Jornal do Brasil

Quarta-feira, 18 de Julho de 2018 Fundado em 1891
Futebol & Cia.

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Renato Mauricio Prado


Coletivo-apronto contra o México

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Não tenho nenhum medo do México, mas temo a Bélgica. A Copa da Rússia começa a partir das quartas de final. A partir daí, sim, só teremos pedreiras. Até lá, vamos deixar de blábláblá, os rivais foram na medida para o aquecimento da turma de Tite e, o mais importante, para que Neymar fosse ganhando ritmo, confiança e, aleluia, maturidade.

Os mexicanos podem nos dar mais trabalho do que suíços, costa-riquenhos e sérvios? Podem. Mas se não ganharmos deles, fala sério, é melhor voltar logo pra casa, para evitar alguma outra humilhação tipo 7 a 1. Cair nas oitavas, diante da turma do professor Osório (que levou de 3 a 0 da Suécia) já será um mico e tanto.

A Bélgica também só enfrentou adversários fracos (nem estou considerando a partida de ontem entre os reservas belgas e ingleses), mas suas atuações diante do Panamá e da Tunísia impressionaram não pelas goleadas, mas pela fluidez de seu jogo e pelo brilho individual de seus principais jogadores: Lukaku, De Bruyne e Hazard. Três craques.

O lado da chave onde ficou o Brasil é bem mais forte que o outro, onde estão Espanha, Inglaterra e Croácia (esqueçam o resto). Belgas e brasileiros, porém, têm oitavas de final mais tranquilas, respectivamente, contra japoneses e mexicanos – enquanto França e Argentina se matam logo de cara e Uruguai e Portugal também fazem um clássico e tanto.

Considero o confronto da próxima segunda-feira, uma espécie de coletivo-apronto do Brasil para o momento em que realmente o bicho vai pegar na Copa. Diante dos mexicanos, é a hora de quem ainda não está bem, como Gabriel Jesus, Willian e Paulinho, se firmar ou sair do time. Contra adversários como a Bélgica – e daí pra frente – a margem de erro terá que diminuir drasticamente. Atuações meia-boca, como as que a seleção teve até agora (principalmente nas duas primeiras rodadas), não serão suficientes para ir longe.

Tenho a impressão de que, para enfrentar oponentes mais fortes, como Bélgica, França (a que mais temo), Argentina ou Uruguai, Tite acabará reforçando o meio-campo e aí as chances de Fernandinho acabar como titular crescem exponencialmente. Se vai entrar no lugar de Paulinho, de William ou até mesmo de Jesus, não sei. Mas que, mais cedo ou mais tarde, ele vai entrar, vai. Pode apostar.

Fair play?

E o Japão, perdendo por 1 a 0 e tocando a bola na defesa, durante quatro minutos, para garantir a vaga no critério do “fair play” (menor número de cartões)? Vexame. Quando voltar para casa, o técnico Akira Nishino, que admitiu na entrevista coletiva, ter ordenado a marmelada, deveria fazer um haraquiri. De vergonha.



Tags: brasil, bélgica, chaves, copa do mundo, futebol, oitavas, seleção

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