seleção, tite

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