Jornal do Brasil

Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018 Fundado em 1891
Futebol & Cia.

Futebol & Cia.

Renato Mauricio Prado


Filosofia de botequim

Jornal do Brasil

O trabalho de Tite, como treinador, é excelente. Ele conseguiu a proeza de recuperar a seleção, após a desastrosa (e quase inacreditável) segunda passagem de Dunga no comando do time, e chega à Rússia à frente de um Brasil que está entre os favoritos para levantar o caneco. Mas feita a justa e obrigatória ressalva, não dá para não dizer: como são chatas suas entrevistas coletivas!

Aquele ar professoral de autor de livro de autoajuda, a preocupação de não entrar em temas polêmicos (recebidos com silêncio canastrão e expressões teatrais dignas do Pensador de Rodin) e agora a mania de levar sempre um auxiliar, que nada tem a acrescentar ao que ele próprio poderia dizer. O de ontem foi o tal Cléber “amplitude”, rei das bobagens que os novos “professores” resolveram cunhar para o futebol, no intuito de parecerem sábios e modernos (e o pior é que muitos jornalistas adotam os mesmos termos idiotas). 

Outra coisa que me incomoda em Tite é essa história de fazer rodízio de capitão. Que tolice! Tudo para evitar que Neymar assuma o posto e exagere nas reclamações. Até parece que ter ou não ter a faixa no braço mudará alguma coisa na cabeça do nosso talentoso, mas sempre irascível craque. Mais uma barretada de falsa modernidade.

Para terminar, o treinador da seleção aproveitou, ontem, até uma pergunta a respeito de uma promoção de um dos patrocinadores para se meter a sugerir mudanças na iniciativa da Mastercard, que dará 10 mil refeições a estudantes da América Latina e Caribe a cada gol de Neymar e Messi, daqui até 2020. Quer que qualquer gol, de qualquer integrante das duas seleções, valha o prêmio... “Porque o futebol é coletivo”, justificou. Não entende patavinas de marketing e poderia ter evitado o palpite demagogo. 

Hoje, a seleção, sem Neymar, faz o penúltimo amistoso antes da estreia na Copa. Enfrenta a Croácia. E, aos pouquinhos, Tite vai assumindo e defendendo o esquema com três volantes... Mas a curiosidade geral é mesmo em relação às condições físicas do camisa 10, que deve entrar no segundo tempo. O resto não passa de “amplitude” do blábláblá. 

A caravela faz água 

Dentro de São Januário, o Botafogo não teve dificuldade para derrotar o Vasco, abrindo o placar com três minutos de bola rolando e fazendo o segundo, ainda no primeiro tempo. O time de Zé Ricardo reagiu, após o intervalo, fez um gol, pressionou, mas não conseguiu empatar. Vitória justa do Glorioso, que respira na tabela. Já a turma da Colina começa a ficar perigosamente perto da zona de rebaixamento... 

Hora certa I 

O jogo de hoje, contra o Corinthians, é a ocasião perfeita para o Flamengo carimbar, com autoridade, sua condição de real candidato ao título brasileiro deste ano. Sem destaques como Jô e Guilherme Arana, o atual campeão já não é tão eficiente como no ano passado e sofre com a mudança de técnico. O rubro-negro tem a obrigação de vencer e convencer. Como fez no primeiro tempo contra o Bahia. 

Hora certa II 

Diante de um Paraná que ainda não ganhou nem sequer uma vez e perdeu cinco dos oitos jogos feitos até agora, o Fluminense, mesmo jogando fora de casa, também tem excelente oportunidade para se firmar entre os primeiros da tabela. Uma pena que Pedro tenha sofrido estiramento muscular e só volte aos gramados depois da Copa. Um desfalque e tanto. 

Um clássico 

Elas já decidiram três dos quatro torneios do Grand Slam, já fizeram uma final olímpica (Londres-2012) e já foram número 1. A americana leva enorme vantagem no confronto direto: 19 vitórias e apenas duas derrotas. Mesmo assim o duelo entre Serena Williams e Maria Sharapova (as duas únicas tenistas em atividade que já conquistaram os quatro “Majors”) é sempre uma atração à parte em qualquer torneio que disputem. Acontecerá de novo, em Roland Garros, agora na quarta rodada, porque ambas caíram muito no ranking (Maria por causa da suspensão, por doping; Serena por causa da gravidez). A vencedora pode enfrentar, na rodada seguinte, outra campeã de “Rolanga”, a espanhola Garbiñe Muguruza. 

Vá com Deus, moleque 

Enquanto o presidente Eduardo Bandeira de Mello e seus pares continuam a agir com a mesma pasmaceira demonstrada no imbróglio com Reinaldo Rueda (e deu no que deu), o agente de Vinícius Jr. já diz para quem quiser ouvir que seu pupilo se mudará para Madrid pouco depois de completar 18 anos de idade (no dia 12 de julho). Tomar a iniciativa para resolver os problemas nunca foi o forte dessa diretoria. Lamentável. 

Quem será o substituto do moleque? Na cabeça oca dos cartolas rubro-negros deve ser Marlos Moreno – indicado por Rueda e contratado mesmo depois que o colombiano deixou o Flamengo pendurado na brocha. Até agora, não disse a que veio.

Local perfeito 

Houve uma época (não muito distante) em que a arbitragem no futebol do Rio estava tão desmoralizada que o Porcão (então badaladíssima rede de churrascarias) lançou o seguinte slogan, em outdoors pela cidade:

“Senhores juízes do Campeonato Carioca, temos um lugar bem melhor para vocês darem uma garfada”.

O Porcão faliu, mas os juízes cariocas continuam errando como sempre.



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