Jornal do Brasil

Quarta-feira, 18 de Julho de 2018 Fundado em 1891
Futebol & Cia.

Futebol & Cia.

Renato Mauricio Prado


Brasil sobrou em campo

Jornal do Brasil

O início do jogo e o placar final foram ilusórios. No todo, o Brasil fez a sua melhor partida na Copa, jogou muito mais que o México e, não fosse uma grande atuação do goleiro Ochoa (mais uma, como em 2014), poderia ter deixado o estádio de Samara festejando não somente a justa vitória, mas também uma retumbante goleada.

Das 21 finalizações brasileiras, onze foram no gol e em pelo menos sete delas o arqueiro mexicano teve que se virar, com defesas difíceis para evitar que sua rede balançasse. Já Alisson viu apenas uma, vou repetir, UMA bola ir na direção certa de sua baliza e, sem susto, a desviou a córner, com leve tapinha, por cima do travessão. Que venha a Bélgica (quem diria, por pouco, não vinha o Japão)!

Assim como a seleção, Neymar segue evoluindo e teve também o seu melhor desempenho até agora neste Mundial. Teve uma leve recaída nas encenações cinematográficas, mas não brigou com a arbitragem, nem com os adversários e se manteve focado o tempo todo, preocupado em jogar para a equipe, sem que isso o impedisse de criar ótimas oportunidades para marcar. Foi assim que participou ativamente dos dois gols brasileiros e criou várias outras boas jogadas ofensivas. É nítido que está melhorando jogo após jogo.

Além do camisa dez, brilhou intensamente William, naquela que foi, sem dúvida, sua atuação mais convincente com a camisa verde e amarela. Principalmente no segundo tempo, chamou o jogo, levou vantagem sobre os adversários em quase todos os lances e foi perfeito na jogada do primeiro gol, após receber passe de calcanhar de Neymar. Thiago Silva também teve uma atuação excelente e, justiça seja feita, coletiva e individualmente, quase todos os brasileiros estiveram bem.

Quem continua destoando é Gabriel Jesus. Como centroavante que é, está lá para fazer gols e trabalhar como pivô, no comando do ataque. Não está fazendo nem uma coisa, nem outra. Esse papo de que taticamente é importante, porque ajuda na marcação e abre espaços para quem vem de trás, é tolice. Jesus precisa fazer muito mais. Até porque, seu concorrente direto, Roberto Firmino, nas vezes em que entrou, foi sempre decisivo. Ontem, inclusive, marcando o gol que selou a vitória. A impressão que fica é que sua entrada reforçará consideravelmente o ataque brasileiro.

Por pouco, nas quartas de final, o Brasil não pegava o Japão o que, convenhamos, deveria ser uma tremenda carne assada. A dúvida que fica agora é se a Bélgica, que sofreu tanto para bater os japoneses, numa virada heroica, será muito melhor. Ao menos ontem, alguns de seus melhores jogadores, como De Bruyne, Merteens, Lukaku e o goleiro Courtois (que ia engolindo um frangaço histórico) tiveram atuações pífias diante do que podem render. Bola mesmo, só jogou o Hazzard.

Tomara que não resolvam descontar contra o Brasil. Mas, mesmo que isso aconteça, se jogar o que jogou ontem, a seleção de Tite pode ir adiante.



Tags: copa do mundo, futebol, neymar, seleção, tite

Compartilhe: