Jornal do Brasil

Quinta-feira, 11 de Abril de 2013

Cultura - Festival do Rio 2011

'O abismo prateado' é indicado a melhor longa de ficção na Premiére Brasil

Desempenho da atriz Alessandra Negrini tem destaque em longa de Karim Ainouz

Jornal do BrasilGabriel Medeiros

 

O Abismo Prateado é uma grande experiência para os espectadores. Uma experiência que funciona. O novo filme do premiado diretor Karim Ainouz (Madame Satã, 2002) nos leva a acompanhar Violeta (Alessandra Negrini), que, após receber uma mensagem de celular, inicia uma saga pelas ruas do Rio de Janeiro.

O filme é inspirado na canção Olhos nos olhos, de Chico Buarque. Segundo o próprio compositor, a música é como uma punhalada no coração de quem fez sofrer. Na história de Violeta, acompanhamos justamente o processo de mudança de atitude, de desapego, que se segue a um grande sofrimento. Essa mudança se deve à nova relação como o mundo que a personagem estabelece a partir do processo e da série de acasos que se passam após ela receber a fatídica mensagem.

Desempenho da atriz Alessandra Negrini tem destaque em longa de Karim Ainouz
Desempenho da atriz Alessandra Negrini tem destaque em longa de Karim Ainouz

Esse dia que se passa na tela, reduzido a menos de duas horas, parece durar mais que uma semana. O tempo, manipulado pelo diretor, se baseia nas experiências e emoções de sua protagonista, e não em sua decorrência natural. Assim como a magnífica orquestra de sons urbanos e naturais criada. Com isso, é a caótica mente de Violeta que emerge na tela a partir da confluência de ruído e imagem.

A contemplação, em O Abismo Prateado, é essencial para a experiência, e sua mixagem com os barulhos e ruídos cria o universo do filme. Um universo perfeitamente “copacabanesco”, um espaço em que todos os tipos de pessoas são obrigados a conviver, sufocados pelos prédios que escondem o mar, e onde ninguém parece ter o seu lugar.

O não-lugar de Violeta, após a crise, a leva a buscar um retorno a uma situação que já não pode mais existir. É o mundo exterior, tão hostil (o ruído que entra no táxi ao se abaixar a janela, o acidente de bicicleta.) e ao mesmo tempo sedutor (do pintor de parede e sua filha, que viajam pelo Brasil em uma van) que engole Violeta e a carrega em sua jornada de desapego. É necessário, tal como na música de Chico, mergulhar no sofrimento extremo e no abandono, para que se supere uma etapa da vida.

O Abismo Prateado, que já havia passado pelo Festival de Cannes, chega às telas do Festival do Rio como um dos fortes candidatos a melhor longa de ficção da Premiére Brasil. E Alessandra Negrini seria merecedora de uma possível premiação por seu desempenho primoroso.

Cotação: *** (Ótimo)

Première Brasil em competição - longa documentário - (LEI) - 14 anos

SAB (15/10) 19:00 Roxy 2 [RX035]

Tags: alessandra negrini, chico buarque, copacabanesco, exterior, festival de cannes, festival do rio, filmes, hostil, longa, não-lugar, o abismo prateado, violeta

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