Jornal do Brasil

Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018 Fundado em 1891
Futebol & Cia.

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Renato Mauricio Prado


A Marselhesa me assusta

Jornal do Brasil

Muito se fala na Alemanha, na Espanha e até na Argentina (por causa de Lionel Messi), mas um adversário que me dá arrepios, pelo passado de traumas que causou à seleção brasileira, é a França. Nas últimas três vezes em que o Brasil cruzou com os franceses, em Copas do Mundo, levou a pior. A única vitória foi no primeiro confronto em Mundiais: 5 a 2, em 1958, na semifinal da campanha que levaria o timaço de Pelé e Garrincha ao título mundial, na Suécia. 

Em 1986, o time envelhecido de Telê Santana foi eliminado, nos pênaltis, após um empate dramático em 1 a 1 (no tempo normal, Zico perdeu uma penalidade máxima), em que houve até prorrogação; em 98, levou a taça, com uma categórica vitória por 3 a 0, na final; e em 2006 eliminou os brasileiros, com aquele gol de Thierry Henry, com a luxuosa colaboração do meião de Roberto Carlos. Lembrei disso tudo, vendo a sonora chinelada que a França deu na Itália, ontem, no amistoso disputado em Nice.

A equipe francesa é rápida, bem armada e extremamente talentosa. Jogadores como Umtiti, Kanté, Pogbá, Mbappé, Griezmann e Dembelé estão no nível dos melhores do planeta. E o técnico Didier Deschamps é marrento e muitas vezes mal-educado, mas sabe das coisas. Tomara que os franceses não cruzem o nosso caminho. Na primeira fase, eles estão numa chave moleza, com Austrália, Peru e Dinamarca. Duvido que não passem em primeiro, provavelmente, com três vitórias. Se o Brasil passar também como líder de seu grupo, a possibilidade de confronto contra “Les Blues” é na semifinal. Tomara que sejam eliminados antes...

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Queridinha fuleira 

Os jornalistas brasileiros adoram cultuar a revista inglesa “FourFourTwo”, considerada por muitos uma espécie de bíblia do futebol mundial. Nunca concordei com tal avaliação. Vira, mexe, os ingleses que a escrevem soltam uma “batatada” como essa lista recente dos 25 melhores jogadores em Copas do Mundo, que já começa com uma idiotice mor: Maradona (ganhador de apenas um Mundial, vice em outro e eliminado em duas ocasiões) lidera o rol, à frente de Pelé (tricampeão, com quatro Copas disputadas).

As bobagens inglesas, porém, não ficam por aí. O artilheiro Miroslav Klose é o terceiro colocado, à frente de Ronaldo e Beckenbauer!!! Nem vou advogar a favor do Fenômeno. Basta perguntar a qualquer alemão se ele acha que o goleador narigudo foi mais importante que o “Kaiser”, nos Mundiais que cada um disputou.

Querem mais tolices “tsunâmicas”? Cafu aparece em sexto lugar, diante de Garrincha, o sétimo!!! Só isso é o bastante para desclassificar os autores da reportagem como jornalistas esportivos. No máximo, podem ser vistos como palhaços sem graça.

Outros brasileiros na relação: Carlos Alberto Torres (décimo-quarto), Jairzinho (vigésimo primeiro) e Rivaldo (vigésimo terceiro). Romário? Simplesmente não está na lista. 

Como é que alguém pode levar essa revistinha fuleira a sério?

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Por entre os dedos 

LeBron James fez 51 pontos (!!!) e deixou Cleveland a quatro segundos da vitória no primeiro jogo da série que decide o título da NBA deste ano. Não fosse uma inversão de falta, pra lá de discutível, no ataque do Golden State, o jogo até poderia ter sido decidido antes, pois o “foul” de ataque inicialmente marcado, de Kevin Durant em LeBron, devolveria a bola aos Cavalliers, que venciam por 106 a 105, a poucos segundos do final do jogo.

A arbitragem, porém, consultou o vídeo e voltou atrás: deu falta de LeBron e dois lances para Durant, que colocou os Warriors, na frente: 107 a 106. Veio um ataque do Cleveland e uma falta. Com dois lances livres e 4,5 segundos restando no cronômetro, era convertê-los, passar a frente e praticamente garantir a vitória.

Hill acertou apenas o primeiro, empatou em 107, mas no segundo errou e o rebote caiu nas mãos do companheiro JR Smith, dentro do garrafão. Bastava partir para a tabela e fazer os pontos, ou sofrer nova falta, com o cronometro praticamente zerado. 

Deu um apagão no jogador dos Cavalliers e ele retornou para o meio da quadra, para desespero de King James. Fim de jogo, prorrogação e aí o Golden State passeou, diante de um Cleveland desanimado pela vitória que deixou escapar pela incrível besteira do companheiro.

Quem achou que a série seria fácil para Kevin Durant, Stephen Curry e Cia., já viu que não deverá ser bem assim. LeBron James está jogando como nunca. E aí tudo é possível.

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Embalando em Paris

Novak Djokovic venceu mais uma em Roland Garros: derrotou o sempre perigoso espanhol Bautista Agut por 3 a 1 (6/4, 6/7, 7/6 e 6/2). Poderia ter sido até 3 a 0, pois o sérvio teve três bolas para vencer a segunda parcial, mas as desperdiçou. Seu próximo adversário será o também espanhol Fernando Verdasco, um freguês de caderno (que eliminou, surpreendentemente, o búlgaro Dimitrov). Aos poucos, Nole vem evoluindo, chegando a lembrar, em alguns momentos, os tempos em que dominou o circuito com autoridade. Sua prova de fogo deverá acontecer nas quartas-de-final, quando terá pela frente Zverev, Thiem ou Nishikori.

Hoje, jogam Rafael Nadal (contra o francês Richard Gasquet) e Maria Sharapova (contra Karolina Pliskova). Se o Miúra tem tudo para vencer até com certa facilidade, a russa enfrentará parada duríssima diante da tcheca.

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Olha a hora! 

Já fez o check-in do voo para Madrid, Bandeira?



Tags: copa do mundo, frança, futebol, nba, seleção

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