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Jornal do Brasil LONDRES - Brasileiro é homenageado O terceiro aniversário da morte do eletricista brasileiro Jean Charles de Menezes, morto em em uma operação mal-sucedida da polícia londrina, é lembrado hoje em meio à incompreensão de não se saber realmente aconteceu naquele 22 de julho de 2005 e à insatisfação de amigos e parentes que não viram nenhum condenado pelo erro fatal. Um novo inquérito – no qual 44 policiais terão a identidade preservada – será aberto dia 22 de setembro, com duração limite de 12 semanas. Hoje pela manhã será realizada uma vigília em frente à estação de metrô de Stockwell, onde policiais executaram o brasileiro por engano, dentro de um vagão do metrô, após o confundirem com um terrorista. À tarde, haverá um ato na Praça do Parlamento, onde será exibida uma escultura de flores na forma e nas cores da bandeira do Brasil. Segundo a prima de Jean Charles, Vivian Figueiredo, flores serão depositadas no local e será feito um minuto de silêncio, às 10h06, hora exata em que ele foi executado. O centro da escultura é formado por um círculo de 1.093 flores azuis, que representam o número de dias que se passaram desde sua morte. A obra trará os dizeres “Menezes - 3 anos sem Justiça”. Na sexta-feira, a Autoridade da Polícia Metropolitana (MPA, na sigla em inglês), órgão que fiscaliza a polícia londrina, apresentou relatório em que afirma que a Scotland Yard “desperdiça lições” a serem aprendidas com a morte do brasileiro. A melhora dos procedimentos de vigilância da Polícia Metropolitana foi lenta após a morte do brasileiro, diz o relatório, acrescentando que “as respostas da corporação têm sido insatisfatórias”. No ano passado, a Scotland Yard foi multada em mais de R$ 600 mil por colocar o público em risco durante a operação que matou Jean Charles com sete tiros na cabeça. O relatório também critica, implicitamente, o gerenciamento de informações após a execução de Jean Charles – ou seja, critica, mesmo que indiretamente, o chefe da Scotland Yard, Ian Blair, que continua no cargo após as pressões por sua renúncia. O relatório diz que a polícia londrina precisa de uma mudança cultural a partir de seus chefes e de uma liderança ativa. A MPA recomenda colocar fim à prática de policiais de preencher conjuntamente as anotações sobre operações de que participam. Segundo a MPA, ainda resta muito trabalho por fazer na área tecnológica, e o sistema de comunicação por rádio tem que estender-se mais, especialmente no metrô de Londres. “Há diferenças fundamentais entre as equipes de vigilância que trabalham na área de delito e as da luta contra o terrorismo”, especifica o texto. A necessidade de uma revisão nos procedimentos da polícia se torna urgente com a proximidade dos Jogos Olímpicos de 2012, que serão realizados em Londres. O relatório acrescenta que muitos dos problemas que a polícia teve de enfrentar em julho de 2005 podem voltar a ocorrer nos Jogos Olímpicos de Londres de 2012. Jean Charles foi baleado um dia depois dos atentados fracassados de 21 de julho, contra a rede de transporte de Londres. Nenhuma pessoa ficou ferida, pois só explodiram os detonadores e não as bombas levadas por quatro terroristas.
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