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Agência ANSA BOGOTÁ - O resgate de Ingrid Betancourt, a refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) de maior peso político até então, pode significar o fim da guerrilha, segundo análises de especialistas. Após as mortes de Manuel Marulanda e Raúl Reyes, respectivamente números 1 e 2 das Farc, a guerrilha agora se encontra mergulhada na incerteza, depois de 40 anos de lutas para tomar o poder na Colômbia. O grupo foi formado no dia 27 de maio de 1964, como uma organização marxista-leninista, e é considerado o movimento guerrilheiro em atividade mais antigo da América Latina. Marulanda foi chefe das Farc até morrer em 26 de março deste ano, vítima de problemas no coração. Vinte e cinco dias antes, Reyes, que estava em um acampamento da guerrilha em solo equatoriano, foi morto quando o exército da Colômbia bombardeou o local. A operação violou a soberania territorial do Equador e deflagrou uma crise diplomática entre os dois países que até hoje não foi superada. O grupo aceitou iniciar em 1984 negociações de paz durante o governo do então presidente Belisario Betancourt. Chegou inclusive a conseguir 15 cadeiras no Congresso Nacional com a formação do partido União Patriótica. Os chamados "esquadrões da morte", todavia, promoveram pelo país uma caça aos simpatizantes da União Patriótica, assassinando centenas de pessoas. Isso fez com que o partido perdesse adeptos e seus membros voltassem à clandestinidade, articulando ações armadas nas selvas da Colômbia. As Farc chegaram a oferecer a libertação de Betancourt e de todos os seus reféns em troca da liberação de 500 guerrilheiros presos. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, e a senadora colombiana Piedad Córdoba assumiram as negociações para o intercâmbio humanitário entre prisioneiros e seqüestrados. Uribe aceitou a situação num primeiro momento, mas, em novembro do ano passado, interrompeu as mediações de Chávez, fato que gerou uma crise entre os governos de Venezuela e Colômbia. As Farc, em reconhecimento a Chávez e em provocação a Uribe, libertaram ex-parlamentares como Clara Rojas e Consuelo González, mas mantiveram Betancourt como trunfo político que, por não ter sido usado na hora certa acabou, segundo analistas, sendo a pior estratégia "diplomática" da guerrilha.
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