Para Fernandinho Beat-Box, o microfone é o bastante para fazer um som

Hugo Cals, JB Online

RIO - O paulistano do bairro de Campo Limpo, Fernando da Silva Pereira, de 32 anos, mais conhecido por Fernandinho Beat-Box, é um artista diferente, que não precisa de instrumentos ou grandes equipamentos para realizar suas apresentações.

Representante da arte vocal conhecida como "Beat-Box", vertente do hip hop conhecida como a percussão vocal do gênero, este músico só precisa de um amplificador e um microfone para mostrar o seu trabalho. Apenas com o talento de sua voz, boca e cavidade nasal, Fernandinho imita sons de bateria, efeitos de DJs (como os scratches, barulho produzido pelo vinil quando é arranhado pela agulha), efeitos sonoros variados e batidas de músicas conhecidas como "Seven Nation Army" do grupo White Stripes e "Yeah", do rapper Usher, por exemplo.

Ele conversou com o JB Online por telefone, sobre sua arte, como a desenvolveu, suas influências e planos para o futuro, além do novo trabalho com o músico Marcelo D2, responsável por ter 'descoberto' Fernandinho Beat-Box há cerca de três anos, quando ele se tornou integrante da banda que acompanha D2 em seus shows. Durante as apresentações do ex-líder do Planet Hemp, há sempre um "momento beat-box", em que Fernandinho se apresenta sozinho.


Fernandinho Beat-Box | Foto: Myspace.com/fernandinhobeatbox

JB Online: Como e quando você descobriu o beat-box?

Fernadinho : O lance do 'beat-box' é engraçado. Descobri essa parada,em 1989, em um filme de gangues americano, que eu não lembro mais o nome. O filme se passava em Nova York, no bairro do Bronx e tinham vários caras fazendo beat-box. Foi a primeira vez que vi isso e gostei. Na década de 90, começei a fazer profissionalmente 'beat-box' e lembro que a batida de 'Billie Jean', do Michael Jackson, foi uma das primeiras que eu aprendi a fazer. Eu fazia isso nas brincadeiras da escola, e ficava uma galera ouvindo.

JB Online: Existe alguma previsão de um álbum solo seu, só de 'beat-box'?

Fernandinho: Com certeza já quis fazer, é um dos meus sonhos. Acho que tem que sentir o momento. Estou produzindo no momento um disco com o DJ Caíque, com várias participações, um disco de batidas e beat box. No futuro, quero fazer um disco só de beat-box.

JB Online: Quem são suas influências musicais?

Fernandinho: Apesar de não fazer 'beat-box', eu sou muito fã do Jay-Z, não só pela música, mas também pela forma como ele trabalha, como ele desenvolve suas rimas, também gosto muito do Busta Rhymes. Sobre o beat-box o Razhel (artista norte-americano, com diversos vídeos disponíveis no YouTube) é a minha grande infuência, com quem já tive a chance de tocar junto. Toquei com ele dois dias no Sesc Pompéia (em São Paulo), mas o cara é tão bom, que no segundo dia, já não quis nem tocar. Mas fui e aprendi muito. O pai do 'beat-box', Doug Efresh, também é uma grande influência, além do Biz Marquie.

JB Online: E como está o trabalho com o Marcelo D2? Previsão de gravar novo disco?

Fernadinho: Sim, já estamos gravando um novo disco com várias coisas do 'beat-box', ainda sem previsão de lançamento. Imagino que daqui a uns dois ou três meses ele deve sair. O instrumental já está 'ok', estamos agora colocando as vozes, e o D2 vai para Nova York para mixar o álbum.

JB Online: Qual a dica que você daria para quem quer aprender a fazer beat-box?

Fernandinho: Dou aula ensinando a arte do 'beat-box' em várias 'quebradas' (gíria paulistana para localidade) e a minha dica é a mesma que dou nos cursos: tem que ter vontade de aprender para ouvir e tentar imitar os sons. Um microfone sempre ajuda para trabalhar os timbres. Nas aulas 'apresento' os sons do 'beat-box': o baixo é um gato rouco, o bumbo é uma cuspida a seco e a caixa é uma tosse. Depois peço para criançada junta tudo e tentar fazer som. Tenho muita satisfação em dizer que hoje tenho alunos que já fazem shows de 'beat-box' e ajudam no orçamento de casa.

Fernandinho Beat-Box ao vivo no Rock In Rio Lisboa:

Outras matérias

» Disco de remixes de Johnny Cash trará rapper Snoop Dogg

» Winehouse terá morte lenta e dolorosa se não largar drogas, diz pai

[ 22:59 ]   15/07/2008