Jornal do Brasil

Quarta-feira, 18 de Julho de 2018 Fundado em 1891
Futebol & Cia.

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Renato Mauricio Prado


Sonhos destruídos

Jornal do Brasil

O sonho de Neymar de ser eleito o melhor da Copa e, em seguida, o melhor do mundo, naufragou juntamente com o do hexa do Brasil. Em seu primeiro confronto na Copa contra um adversário de alto nível técnico, a Bélgica, nem o camisa dez nem a seleção de Tite passaram no teste.

O jogador teve atuação discreta, sendo desarmado, sem faltas, praticamente todas as vezes que tentou o drible. Já a equipe brasileira não se encontrou no primeiro tempo, quando os belgas fizeram 2 a 0 e poderiam até ter marcado mais gols, tantos foram os espaços oferecidos no meio-campo, onde De Bruyne desfilou a sua conhecida categoria, diante de Fernandinho (perdido) e Paulinho (mais preocupado em atacar do que em defender).

Tite foi surpreendido pela modificação tática do espanhol Roberto Martinez, treinador da Bélgica, que escalou Felaini, mais recuado (muitas vezes até marcando Neymar), avançou e liberou De Bruyne e jogou Lukako nas costas de Marcelo. Foi o bastante para levar à loucura a até então vista como inexpugnável zaga brasileira (que só tinha enfrentado ataques e atacantes medíocres).

No segundo tempo, com as entradas de Roberto Firmino, Douglas Costa (que já deveria ter sido colocado em campo, no intervalo) e Renato Augusto, o Brasil melhorou, tomou conta do jogo, mas esbarrou nas boas defesas do goleiro Courtois e nas duas linhas defensivas adotadas pela Bélgica, que recuou intencionalmente, aguardando por um contra-ataque e deixando o tempo passar.

A seleção poderia ter chegado ao empate? Sim, poderia. Mas não seria o resultado mais justo. A Bélgica foi melhor e mais consciente no cômputo geral da partida. Os brasileiros reclamaram de um possível pênalti em Gabriel Jesus (uma vez, mais, apagadíssimo), mas, sinceramente, acho que o atacante brasileiro se atirou sobre Kompany e, além disso, quando houve o contato, a bola já tinha saído pela linha de fundo.

De Bruyne foi eleito o craque da partida, mas Hazzard também jogou uma barbaridade e Lukaku levou nossos zagueiros e volantes à loucura. No Brasil, apesar da pressão nos 45 minutos finais, não dá nem pra pinçar destaques positivos. Negativos, em compensação...

Fernandinho foi um desastre, Paulinho esteve muito mal, Willian, uma nulidade e Gabriel Jesus, outra. Tite também decepcionou, por ter demorado um tempo inteiro para se dar conta do que estava acontecendo, e por custar a mexer no time, que estava perdido.

Apesar disso, o técnico deve ser mantido, até por falta de opções empolgantes – Renato Gaúcho seria o primeiro da lista. O balanço brasileiro na Rússia, porém, não me agradou. Ganhamos, com dificuldades, de um bando de galinhas mortas e caímos fora no primeiro jogo realmente difícil. Muito pouco para um futebol pentacampeão do mundo.



Tags: brasil, copa do mundo, eliminação, renato maurício prado, rússia

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