Jornal do Brasil

Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018 Fundado em 1891
Futebol & Cia.

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Renato Mauricio Prado


Que seleção, que nada!

Jornal do Brasil

Fiz uma rápida pesquisa com amigos, leitores e companheiros: se tivesse que escolher, você preferiria que o seu time fosse campeão brasileiro ou que a seleção conquistasse o hexa na Rússia? As respostas foram quase unânimes. Noventa por cento dos ouvidos preferem mil vezes que os seus times sejam os campeões do Brasil, ao invés de o Brasil ser o campeão do mundo pela sexta vez. Surpreso? Eu, não.

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Evolução inegável 

O trabalho de Maurício Barbieri no Flamengo começa, inegavelmente, a dar frutos visíveis. Ele é jovem e inexperiente, algumas vezes ainda erra (como escalar um time reserva contra a Chapecoense ou ser cauteloso demais, quando não havia motivos, no segundo jogo contra o River Plate), mas no geral, justiça seja feita, tem acertado muito mais. O time rubro-negro exibe, agora, um padrão de jogo bem definido. E, hosana nas alturas, acabou com os chutões pra frente e com o maldito chuveirinho, que persistiam faz tempo, com os mais diversos treinadores.

Discretamente, está sendo feita também uma troca de guarda (e de gerações) na defesa. A cada jogo que passa os jovens Léo Duarte e Thuler mostram do que são capazes e não há mais dúvidas de que logo serão titulares absolutos. É admirável também o técnico que tem conseguido com Renê: antes um mero e esforçado marcador, que agora vem revelando um até então insuspeitado talento no apoio ao ataque.

É elogiável também a utilização cada vez mais frequente de Jean Lucas, grande promessa da base que pode virar titular com a saída de Vinícius Jr. e o deslocamento de Paquetá mais para a esquerda. E, registre-se ainda, é sob o comando do jovem treinador que o futebol de Everton Ribeiro, enfim, está reaparecendo.

Ainda acho cedo para considerar Maurício Barbieri uma grande revelação como técnico. Mas que ele demonstra estar no caminho certo para isso, demonstra. Palmas pra ele.

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Frescura 

A irritação e as queixas dos jogadores do Fluminense e do técnico Abel com os dribles de Lucas Paquetá e Vinícius Jr., no Fla-Flu, não se justificam. O estilo deles é assim, irreverente, moleque, talentoso. Não gosta, que lhe roubem a bola. Sem pontapés. Como bem lembrou o próprio Vinícius, o que diriam de Mané Garrincha, nos dias de hoje? 

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Outro campeonato 

A paralisação do Brasileiro durante a Copa, aliada à janela de transferências para o futebol europeu, nos permite prever um outro campeonato, que pode ser bem diferente, a partir de meados de julho. Não somente os times mais fortes devem se modificar bastante (com a saída de alguns de seus melhores jogadores e eventuais contratações) como começarão a ter que se dividir entre até três competições: Brasileiro, Libertadores e Copa do Brasil. Aproveitar essa parada para recuperar fisicamente o elenco e afiná-lo ainda mais nas semanas que existirão só de treinamentos é o dever de casa geral. E somar o máximo de pontos possíveis nas duas últimas rodadas antes do Mundial também.

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Triste sina 

A venda do jovem Rodrygo, do Santos, para o Real Madrid (por 45 mihões de euros, tal qual Vinícius Jr.) pode ser um bom negócio para o Santos, mas é desalentador para o futebol brasileiro. Pelo que se vê, nenhum garoto que pinte fora de série (como os dois contratados pelo milionário clube espanhol) jogará mais que uma temporada por aqui. E mesmo assim porque eles começam a ser lançados nos profissionais, ainda com 17 anos. Completou a maioridade, adeus! O próximo a sair deve ser Pedrinho, do Corinthians. E nós continuaremos a importar veteranos em final de carreira ou sul-americanos meia-boca.

Miúra infernal 

O espanhol Rafael Nadal está a apenas uma vitória de seu décimo-primeiro título em Roland Garros. Atropelou o argentino Juan Martin Del Potro, na semifinal, e enfrentará Dominic Thiem, na grande decisão. Não fosse o fato de ter sido derrotado pelo adversário, no último confronto entre os dois: no mês passado, no saibro de Madrid, a grande final seria considerada mera formalidade. 

O Miúra é quase imbatível no lindo complexo tenístico, situado no Bois de Boulogne. Ele disputa o seu décimo-quinto Aberto de Paris e só não foi campeão em três ocasiões: perdeu duas vezes (para Robin Soderling, em 2009, e Novak Djokovic, em 2015) e abandonou em uma, por causa de uma contusão no punho (nem entrou em quadra no jogo que faria contra Marcel Granollers, na terceira rodada de 2016). 

Creio que Thiem até pode fazer um jogo duro com Rafa, nos primeiros sets. Mas não acredito que seja capaz de superá-lo numa melhor de cinco. A conferir, amanhã, na Phillippe Chatrier, quadra inesquecível onde o nosso Guga levantou o caneco três vezes.

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Coisa de TV 

Em seus tempos de jogador, Romário foi aconselhado por amigos a não despejar uma tia, que morava em um de seus muitos apartamentos, e não estava pagando o aluguel. 

- Não faça isso, vai comprometer sua imagem – disseram-lhe. 

E o Baixinho, de bate-pronto: 

- Quem tem que ter boa imagem é televisão. 

Será que o agora senador continua a pensar assim?



Tags: flamengo, futebol, hexa, rússia, seleção

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