Jornal do Brasil

Terça-feira, 19 de Junho de 2018 Fundado em 1891
Futebol & Cia.

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Renato Mauricio Prado


O duvidoso custo-benefício do Flamengo

Jornal do Brasil

O grande problema desse time do Flamengo é que ele entrega muito menos do que promete. O investimento foi alto, chegaram jogadores de renome, mas bola que é bom, nada. Jogo após jogo, o rubro-negro continua devendo e, nem mesmo quando vence, consegue encher os olhos da torcida e da crítica. O empate com o River Plate, na estreia na Libertadores, foi apenas mais um capítulo dessa frustrante história, que no ano passado culminou com dois vice-campeonatos e um único título mixuruca, o do Carioquinha. Ah, houve também a vaga direta na principal competição das Américas, graças a um sexto (!!!) lugar no Brasileiro. Colocação comemorada em campo, com direito a foto com os dirigentes etc, numa das cenas mais constrangedoras da recente história do Mais Querido.

O chamado “setor de inteligência” do clube contrata aos montes, mas Pará continua na lateral-direita e o medíocre Renê agora foi efetivado na esquerda (com todos os problemas de marcação, Trauco é mil vezes melhor que ele). Desconfio cada vez mais das cabeças que compõem esse núcleo, pois chega a ser assustador o número de contratações que se mostraram equivocadas. Isso sem falar na lerdeza para resolver qualquer coisa: vide a tragicômica novela “Rueda” e a improvisação de Carpegiani como treinador, quando ele fora contratado para ser gerente de futebol.

O que mais me incomoda na atual administração é o seu ar blasé, eternamente desconectado do sentimento da torcida. Historicamente, o Flamengo sempre foi um time guerreiro, ofensivo, lutador até o fim. A maioria dos atuais jogadores nem de longe encarna essa mística. Lucas Paquetá, por exemplo, tem a cara do clube: não é craque, mas luta os 90 minutos, como se estivesse disputando uma eterna final de Copa do Mundo. Outros, como Éverton Ribeiro, dão a sensação de que estão ali para cumprir uma obrigação tediosa. Perder, ganhar, empatar? Tanto faz.

Jogador excepcional e técnico do time campeão da Libertadores, Paulo César Carpegiani assumiu com a ideia (positiva) de armar uma equipe ofensiva, com apenas um cabeça-de-área que sabe jogar (Cuellar). Inspirou-se, com certeza, no Flamengo de 81, que dirigiu com tanto sucesso. O problema é que não conta mais com Zico no meio-campo (Diego continua a ser um jogador lento e irregular); Pará e Renê, nem nascendo de novo poderão ser comparados a Leandro e Júnior; e Éverton Ribeiro não tem um milésimo da garra de Tita – isso para ficar apenas nos casos mais gritantes.

Na partida de estreia na Libertadores, diante do River, o treinador cometeu ainda um erro capital: ao substituir o extenuado Éverton, ao invés de colocar em campo Vinícius Jr., que poderia puxar os contra-ataques, optou por William Arão, numa estratégia covarde que chamou de vez o adversário para o ataque e terminou com o castigo do segundo gol de empate, impedindo o triunfo, que seria importantíssimo, na primeira rodada em casa.

Sem ritmo e sem sorte 

Cruel, como de hábito, a torcida na internet já compara Diego Alves ao nada saudoso Alex Muralha. É verdade que ele falhou nos dois gols, mas nenhum deles pode ser considerado um frango e é obrigatório dar um bom desconto por conta de sua longa inatividade. Aliás, a contusão de Diego, na reta final da Sul-Americana, apenas reforçou outra impressão preocupante em relação à administração Bandeira de Mello: a falta de sorte. Basta ver quantos foram os problemas com jogadores importantes (Diego, Berrio, Diego Alves e Guerrero). E ainda teve o caso Conca. Que tal uma ida aos Capuchinhos, hein? São Judas Tadeu sozinho, coitado, não está dando conta.

Pra frente ou pra trás? 

A ausência de Neymar cria duas possibilidades distintas para Tite. Parece natural que Philippe Coutinho assuma as funções do craque do PSG. Mas em seu lugar, quem entra? Se for um atacante, como, por exemplo, Douglas Costa, a tática é uma; mantendo-se o espírito ofensivo; se for um volante, como Fernandinho, outra, mais defensiva. Acho que, ao menos contra a Alemanha, Tite optará pela cautela. Na Copa, Felipão escolheu Bernard e...

Três meses! 

O médico Rodrigo Lasmar, da seleção brasileira, já fala agora em até três meses de inatividade para Neymar, após a cirurgia, que ele mesmo fará, amanhã, em Belo Horizonte. Sendo assim, ele só voltaria a campo no dia 3 de junho, no amistoso do Brasil com a Croácia, a apenas 14 dias da estreia na Copa, contra a Suíça. Como bem disse, na minha coluna de ontem, o médico Clóvis Munhoz, é impossível que Neymar dispute a Copa 100%.

Lesmas lerdas 

A CBF e o COB se mobilizam para eleger seus novos presidentes. Alguma novidade à vista que permita uma esperança de melhora em relação aos tempos de Marco Polo del Nero e Carlos Nuzman? Nada. Tudo gente que já fazia parte das antigas administrações, comprometida até o pescoço com o esquema que já existe nos dois órgãos. É o famoso “mudar para não mudar”. Nosso esporte precisa demais de uma Lava Jato higienizadora. 

O mais bonito 

Que me perdoem o Barcelona, o Paris Saint-Germain (com Neymar), o Real Madrid e o Bayern de Munique, mas nenhum time me dá mais prazer de ver jogar, hoje em dia, do que o Manchester City de Pep Guardiola.



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