Eleições 2008: sem pacto político, o caos na saúde continua

Jornal do Brasil

RIO - Diretor da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, órgão subordinado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Ministério da Saúde, Antônio Ivo espera que o próximo prefeito finalmente entenda-se com o governador e o presidente para que o Sistema Único de Saúde no Rio deixe de ser um “amontoado de unidades”.

– O Sistema Único de Saúde (SUS) exige um pacto político e técnico. Sem ele, a impressão que se tem é de que vivemos em crise permanente.

– Cerca de 70% dos problemas que chegam aos hospitais poderiam ser solucionados ambulatorialmente. Com isso, os serviços mais sofisticados ficam prejudicados pela grande demanda desnecessária.

Ivo indica ainda ao novo prefeito a mudança de metodologias.

– Nos três níveis o modelo de gestão é arcaico. O orçamento é executado sem responsabilização, contratualização e sequer uma central de regulamentação de leitos.

Sem coordenação das três esferas de poder – o Rio tem a maior diversidade de hospitais federais, estaduais e municipais do Brasil – proliferam as decisões contraditórias na administração do sistema de saúde, acompanhada de outros vilões: indecisão e lentidão.

– A comunicação entre os gestores funciona mal e isso sobrecarrega o corpo técnico – analisa Ivo.

Ele lembra, no entanto, que os serviços de saúde, por melhores que sejam, não produzem saúde. E explica:

– Fatores conjunturais contribuem para que o sistema não dê vazão. A violência proposital, da criminalidade, e a acidental, do trânsito, por exemplo, são a segunda causa de mortes no Rio e a primeira entre adultos jovens.

Antonio Ivo cita ainda a falta de saneamento e educação ambiental como responsáveis pela explosão da dengue neste ano e ainda pelo crescimento dos casos de diarréia, tuberculose. A falta de um ambiente social saudável está ligada a 80% da mortalidade.

Educar para não medicar

Educação deve ser uma palavra-chave para o novo prefeito, no entender de Ivo.

– E é preciso colocar o cuidado com a saúde no currículo das escolas, para que as pessoas aprendam a se cuidar desde cedo – analisa. – O perfil da população idosa de agora é marcado pela ocorrência de diabetes, hipertensão e tumores, tudo isso é relacionado a hábitos de vida e padrões comportamentais.

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[ 00:54 ]   06/07/2008