Jornal do Brasil

Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

Cultura - Festival do Rio 2012

'Margaret Mee e a flor da lua' terá pré-estreia no FestRio

Filme de Malu De Martino será exibido no domingo (7), na mostra competitiva

Jornal do BrasilÍris Marini

O longa-metragem Margaret Mee e a flor da lua, dirigido por Malu De Martino, terá a sua première no dia 7 de outubro, às 17h, no Cine Odeon. Produzido pela Eh! Filmes, de Elisa Tolomelli, o filme integra a mostra competitiva, na categoria documentário, do Festival do Rio 2012.

Já na segunda-feira (8), após a exibição do filme – às 13h30 –, no pavilhão do Festival do Rio, será realizado um debate com a presença da diretora Malu De Martino, da produtora Elisa Tolomelli, do escritor inglês Toni Morrison (amigo de Margaret Mee e patrocinador da última expedição da ilustradora ao Brasil), da ilustradora botânica Malena Barretto e de Julia Equi, que assina a direção de fotografia do filme.

O filme retrata a passagem pelo Brasil da ilustradora botânica Margaret Mee, que viveu no país por 36 anos, onde realizou 15 expedições à Floresta Amazônica e deixou um importante e valioso legado iconográfico e artístico. 

Filme estreia no dia 7 de outubro e volta às telonas no dia seguinte, no Festival do Rio 
Filme estreia no dia 7 de outubro e volta às telonas no dia seguinte, no Festival do Rio 

“Minha proposta era fazer o registro de uma artista que não apenas foi uma das maiores ilustradoras botânicas do mundo, como também foi uma defensora incansável da necessidade de preservação da flora amazônica. Essa última representante dos grandes expedicionários começou a chamar a atenção em 1956 para um problema que hoje vem sendo amplamente discutido e divulgado: a preservação da Amazônia brasileira”, afirma a diretora Malu De Martino.

Filmado em 2010 e 2011 na Floresta Amazônica, em Londres, no Rio de Janeiro e em São Paulo, Margaret Mee e a flor da lua é o primeiro documentário da cineasta, que colheu, entre outros depoimentos importantes, os comentários da ilustradora botânica Carmem Fidalgo, dos botânicos Maria das Graças Vanderley e Oswaldo Fidalgo, do Instituto de Botânica de São Paulo, além de Sylvia Broutigam, curadora do acervo de Margareth Mee.

A arte e o empenho de Margaret Mee 

As ilustrações de Margaret Mee são uma fonte preciosa de pesquisa para a ciência, além de sua técnica ser reconhecida e equiparada ao trabalho dos maiores ilustradores europeus de todos os tempos. Margaret Mee tem fama e reconhecimento internacional e suas obras estão presentes em importantes coleções nos Estados Unidos, na Inglaterra, França e Brasil.

Sobrevivente de uma Europa abalada por duas grandes guerras, a inglesa Margaret Mee (Buckinghamshire, 1909/1988) desembarcou no Brasil em 1952, em São Paulo, mudança que representou um marco divisório em sua vida. À frente do seu tempo, foi uma militante engajada, a última representante de uma série histórica de exploradores do século XX que, vindos da Europa e movidos pelo fascínio, desbravaram e revelaram a grandeza e a diversidade da natureza e do povo brasileiro.

Artista singular, que consagrou e valorizou a arte floral até os dias de hoje, Margaret Mee morreu em Londres, num acidente de carro, em 1988, mesmo ano em que comemorou seus 79 anos à beira do Rio Negro, quando finalmente conseguiu retratar a sua tão procurada Flor da Lua (Strophocactus Wittii, também chamada de Selenicereus Witti). A flor é uma espécie de cactus nativa exclusivamente da Amazônia, que vive apenas uma noite. Essa rara espécie, que nasce na parte mais alta das árvores, fica visível apenas entre os meses de maio e julho, quando ocorrem as cheias do Rio Amazonas.

O Instituto de Botânica, em São Paulo, possui um dos mais importantes e bem conservados conjuntos da obra de Margaret Mee, formado por 86 aquarelas, sendo 59 delas acabadas e 22 inacabadas. Destas, 56 retratam espécies de bromélias brasileiras.

Tags: BOTÂNICA, cinema, documentário, festival do rio 2012, floresta, ilustração, malu de martino, margaret mee, patrícia pillar

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