Jornal do Brasil

Quinta-feira, 21 de Junho de 2018 Fundado em 1891
Futebol & Cia.

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Renato Mauricio Prado


O Carioquinha é cada vez pior

Jornal do Brasil

O Campeonato Estadual de Futebol do Rio de Janeiro é um lixo. Não há outra forma de classifi cá-lo. Há alguns anos, tinha ao menos uma fórmula de disputa inteligente: dois turnos (Taça Guanabara e Taça Rio) e os campeões de cada um se enfrentavam na fi nal em dois jogos. Se um só time ganhasse as duas taças, levantava, automaticamente, o caneco do Carioquinha. Simples, direto e justo. 

Agora, porém, Rubinho e seus asseclas pariram uma gororoba que tornou intragável aquilo que, faz tempo, já não era muito apetitoso. Basta dizer que se alguma equipe for campeã dos dois turnos, ainda assim, terá que disputar uma partida extra, contra o vencedor de um triangular (!!!) entre os outros três times de melhor campanha. Só rindo, para não chorar. 

O resultado desse estrupício esportivo é o completo desinteresse do torcedor do Rio, que só quer saber, por enquanto, de Libertadores, Liga dos Campeões e dos principais campeonatos europeus. Prova maior do desinteresse é a vergonhosa média de público de 2.229 pagantes por partida (dados do Globoesporte.com). Números, é importante ressaltar, ainda anabolizados por alguns jogos do Flamengo fora do Estado do Rio. 

Sob qualquer ponto de vista, o Carioquinha é um desastre. Estádios acanhados, sujos e mal conservados, gramados em péssimas condições, jogos de nível técnico digno de peladas no Aterro do Flamengo e por aí vai. 

Não fosse o dinheiro da TV (aberta, fechada e pay-per-view), todos teriam enorme prejuízo com esse campeonato mequetrefe. Quando os clubes tomarão vergonha na cara e acabarão com essa nefanda ditadura da Federação, a única a ter, de fato, um bom lucro com essa excrescência?

Mudança à vista? 

Durante o dia, a informação era que Neymar não tinha chegado a ter lesão nos ligamentos do tornozelo no qual sofreu a entorse e, com uma semana de repouso, estaria recuperado para o jogo do próximo dia 6 (terça-feira) contra o Real Madrid, pela Liga dos Campeões. À noite, veio a má notícia, ele sofreu uma fi ssura e fi cará um mês parado, impedido de participar do jogo decisivo, no Parc des Princes. Se, mesmo sem ele, o PSG conseguir a virada e seguir na luta pela “Orelhuda” (a taça do principal torneio europeu de clubes), tudo bem, ele terá tempo de jogar as próximas fases. Mas se os franceses forem eliminados, aumentam as chances de o brasileiro forçar sua transferência para voltar à Espanha, já no ano que vem. Neymar tem pressa, muita pressa, para ser eleito o melhor do mundo. E se convenceu de que só conseguirá isso, conquistando a Copa do Mundo ou a Liga dos Campeões como protagonista. Em tempo: se Neymar for para Madri, Cristiano Ronaldo voltará para o futebol inglês, num dos timaços de Manchester. E continuará a ser um rival difi cílimo de bater, assim como Messi, no Barcelona. Vida fácil, o brasileiro não terá. 

Poesia sobre o gelo 

A modalidade que mais me encanta nos Jogos de Inverno é a patinação artística. Dessa vez, em PyeongChang, Evgenia Medvedeva, uma russa de apenas 18 anos, chegou pronta para abiscoitar o ouro. Bicampeã mundial (2016/17), bicampeã europeia (2016/2017), vinha ganhando todas as etapas do Grand Prix com shows espetaculares. Venceu? Não. Teve que se contentar com a prata porque Alina Zagitova, sua compatriota de apenas 15 anos, a superou por uma diferença mínima de pontos, na fi nal (239,57 x 238,26). 

Acompanhei toda a disputa da patinação artística, madrugadas adentro (o Canadá fi cou com o título por equipes e nas duplas). Foi sensacional. Quem não tiver visto, sugiro que procure os vídeos na internet (o globoesporte.com tem vários). Vejam pelo menos as apresentações de Medvedeva e Zagitova. Poesia pura sobre o gelo. 

O melhor de todos

 Quando Novak Djokovic começou a ganhar praticamente tudo, a partir de 2011, assumindo a liderança do ranking, confesso, cheguei a pensar que os recordes de Roger Federer e, também, o seu prestígio de melhor jogador de tênis de todos os tempos estavam seriamente ameaçados. Em 2015/2016, então, quando Nole venceu cinco de seis Grand Slams disputados em sequência (e o único que perdeu, em Roland Garros, esteve na fi nal, contra Wawrinka), tal sensação se tornou ainda mais forte, inclusive porque o suíço estava sem faturar um torneio de Grand Slam desde Wimbledon 2012 e vinha perdendo sistematicamente as fi nais contra o sérvio (Wimbledon 2104/2015 e US Open 2015). 

- Ele não tem mais físico para derrotar Djoko e o caminho para esse está aberto nos próximos anos – me convenci. 

Ironias do destino. Novak Djokovic começou a sentir o problema no cotovelo a partir de sua tão esperada vitória em Roland Garros em 2016 (quando fechou o Grand Slam de carreira, em sequência, algo que nem Federer, nem Nadal conseguiram), contratou um guru e, como num passe de mágica, seu tênis mágico, avassalador e dominante desapareceu! 

Nesse meio-tempo, Roger parou seis meses, chamou o croata Ivan Ljubicic para ser seu técnico e reapareceu de forma espetacular e exuberante no Aberto da Austrália do ano passado, batendo Rafael Nadal (que também tinha parado, por causa de contusão) em fi nal inesquecível. 

De lá pra cá, o tênis de Federer parece só melhorar (sua esquerda, antes vulnerável ao top-spin de Nadal, se tornou mortífera) e ele disputou quatro Grand Slams, vencendo três e reassumindo o posto de número 1 do ranking. Agora, com 20 títulos de GS, contra 14 de Nadal e 11 de Djokovic, creio ter chegado a uma posição defi nitivamente inalcançável. Até porque, pelo andar da carruagem, ainda tem lenha para ganhar mais em Wimbledon e no US Open. Longa vida ao melhor de todos. 

Mas que eu gostaria de ver esse Federer contra aquele Djoko, gostaria. 

Previsões 

Dificilmente Roger Federer jogará Roland Garros este ano (ano passado ele já fez forfait, se guardando para Wimbledon). E o que se comenta no circuito é que Andy Murray está com o futuro seriamente ameaçado por causa do sério problema no quadril – a mesma contusão que encerrou prematuramente a carreira de Guga. 

Justa comemoração 

Abelão tem todo o direito de comemorar a goleada no Fla-Flu. Carpegiani escalou (mal) a sua equipe porque quis. A rodada da Libertadores será abordada na coluna de amanhã, dia de Flamengo x River Plate.



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