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Raphael Bruno, Jornal do Brasil BRASÍLIA - Preso pela operação Satiagraha, desencadeada pela Polícia Federal na manhã de ontem, o banqueiro Daniel Dantas, 54 anos, terá que mostrar se está preparado para mais um mergulho na montanha-russa que se converteu sua vida nos últimos anos. Entre monumentais disputas judiciais e ousada jogadas empresariais, a distância entre o céu e o inferno de Dantas parece estar cada vez mais estreita. Para o bem ou para o mal. Como no brinquedo que faz sucesso nos parques de diversão, a queda foi antecipada pelo que parecia ser o ponto alto do passeio. Há poucos meses, Dantas saía como um dos grandes vencedores da operação em que a Oi comprou a Brasil Telecom. O banqueiro e seu grupo Opportunity tinham participação em ambas as empresas. Tudo devidamente vendido, calcula-se que o magnata tenha embolsado mais de R$ 1 bilhão com a compra. De quebra, o controverso empresário ainda escapou de uma montanha de mais de 90 processos judiciais que eram movidos contra ele pelos seus antigos sócios na Brasil Telecom, o Citibank e fundos de pensão estatais. Dantas era acusado pelos antigos parceiros do setor de telefonia de praticar uma série de desvios administrativos enquanto o Opportunity esteve no comando da operadora. No acordo de compra entre as empresas, a Oi se comprometeu a pagar mais de R$ 300 milhões para as partes só para colocar um ponto final na guerra judicial que se arrastava há anos. Pouco ortodoxas Apesar da fortuna, amigos garantem que o baiano Daniel Dantas é um homem que não gosta de esbanjar sua riqueza. E um obcecado pelo trabalho. A mão do empresário nem sempre esteve só no setor de telecomunicações e de finanças. Pelo contrário, a gama de negócios em que já se envolveu é tão ampla quanto sua fama de utilizar táticas nada ortodoxas, muitas vezes apontadas pela Justiça como ilegais, para alcançar seus objetivos. Engenheiro e economista, já teve, nos primórdios de suas atividades no mundo dos negócios, fábrica de sacolas, postos de gasolina e empregos na indústria têxtil, na empreiteira conterrânea Odebrecht e em uma empresa de turismo. Até mesmo com exportações de café e soja Dantas já faturou. Com conexões no antigo PFL e hoje DEM, aproximou-se ainda cedo do falecido senador Antonio Carlos Magalhães. Chegou a ser conselheiro do partido e teve o nome cotado para assumir o Ministério da Fazenda durante o governo Fernando Collor. Maravilhas do mercado Por quase uma década, Dantas atuou também na área publicitária. A exploração das maravilhas que o mercado financeiro tinha para oferecer começou apenas quando retornou ao Brasil após curto período nos Estados Unidos, do qual retornou com diploma de doutorado da Massachusets Institute of Tecnology. Contratado para trabalhar no Bradesco, o empresário conheceu o ex-presidente do banco, Antonio Carlos de Almeida Braga, e deu os primeiros passos no setor. O banco Opportunity, de sua propriedade, surgiria em 1996. O grupo é o centro nervoso das principais operações realizadas por Dantas, familiares e funcionários próximos, boa parte deles presos na operação da PF. Desde as 6h30m da manhã de ontem, 20 agentes da PF se debruçavam também em varreduras nos computadores e documentos do banco na sede no centro do Rio de Janeiro na expectativa de encontrar mais informações sobre as irregularidades de Dantas. Em 1998, o Opportunity liderou o bloco que arrematou a Brasil Telecom, na esteira das privatizações do setor. Já naquela época o nome do banqueiro pipocava em investigações relacionadas a suspeitas de favorecimento na compra do espólio do Sistema Telebrás. Dantas era amigo do então ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros. Na época, gravações telefônicas que sugeriam fortemente que o Opportunity havia sido privilegiado no processo de privatização vazaram na imprensa. As denúncias envolviam ainda as direções do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e do Banco do Brasil. Por meio de uma série de intrincadas operações, Dantas assegurou-se de assumir o controle da Brasil Telecom, mesmo tendo uma participação menor na sociedade que envolvia ainda a Telecom Itália, o Citigroup e os fundos de pensão do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Petrobrás. Briga pelo controle A disputa pelo controle da empresa começaria logo um ano após a compra da operadora, em 1999, e seria responsável por uma dos maiores escândalos da história corporativa brasileira. Em 2004 o dono do Opportunity foi acusado de contratar a Kroll, grupo famoso internacionalmente pelas atividades de investigações empresariais, para espionar os desafetos na Telecom Itália. O trabalho da Kroll foi fundo demais e respingou em figuras de peso do governo federal. Na época, a PF informou que a empresa teria obtido acesso ao e-mail do ex-ministro-chefe da Secretaria de Comunicação e Gestão Estratégica Luiz Gushiken, antes deste ter assumido a pasta. Também foi revelado que o empresário Luís Roberto Demarco, inimigo de Daniel Dantas, trocou mensagens com Gushiken articulando manobras contra o banqueiro. Os sócios do banqueiro conseguiram finalmente o afastar do controle da empresa em setembro de 2005. Dantas continuaria nos bastidores articulando o melhor desfecho tanto para sua volumosa participação na operadora quanto no violento embate judicial que seguiu nos tribunais mundo afora até a intervenção da Oi. O banqueiro terá agora que se preocupar com a as acusações de gestão fraudulenta, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. A PF desconfia ainda que o dono do Opportunity exercia papel central em esquema comandado por Marcos Valério de desvio de recursos públicos para o mercado financeiro.
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