Governo prepara políticas específicas para produtos agricolas

Flávia Albuquerque e Luciana Lima, Agência Brasil

SÃO PAULO E BRASÍLIA - Quatro produtos agrícolas deverão receber atenção maior do governo com o objetivo de frear a alta nos preços. Segundo o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, feijão, arroz, trigo e milho serão alvo de políticas específicas.

- O objetivo é amenizar os impactos para o consumidor interno - justificou nesta segunda-feira, o ministro, ao participar do 16º Seminário do Agronegócio para Exportação, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

De acordo com Stephanes, a reestruturação das dívidas dos agricultores poderá ser uma das medidas. O ministro cogitou também o aumento do preço mínimo para o produtor e de disponibilidade para financiamento e liberação de recursos para o seguro rural.

- Se o agricultor se capitalizar e obtiver renda, haverá aumento da produtividade. Para isso, a reestruturação da dívida é um item muito importante. Todo o estudo está pronto e a expectativa é de que a medida provisória seja assinada ainda nesta semana - disse Stephanes.

No ano passado, o preço da saca de feijão aumentou quatro vezes, segundo o ministro, e teve impacto de 0,5% na inflação.

- Isso aconteceu porque o feijão teve um custo de produção acima de R$ 50 e estava a R$ 35 no mercado. Por isso, ninguém produziu feijão no ano seguinte - considerou Stephanes.

Em relação ao arroz, o ministro afirmou que não há como comprar o produto no mercado internacional, mas ressaltou que o Brasil é auto-suficiente e que os estoques privado e do governo são suficientes para abastecer o mercado por 90 dias.

- O arroz é o terceiro produto mais produzido no mundo, mas não se trata de commodity (mercadoria primária utilizada em transações nas bolsas). Praticamente todos os países produzem arroz para seu consumo interno - disse.

Quanto ao trigo, Stephanes ressaltou que o produto praticamente dobrou de preço no mercado interno e externo. Diante disso, o ministro defendeu que o país reavalie a sua posição de não plantar trigo, apenas importar.

- Trata-se do único produto do qual o país depende totalmente da importação. Há 30 anos, era mais barato importar o trigo da Argentina, onde, além do clima favorável, era mais barato produzir. Entretanto, os níveis de preço atingidos atualmente no mercado internacional, que já estão caindo, não devem voltar ao patamar anterior. É importante o Brasil voltar a pensar em auto-suficiência de trigo, com uma política interna para produção - defendeu o ministro.

[ 22:33 ]   12/05/2008