Jornal do Brasil

Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018 Fundado em 1891
Futebol & Cia.

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Renato Mauricio Prado


Pelada de abertura

Jornal do Brasil

Pode ser até que eu queime a língua, mas esse jogo de abertura da Copa, entre Rússia e Arábia Saudita, tem tudo para ser uma pelada daquelas. Os russos se revelaram um autêntico saco de pancadas nos amistosos pré-Copa e os sauditas... bem, dos sauditas nem precisa falar, né? Aposto numa magra vitória russa, sem qualquer encanto. Mas um 0 a 0 daquele de dar sono não me surpreenderá também.

A Copa começa pra valer amanhã. Aí, sim, com um jogão, entre Espanha e Portugal. Não fosse a tresloucada história da demissão de seu invicto treinador, diria que os espanhóis entrariam como favoritos. Agora, já não sei. Afinal, os portugueses são os atuais campeões europeus. E tem Cristiano Ronaldo. Certo apenas que deve ser um belo jogo de futebol.

Lambança 1

Como a Espanha demite seu técnico há dois dias da estreia? Pior, um treinador bem-sucedido, que pegou aquela equipe desmoralizada na Copa do Brasil e na última Eurocopa e a remontou a ponto de chegar na Rússia como uma das favoritas ao título. Invicto, ele levou um pé na bunda porque foi açodado e acertou com o Real Madrid, antes do início do Mundial, embora tivesse renovado contrato com a Federação Espanhola até 2020.

Faltou jogo de cintura. Ao treinador, que deveria ter conduzido as negociações de forma bem mais transparente e inteligente, e ao presidente da Federação, que poderia ter contemporizado e preferiu radicalizar, decapitando o comandante de La Roja e entregando-a a Fernando Hierro, ex-capitão da Espanha, como jogador, e ex-assistente de Carlo Ancelotti, no Real Madrid. Se perder de Portugal, é crise na certa.

Lambança 2

E esta Copa de 2026, com 48 seleções e três países-sede (EUA, Canadá e México)? A Fifa até parece a CBD da época do regime militar, que tinha o seguinte lema: “Onde a Arena (partido do governo) vai mal, mais um time no Nacional”. E o principal campeonato do país chegou a ter 94 clubes. A Fifa acaba chegando lá...

Lambança 3

O que dizer do voto do Coronel Nunes, presidente da CBF? Combinou uma coisa (com o grupo da Conmebol), votou outra. Achando que o voto era secreto... Há décadas, a camarilha que dirige a CBF só envergonha o Brasil.

Empate justo

Antes mesmo de o Palmeiras abrir o placar, na Allianz Arena, Diego Alves já tinha sido obrigado a fazer uma defesa espetacular em cabeçada de William. Inexpugnável há cinco rodadas, a zaga rubro-negra falhou duas vezes no jogo aéreo e os paulistas saíram na frente.

Em desvantagem, o Fla cadenciou o jogo, equilibrou as ações e, no segundo tempo, chegou ao empate com um gol de cabeça de Thuler. Pouco antes, o Palmeiras tinha criado várias boas oportunidades, mas Diego Alves, em grande noite, fez ótimas defesas e impediu que os paulistas marcassem de novo.

Com 1 a 1 no placar, o jogo esquentou depois que Felipe Melo deu uma entrada criminosa em Vinícius Jr. Deveria ter sido expulso, mas levou somente o amarelo. Depois disso, Felipe Vizeu e Vinícius Jr. (no mesmo lance) ainda perderam grande chance para desempatar e Everton Ribeiro, em jogada individual, também esteve perto de marcar.

No final, houve uma lamentável confusão generalizada, Cuellar, Jonas, Henrique Dourado (no banco), Dudu, Jaílson e Luan (no banco) foram expulsos e o empate acabou sendo um resultado justo e muito melhor para o Flamengo do que para o Palmeiras, que jogava em casa e continuou a oito pontos do líder.

Excelente ideia

De contrato novo com o Maracanã, o Flamengo pretende retirar as cadeiras de trás dos dois gols e criar ali espaços para ingressos mais baratos. Seriam setores nos quais os torcedores assistiram aos jogos em pé (como, aliás, fazem hoje em dia, mas em cima das cadeiras). Isso possibilitaria que a capacidade máxima, atualmente em 78 mil lugares, chegasse aos 100 mil, número mais compatível com a história daquele que já foi um dia o maior do mundo. Tomara que a iniciativa prospere – ainda depende da aprovação do Corpo de Bombeiros.

Somente sondagens

Eduardo Uram, empresário de Lucas Paquetá, está de volta ao Brasil, com algumas sondagens, mas nenhuma proposta efetiva pelo jogador. Vai se reunir nos próximos dias com os dirigentes do clube e com Paquetá para saber o que eles pretendem. Segundo Uram, o mercado está superaquecido e muitos negócios acontecerão: “a Arábia Saudita é a nova China”, garante. O novo Eldorado, porém, não é para jovens como Paquetá e sim para jogadores mais rodados e sem grandes perspectivas futuras.  

Ladeira abaixo

Quatro derrotas consecutivas. Sequência digna de time do Z-4. Abel é um excelente treinador, mas não é mágico. O elenco tricolor é fraco e se Pedro, Ayrton Lucas e Ibañez forem mesmo vendidos, como um ex-dirigente revelou ser o plano da diretoria para colocar as finanças em dia, a situação ficará insustentável. A segundona (de novo!?!) é logo ali.

Cabeça a cabeça

Numa espécie de campeonato carioca à parte, o Botafogo, que venceu o Atlético Paranaense, superou o Vasco, que perdeu para o Internacional. No momento, o Glorioso é o décimo, o Vasco, o décimo-primeiro e o Fluminense, o décimo-segundo. Separados por apenas três pontos.



Tags: arábia saudita, copa do mundo, futebol, rússia, seleção

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