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Monique Cardoso, Jornal do Brasil RIO - A história do samba, contada por situações e cenários característicos do gênero, ganha musical conduzido por mais de 60 canções que figuram na memória afetiva dos simpatizantes. Eu sou o samba, assinado pela mesma equipe do espetáculo Rádio Nacional – a produtora e atriz Claudia Vigonne, a autora Fátima Valença e o diretor Fábio Pilar – estréia hoje para convidados, e amanhã para o público, no Teatro Carlos Gomes. Da Praça Onze ao Zicartola, em vez dos medalhões, desfilam pelo palco personagens anônimos deste universo. – Vamos mostrar como o samba foi adquirindo novas feições, ganhando novas cadências – antecipa a autora Fátima Valença, que também levou ao palco a vida dos ícones Pixinguinha e Noel Rosa. A autora diz ter lido 109 livros sobre o tema para estruturar o musical. Embora todos os estilos do gênero estejam retratados, o espetáculo ganha a forma de um desfile de escolas de samba, com cenários e figurinos de Rosa Magalhães e coreografia de Carlinhos de Jesus. A peça começa na concentração, com o tradicional grito dos presidentes de agremiação “Vamos lá minha gente, a hora é essa”, tão comum no carnaval. Cada cenário apresentado pela montagem é uma espécie de ala. A idéia do musical foi quase uma encomenda dos patrocinadores de Rádio Nacional, motivados pelos dois anos de casa lotada. – Aceitamos este desafio pois, assim como o outro espetáculo, trata de um assunto muito caro aos brasileiros – diz a produtora Claudia Vigonne. Com direção musical do jornalista, escritor e pesquisador João Máximo, 16 atores em cena e uma orquestra de sete músicos ao vivo, Eu sou o samba reúne composições como A voz do morro (Zé Kéti), Exaltação à Mangueira (Enéas Brittes e Aloísio Augusto da Costa), Fim de caso (Dolores Duran), Só danço samba (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) e um pout-pourri que culmina na consagrada Não deixe o samba morrer (Edson e Aloísio). Um aspecto marcante do roteiro é fazer justiça ao ritmo, marginalizado em algumas épocas. Cenas falam da perseguição aos sambistas e do exílio do samba nos morros. – Tratamos o samba como uma entidade que, do gueto, percorreu a sociedade carioca – diz Cláudia. O musical, que já vendeu um número considerável de ingressos, vem sendo produzido há um ano. Da pesquisa, Fátima Valença tirou um outro espetáculo, em formato de show, além do que entra em cartaz amanhã. – Fico nervosa até a estréia. É bom quando os atores se encontram com a platéia e a magia acontece.
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