Jornal do Brasil

Domingo, 24 de Junho de 2018 Fundado em 1891
Futebol & Cia.

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Renato Mauricio Prado


Sem torcedor e sem bola

Jornal do Brasil

Para o Flamengo, campeão da Taça Guanabara e já classificado para as semifinais do Estadual, o jogo não valia nada. Era apenas um treino coletivo, visando à Libertadores. Para o Botafogo, tinha um pouco mais de importância, já que o time ainda quer se classificar para as semifinais do Carioquinha que, convenhamos, também não vale grande coisa. Num estádio praticamente vazio, venceu o Flamengo, por 1 a 0, com um gol de cabeça de Rodolpho, em impedimento. Se tivesse o árbitro de vídeo...

Nenhuma das torcidas, entretanto, tem motivos para comemorar. O clássico foi uma pelada de luxo. No Glorioso, pode-se dizer que o time, agora dirigido por Alberto Valentim, até está razoavelmente bem armado. Mas falta jogador. E como falta! Já no Mais Querido, continua aquela incômoda sensação de que há nomes importantes, no papel, mas na bola que é bom a coisa não evolui. Com esse joguinho meia-boca, só milagre para conseguir ir adiante na Libertadores.

Esgarçamento 

O 4-1-4-1 de Paulo César Carpegiani está deixando a equipe completamente esgarçada em campo. Ao contrário do que se vê no futebol moderno (principalmente na Europa), o Flamengo está longe de ser um time compacto. Henrique Dourado fica sozinho lá na frente (apanhando da bola como ele só) e da linha de quatro armadores apenas Paquetá e Éverton voltam para ajudar. Já quando a bola está no ataque, quem não avança são os laterais, o que resulta em buracos em praticamente todas as situações de jogo. Mais grave, contudo, foi ouvir Carpegiani, após a partida, dizer que gostou do posicionamento de seus jogadores em campo. Meu Deus!

Zeros à esquerda 

De mais a mais, resta a pergunta que não quer calar: quando aquele Éverton Ribeiro do Cruzeiro estreará? Esse que se arrasta em campo com a camisa rubro-negra e erra passes de três metros não vale a fortuna que recebe e nem merece ser titular. Em tempo: como é ruim o Renê!

Parabéns 

Na entrevista coletiva após a derrota, o técnico Alberto Valentim foi bombardeado por perguntas sobre a arbitragem. Sabiamente, disse que não se estenderia sobre o assunto e que erros, como o de ontem, acontecem. “Paciência”, resumiu. Para ele, o mais importante foi a boa partida que, em sua opinião, o Botafogo fez. Diante do material humano que tem em mãos, acho até que ele tem uma certa razão. Mas se o Botafogo não contratar bons jogadores para o próximo Campeonato Brasileiro, a torcida que se prepare para um sufoco colossal.

Foi feriado? 

Leio nas redes sociais muitas críticas à cobertura jornalística, que entendem exagerada, da cirurgia de Neymar. Que é notícia, nem se discute. Se é o caso de ter helicóptero acompanhando o desembarque do jogador ao Brasil e entradas ao vivo, na TV, para mostrá-lo, através de uma nesga da porta entreaberta do carro, na chegada ao hospital, já é outra discussão. Pra mim, o fato de ser ano de Copa do Mundo e ele o principal craque da nossa seleção torna aceitável a overdose. Mas o melhor de tudo, como sempre, são a ironia e o bom-humor do brasileiro. Dezenas de posts no Facebook perguntavam se seria feriado nacional ontem, dia da operação.

Federer agradece 

Rafael Nadal não jogará os Masters 1.000 de Indian Wells e Miami. Ele voltou a sentir dores na perna direita, por causa de uma lesão no “psoas ilíaco”, músculo que liga o quadril à coxa (a mesma contusão que o fez abandonar o Aberto da Austrália, num jogo das quartas de final). Na semana passada, o Miúra já desistira também do torneio de Acapulco. 

Nadal fora, Andy Murray (que se recupera de uma lesão séria no quadril), fora, resta saber se Novak Djokovic jogará os torneios americanos, após a cirurgia no cotovelo, feita após o Aberto da Austrália. No momento, Nole treina em Las Vegas e, na semana que vem, fará revisão médica para saber se poderá voltar a competir.

Cala a boca, Magda! 

Não satisfeito em ter feito uma lambança, ao permitir que Tiffany, a jogadora trans de vôlei, disputasse a Superliga Feminina pelo Bauru, o diretor executivo da CBV, Radamés Lattari, diz que vê com naturalidade uma possível convocação dela para a seleção dirigida por José Roberto Guimarães. Era só o que faltava! Quero ver qual será a reação das adversárias, quando ela ligar o “modo homem”, agora, nos play-off decisivos. Quem entende de vôlei já percebeu que ela tem se contido na maior parte dos jogos que disputou até agora. E mesmo assim é uma das recordistas de pontos (a outra é Tandara).



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