RIO

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Rio: no Centro, motos disputam calçadas com pedestres

Janaína Linhares, Jornal do Brasil

RIO - Motociclistas reclamam da falta de vagas e prefeitura reboca veículos

Depois de o Jornal do Brasil ter divulgado as dificuldades enfrentadas pelos motociclistas em estacionar no Centro da cidade e a falta de interesse da prefeitura em reservar vagas para motos no sistema Rio Rotativo, que foi licitado e em 30 dias passará a ser operado pela Empresa Brasileira de Estacionamentos Limitada (Ebel/Embrapark), a CET-Rio fez uma operação na Rua Sete de Setembro, no Centro, rebocando motos que estavam estacionadas no recuado das ruas, na última terça-feira.

Motociclistas que estacionam nas ruas admitem não saber mais como proceder.

– De acordo com o código de trânsito, podemos estacionar na rua, como os carros, desde que perpendicularmente ao meio-fio, mas onde há permissão para estacionamento os carros tomam conta de tudo, não nos deixando uma brecha sequer – reclamou a motociclista Cláudia Daflon.

– A motocicleta é um veículo como outro qualquer, com os mesmos direitos de circulação e estacionamento. Vão nos multando e rebocando de forma arbitrária, pois não nos dão condições de estacionamento.

A CET-Rio foi procurada durante todo o dia para dar maiores detalhes sobre a operação, mas ninguém foi encontrado para se manifestar a respeito.

O órgão possui, ainda, uma lista com 300 vagas exclusivas para o estacionamento de motos, mas a CET-Rio não disponibilizou os endereços.

Para o técnico em informática Thiago Côrtes a solução para fugir das multas e reboques, na maioria das vezes, é estacionar onde já tem várias motos paradas e que, então, supõe-se ser local regular.

– Às vezes o que faço é parar em lugares onde tem várias outras motos juntas, já que as vagas destinadas para três motocicletas cabem 15 e então as pessoas as colocam enfileiradas.

Nem mesmo pagando

Assim como qualquer motorista, o medo de ser “canetado” é constante entre os motociclistas, mas diante da constante falta de vagas, Claúdia garante que a situação das motos é um pouco pior já que nem estacionamentos privados disponibilizam vagas.

– Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Não temos onde estacionar, nem mesmo pagando. Então, só resta mesmo a calçada e rezar para não multarem ou rebocarem.

Os estacionamentos privados se defendem da falta de vagas alegando estar agindo em segurança própria.

– As seguradoras só cobrem os riscos dos carros, então se roubam uma moto aqui é um grande prejuízo – destacou a funcionária do estacionamento Cinelândia, Ana Paula Almeida. –

Mesmo se a gente cobrar o mesmo valor que cobramos para os carros, ter uma moto aqui seria um risco muito grande.

De acordo com a Guarda Municipal, no último ano o estacionamento irregular correspondeu a 37% das infrações registradas pela corporação. No entanto, não é possível enumerar o número de multas a motos já que no sistema da Guarda as estatísticas não são separadas por tipo de veículo.

[00:07] - 24/07/2008