Jornal do Brasil

Segunda-feira, 16 de Julho de 2018 Fundado em 1891
Futebol & Cia.

Futebol & Cia.

Renato Mauricio Prado


Prêmio a quem não desiste jamais 

Jornal do Brasil

É impressionante o espírito de luta desse time do Vasco. Não se entrega nunca e, novamente, conseguiu um gol decisivo nos últimos minutos do jogo. Pela terceira vez consecutiva, o duelo dos alvinegros cariocas foi rico em emoções e terminou com o placar de 3 a 2. Em pleno Nilton Santos, dessa vez, o triunfo foi cruzmaltino – no anterior tinha sido a favor dos botafoguenses e, no outro, dos vascaínos, o que reforça o enorme equilíbrio entre as duas equipes. Com o resultado, o Vasco pode até empatar, no próximo confronto, no domingo que vem, no Maracanã, que será campeão.

Num clássico elétrico, com duas viradas, os rivais se alternaram no comando do jogo e exibiram virtudes e defeitos já exibidos durante todo o campeonato. São dois times bem definidos taticamente, que tentam compensar o que lhes falta em técnica com grande aplicação. Ambos, porém, têm deficiências graves nos sistemas defensivos – o que explica o elevado número de gols sofridos nos três duelos.

O zagueiro Paulão, do Vasco, personifica bem o problema. Sua falha gritante (mais uma), no início, permitiu o primeiro gol do Botafogo. Já a zaga do time de Alberto Valentim bobeou tanto no gol de empate de Pikachu, quanto no momento decisivo do clássico, ao não marcar Andrés Rios.

Falhas e deficiências à parte, é justo ressaltar que O Glorioso e o Gigante da Colina estão oferecendo, em seus seguidos duelos, nesta reta final do Estadual, espetáculos animados e emocionantes. Por isso mesmo, tudo pode acontecer no jogo final, no próximo domingo, no Maracanã.

Que o público seja, pelo menos, razoável. Ontem, uma vez mais as arquibancadas estiveram vazias: pouco mais de 16 mil pagantes e 19 mil presentes. Um fiasco para uma decisão de campeonato. Até mesmo no falido carioquinha.

Problemas à vista 

A vitória foi um excelente resultado para o Vasco mas pode ter um preço alto. Pelo menos três jogadores importantes do grupo de Zé Ricardo deixaram o gramado do Nilton Santos contundidos: Riascos, Wagner e Pikachu. Na quarta-feira os vascaínos enfrentam o Cruzeiro, no Mineirão, numa partida em que nova derrota (perdeu na primeira rodada, em casa) pode praticamente enterrar seus sonhos na Libertadores.

Os mineiros apanharam feio do Atlético, no primeiro duelo pelo Estadual de lá. Com certeza, chegarão mordidos contra o Vasco. É um desafio e tanto para os cariocas.

Prima-donas de araque 

O Botafogo precisa, urgentemente, disciplinar alguns egos em seu elenco. Foram ridículas as cenas de insatisfação explícita de Léo Valência e Brenner, ao serem substituídos. Até parece que são craques consagrados que estavam gastando a bola! Nem uma coisa, nem outra. Alberto Valentim não deveria nem ter lhes dirigido a palavra, na beira do campo. E a diretoria tem, agora, a obrigação de lhes aplicar uma bela chamada.

Herói cafajeste 

O argentino Andrés Rios substituiu o colombiano Riascos e deu a vitória ao Vasco, já nos acréscimos. Tudo muito bom, tudo muito bem? Quase. Além de tirar a camisa (o que lhe valeu um cartão amarelo), o atacante fez questão de se virar para a torcida do Botafogo e balançar os “balangandãs”, em gesto de extrema grossura. Merece levar uma suspensão do TJD, para aprender a respeitar os torcedores rivais.

Proteção maléfica 

Certa vez, em entrevista para Benjamin Back, no ano passado, no Fox Sports, o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, disse que Muralha, Márcio Araújo, Gabriel e Rafael Vaz, jogadores detestados pela torcida, eram seus protegidos. Deu no que deu. Os quatro continuaram a afundar o Fla e somente este ano o clube se livrou de todos eles.

Agora, após mais uma derrota que irritou profundamente torcedores e dirigentes e causou um autêntico “passaralho” no departamento de futebol, Bandeira volta à carga, se colocando como protetor dos jogadores e puxando as orelhas do vice de futebol, Ricardo Lomba, que reagiu como todos os rubro-negros de verdade reagiram após mais uma atuação blasé e sem sangue do time atual. Resumo da ópera: o homem não aprende...

Santa ignorância 

No bestialógico moderno do futebol, que adora um termo empolado para simular erudição, o adjetivo latente virou sinônimo de evidente, na boca de técnicos, jogadores, repórteres, locutores e comentaristas. Lamento informar que é exatamente o contrário. Latente, conforme explica qualquer bom dicionário, é um adjetivo que significa “não aparente, não manifesto; oculto, encoberto, que existe em forma adormecida ou reprimida; encoberto, subentendido, disfarçado”. Deu pra entender, galera, ou será preciso desenhar?



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