Jornal do Brasil

Quarta-feira, 18 de Julho de 2018 Fundado em 1891
Futebol & Cia.

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Renato Mauricio Prado


Coitadinho do Neymar...

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No dia seguinte a uma das mais traumáticas derrotas da seleção brasileira, contra a Itália, em 1982, na Copa da Espanha, a concentração no belo castelo de Mas Bado, em Barcelona, foi aberta à imprensa e pudemos conversar pessoalmente e com calma, com os jogadores, o técnico Telê Santana e sua comissão técnica. Detalhe: na véspera, após a partida, todos eles já tinham falado com os jornalistas, apesar da enorme dor pela desclassificação inesperada, que frustrou não somente a torcida do Brasil, mas milhões de fãs apaixonados por aquele time, no mundo inteiro.

No dia seguinte à eliminação para a Bélgica (ontem), apenas o coordenador da seleção Edu Gaspar apareceu para uma entrevista. E teve o desplante de dizer que “não é fácil ser Neymar” e que chega até a sentir pena dele (!!!). Afinal, ressaltou: “Se ele ri, é criticado e elogiado. Se chora, é criticado e elogiado. Se não dá entrevistas, é elogiado e criticado. Chega a dar pena, porque o que esse menino sofre não é fácil”. Detalhe: após a derrota para os belgas, o camisa dez da seleção recusou-se a falar com os repórteres, passando pela zona mista em silêncio. Pobrezinho... 

Esse tipo de paternalismo sem sentido foi um dos (vários) erros de Tite e sua comissão técnica na Copa da Rússia. Em vez de demagogicamente carregar para as entrevistas os auxiliares, que não têm nada a acrescentar ao que ele próprio poderia falar, o treinador deveria era ter mostrado ao seu principal jogador que, como maior estrela da companhia, ele precisava deixar de ser mimado e se portar como exemplo. Ao contrário, Tite, Edu e seus pares só fizeram justificar e assim alimentar o comportamento narcisista e egocêntrico do craque. Fico só imaginando o que Telê Santana diria se soubesse que algum dos seus comandados pretendia levar dois cabelereiros para a Copa. Sabe aquela história do foco? Pois é...

Como muita gente já disse, Neymar sai da Copa menor do que entrou. Nem tanto pelo que não conseguiu jogar (algo compreensível diante da cirurgia que sofreu e o deixou três meses inativo), mas por suas atitudes de prima-dona insuportável e farsante contumaz. O topete de pintassilgo dourado, na estreia, foi de um ridículo atroz. E ninguém na comissão técnica teve coragem de dizer a ele o mico que iria pagar. Se bobear, houve quem garantisse que, em caso de vitória, faria penteado idêntico...

O teatro absurdo e grotesco dos arrancos de cachorro atropelado a cada contato com os adversários revoltou não somente os adversários, mas a maioria do mundo do futebol, conseguindo irritar até os brasileiros que, torcida à parte, reconheciam naquele ritual farsesco algo desnecessário e contraproducente – basta ver a má vontade que todos os árbitros passaram a demonstrar com ele e com a seleção. Afinal, como ser a favor de alguém que entra em campo disposto a fraudar o seu trabalho? 

Ah, mas em sua conta no Instagram Neymar disse que está difícil até encontrar forças para voltar ao futebol. Coitadinho, não é, Edu Gaspar?



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