Jornal do Brasil

Terça-feira, 19 de Junho de 2018 Fundado em 1891
Futebol & Cia.

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Renato Mauricio Prado


A hora é de dar espaço para a base

Jornal do Brasil

Lucas Paquetá, Vinícius Jr., Jean Lucas, Léo Duarte e Thuler. Cinco jogadores oriundos da base rubro-negra estiveram em ação, ontem, na vitória por 2 a 0, sobre o Bahia, no Maracanã. Encaminha-se aos poucos o reencontro do Mais Querido com a sua história – aquela que já parecia esquecida e que dizia que craque o Flamengo faz em casa.

É nessas horas que o clube deveria avaliar com extremo cuidado as próximas contratações e até mesmo escalações. Faz sentido manter Henrique Dourado como titular, tendo Lincoln e, principalmente, Victor Gabriel à disposição? Adianta gastar uma grana preta, para repatriar Wagner Love?

No triunfo sobre os baianos, o solo foi de Lucas Paquetá. Após dois ou três jogos em que parecia sacrificado, muito preso à marcação, ele atuou mais solto e deu um show à parte. Dessa vez, praticamente todos os companheiros atuaram bem (inclusive o criticadíssimo Renê), mas mesmo assim ele conseguiu se destacar, marcando um golaço e participando ativamente dos melhores lances do Fla.

Seu oposto, uma vez mais, foi Henrique Dourado. É impressionante sua dificuldade de produzir algo que preste – apesar do esforço e dedicação demonstrados em campo. Está mais do que na hora de dar uma oportunidade aos jovens Lincoln e Victor Gabriel – aliás, por que diabos esse último ainda não está integrado de vez aos profissionais?

Quando tira Dourado de campo, Barbieri tem colocado Jean Lucas, que é um promissor meio-campo. Com a mexida, passa a dar mais liberdade para Vinícius Jr., como aconteceu, com sucesso, diante do Atlético Mineiro. Mas essa é uma solução para jogar em contra-ataques, não para situações nas quais o Flamengo é quem dita o ritmo. E 90% das vezes, é o Flamengo quem deve ditá-lo.

Por falar em Jean Lucas, qual o sentido de se pensar na contratação de Wallace, quando se tem um garoto tão bom quanto ele berrando por espaço? O que o Flamengo precisa é de laterais. Será tão difícil ver isso?

Voltando ao jogo de ontem, quem também brilhou intensamente foi Diego Alves, muito acionado no segundo tempo, quando o Bahia se lançou ao ataque para tentar a virada. O goleiro fez várias grandes defesas (duas delas, impressionantes, em sequência), justificando cada vez mais a fama que trouxe de Valência. Esse, sim, valeu a contratação.

Na próxima rodada, o Flamengo, líder absoluto, mas com o São Paulo nos calcanhares, enfrenta o Corinthians, uma vez mais, no Maracanã (que estava lindo, ontem, com mais de 55 mil torcedores). É mais uma partida na qual a vitória é obrigação. Basta jogar como jogou diante do Bahia. Como Flamengo.

Em tempo: justiça seja feita a Maurício Barbieri. O maldito e improdutivo chuveirinho foi praticamente abolido da tática rubro-negra e, ainda que timidamente, algumas jogadas ensaiadas começam a aparecer. Assim, o futuro do jovem treinador pode ser promissor no Ninho do Urubu.

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Três volantes, Tite?

Com Neymar no banco (provavelmente entrará durante a partida), Tite deve escalar Casemiro, Fernandinho e Paulinho no meio-campo brasileiro, no amistoso de domingo, contra a Croácia. Foi assim que o Brasil derrotou o mistão da Alemanha (1 a 0), em março, e pelo visto é essa a formação que mais agrada ao treinador, na ausência de seu principal jogador. A dúvida é o que ele fará quando o camisa dez puder jogar. Sairá um dos volantes ou Phillippe Coutinho?

A opção pelo ex-jogador do Vasco significará um time mais ofensivo. Já se os três cabeças de área forem mantidos (o que acho mais provável), se privilegiará o suor em vez do talento. Tite nunca foi retranqueiro. Mas Copa é Copa e ele deve ter muito medo de repetir o vexame de Felipão, no Mundial do Brasil. Não custa lembrar, entretanto, que tanto Fernandinho quando Paulinho jogaram no 7 a 1...

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Justiça 

Quando mais ninguém esperava, um tribunal da Suíça concedeu um efeito suspensivo da pena imposta a Paolo Guerrero e o atacante poderá disputar a Copa pelo Peru. A Fifa já avisou que não recorrerá. Faz-se assim justiça num caso em que, evidentemente, não houve dolo e se atende a um clamor generalizado no mundo do futebol, onde até os adversários se mostravam penalizados com o afastamento do centroavante. Resta saber, agora, o que acontecerá após o Mundial. Seja como for, seu contrato com o Flamengo terá se encerrado e dificilmente ele permanecerá no clube.

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Quem manda? 

Não consigo entender essa coisa de um jogador que não está relacionado entre os principais batedores de pênalti do time pegar a bola, na hora da cobrança, dizer que está bem e bater. Foi o que aconteceu com Giovanni Augusto, do Vasco, que surpreendeu até o técnico Zé Ricardo e desperdiçou a penalidade máxima que poderia ter selado a vitória cruzmaltina bem mais cedo, evitando o sofrimento contra o Paraná, lanterna do campeonato. Time que tem comando, tem um batedor previamente escolhido e um substituto, para o caso de o primeiro não poder efetuar a cobrança. Fora isso, é bagunça.

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Urgência 

Já comprou a passagem para Madrid, Bandeira?



Tags: barbieri, flamengo, futebol, tite, vasco

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