Jornal do Brasil

Terça-feira, 19 de Junho de 2018 Fundado em 1891
Futebol & Cia.

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Renato Mauricio Prado


Sem blasfêmias, por favor!

Jornal do Brasil

Lionel Messi chegou aos 600 gols, no último final de semana (garantiu a vitória sobre o Atlético de Madrid, na Liga Espanhola, com uma cobrança de falta perfeita) e, naturalmente, a imprensa mundial se debruçou sobre o feito, tecendo loas ao seu futebol. Nada mais justo. Aqui, no Brasil, não podia ser diferente, mas houve quem pisasse na bola.

No Seleção SporTV, Juninho Pernambucano disse que, ao encerrar a carreira, “la Pulga” estaria, no mínimo, “ao lado do Pelé”. Tudo bem que o “reizinho da Colina” não viu o Deus de todos os estádios jogar. Mas podia, pelo menos, ter assistido a “Pelé Eterno” (ou a “Isto é Pelé”) e analisado com discernimento a carreira de Edson Arantes do Nascimento. Eu, que tive a ventura de vê-lo em campo, afirmo: não há termo de comparação.

Nem vou me ater ao fato de que o argentino precisa marcar o dobro de tentos que marcou até hoje, para pendurar as chuteiras igualando os números do Rei. Tampouco ao importante detalhe de que Pelé chutava igualmente com a direita e com a canhota e cabeceava magistralmente. Em suma, era completo. Fico apenas com a comparação do rendimento de ambos nas Copas – a hora da verdade, quando a onça vem beber água.

Monstruoso com a camisa do Barcelona, Lionel até hoje não conseguiu jogar pela seleção da Argentina, nos Mundiais, nada semelhante ao que desfila no timaço do Camp Nou. Chegou até a uma final, é verdade, no Brasil, em 2014, mas teve atuação opaca no Maracanã. Já o Pelé, nas duas decisões que disputou (58, na Suécia, e 70, no México) foi protagonista absoluto na conquista dos títulos.

Comparar um ao outro é blasfêmia aos deuses dos gramados. Não faz isso, não, Juninho. Já basta você defender o Márcio Araújo e o Jael...

Como ser contra? 

Dois lances, em clássicos do final de semana passado, mostraram com clareza a urgência do VAR (árbitro do vídeo) no futebol. Se estivesse sendo usado no Nilton Santos e no Pacaembu, o gol de Rhodolfo, do Flamengo, contra o Botafogo, teria sido anulado, e o pênalti, nos últimos minutos (e claríssimo no replay) a favor do Santos, contra o Corinthians, marcado – o juiz deu falta fora da área. Lances que, muito provavelmente, teriam alterado os resultados (vitória rubro-negra e empate entre os paulistas). E inacreditável que alguns dinossauros (muitos deles, jovens!) ainda continuem contra a sua utilização imediata.

Contrastes 

É cada vez mais gritante a diferença de nível entre os campeonatos carioca e paulista. Do público nos estádios à capacidade técnica dos times. Flamengo x Botafogo e Santos x Corinthians foram bons exemplos. No Nilton Santos praticamente vazio (cerca de 8 mil espectadores), um futebol medonho. No Pacaembu lotado, um belo jogo – que nem o ridículo apagão dos refletores foi capaz de esfriar. Ou Flamengo, Botafogo, Vasco e Fluminense se unem e mandam a Federação de Futebol do Rubinho às favas, ou o carioquinha morrerá de inanição.

Barbas de molho 

Tite assistiu, no estádio, à magra vitória do fantástico Manchester City, de Pep Guardiola, sobre o aplicado Chelsea, 

de Antonio Conte, na Premier League. O duelo foi um autêntico jogo de gato e rato. O City teve 71% de posse de bola (em determinado momento da partida, chegou a ter quase 90%), e fi nalizou ao gol 13 vezes, contra apenas três do rival. Ainda assim, o solitário gol da vitória, marcado por Bernardo Silva, só aconteceu graças a uma falha medonha do zagueiro Christensen. É esse tipo de retranca feroz que o Brasil deve enfrentar algumas vezes na Copa.

Perdão, Tônia 

E lá se foi Tônia Carrero, uma das atrizes mais lindas do Brasil em todos os tempos. Tive o prazer de conhecê-la, pessoalmente, nos tempos em que namorou Cláudio Mello e Souza, um de meus pais na imprensa. Foi num jantar no antigo Florentino, no Leblon, em 1981 ou 82. Um encontro delicioso marcado, infelizmente, por uma das gafes mais absurdas que já cometi. Empolgado pela presença de Tônia e “animado” por algumas doses de uísque, disparei, do fundo do coração:

- Minha avó é sua fã!

Cláudio me deu um bico no tornozelo, por debaixo da mesa, mas a grande atriz tirou de letra. E manteve a conversa agradável e inteligente com enorme simpatia. Na hora das despedidas, já na rua, veio o recibo, com enorme elegância e um sorriso deslumbrante no belo rosto:

- Mande um grande beijo pra sua avó!

E eu, até hoje me martirizo pela estupidez do meu comentário – embora vovó fosse mesmo grande fã dela. Perdão, Tônia. E descansa em paz!



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