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Felipe Sáles, Jornal do Brasil RIO - Os policiais militares William de Paula e Elias Gonçalves, que metralharam o carro onde estava o menino João Roberto Soares, de 3 anos, enterrado ontem, foram indiciados por homicídio doloso qualificado. Segundo o delegado Walter de Oliveira, da 19ª DP (Tijuca), os policiais atiraram com a intenção de matar e sem dar chance de defesa às vítimas. O governador Sérgio Cabral classificou os policiais como "dois débeis mentais“ e anunciou que eles já estão expulsos da corporação. Ontem, a PM localizou o Fiat Stilo preto usado pelos bandidos no dia do crime. O veículo tinha os vidros traseiro e o lateral direito quebrados, além de uma marca de tiro e quatro cápsulas de pistola no interior do carro. A troca de tiros aconteceu na Rua Uruguai, quando os bandidos se depararam com a PM. De acordo com o delegado Walter de Oliveira, a versão dos policiais de que as vítimas foram atingidas durante um tiroteio foi totalmente derrubada pelas imagens da câmera de segurança de um dos prédios da Avenida General Espírito Santo Cardoso, onde aconteceu o crime. – Analisei o depoimento dos policiais e as fitas apreendidas no local, e vi total contradição com o que eles disseram e o que continha na fita. Sem dúvida, eles atiraram para matar – justifica. – Obviamente que não tinham a intenção de matar uma criança, mas terão de responder criminalmente pelo erro. Os três criminosos – que continuam foragidos – já tinham feito outros quatro roubos antes de serem abordados pela polícia. O Stilo foi roubado na noite de sábado e encontrado ontem na Rua Outeiro, no Andaraí, próximo ao Morro da Cruz. O Disque-Denúncia recebeu informações sobre a localização do carro, mas segundo o comandante do 6º BPM (Tijuca), tenente-coronel Ruy Loury, a PM já tinha encontrado o veículo, que possui sistema GPS. Através do equipamento, a polícia descobriu que o Stilo seguiu para o Morro da Formiga, na Tijuca, na noite de domingo, após o crime. Policial sem curso O cabo William de Paula tinha mais de 10 anos de PM – quatro deles no 6º BPM – enquanto o soldado Elias Gonçalves tinha três anos de corporação, todos na Tijuca. Segundo o tenente-coronel Ruy Loury, apenas o cabo William possuia curso de abordagem veicular, ministrado pelo Bope, por estar há mais tempo na polícia. O soldado Elias tinha apenas o curso teórico ministrado no terceiro mês do curso de formação. Segundo o coronel, os dois tinham ficha limpa e estão muito abatidos. O soldado é pai de uma criança e o cabo tem três filhos – todos com menos de cinco anos. – Eles estão realmente arrasados, mesmo porque têm filhos em idades próximas a de João Roberto – conta Ruy. – Foi uma ação grotesca, mas também isolada e não reflete a corporação. Eles serão punidos por esse erro gravíssimo. Ontem pela manhã, o comandante do 1º Comando de Policiamento de Área, coronel Marcus Jardim, e o tenente-coronel Ruy Loury discursaram para a tropa que também estaria abalada. Os policiais estão presos administrativamente no 6º BPM (Tijuca) por até 72 horas e, após o prazo, poderão trabalhar em serviços administrativos, segundo o comandante do batalhão, tenente-coronel Ruy de Oliveira. O governador Sérgio Cabral, porém, anunciou ontem que os PMs já estão expulsos da corporação. Caso a Justiça aceite o pedido de prisão temporária, por até 30 dias, os policiais serão transferidos para o Batalhão Especial Prisional. Governador anuncia expulsão dos dois policiais Em tom de revolta num discurso que durou cerca de 50 minutos, o governador Sérgio Cabral não poupou os policiais acusados de terem atirado no carro onde estava o menino João Roberto Soares, de 3 anos, morto com um tiro na cabeça. O governador disse que “custou a dormir” depois de ver o desespero do pai da criança, e ressaltou que não aceitará que o caso sirva para atacar a política de segurança do governo do Estado. – Como pai, eu custei a dormir, com a imagem do pai do menino em desespero na minha cabeça – disse Cabral. – Como governador, eu avalio a ação policial como um erro fatal e incompleta capacidade de discernimento no momento de tensão, por pura incompetência de dois policiais. Cabral: Onde é que estamos? O governador disse que custou a dormir depois de ver na TV o desespero do pai da criança. Ressaltando a melhoria nos índices de segurança do bairro, Cabral disse que “não passa de molecagem qualquer vínculo entre aquela ação e a política de segurança do Estado”. – Os PMs estão fora da corporação e vão responder legalmente. Estão fora, não tem conversa – disse Cabral. – Não vou duelar com fatos como esse. Dois policiais cometeram um erro fatal, com uma abordagem absolutamente insana. Agiram como dois débeis mentais, sem discernimento. É tudo o que a bandidagem deseja. Fico imaginando se fosse minha mulher, minha tia, minha amiga. Onde é que nós estamos?!
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