Bolsas em segundo plano em Louis Vuitton
Paris – quem diria, que o americano Marc Jacobs, designer da grife Louis Vuitton desde os anos 1990, ousasse mexer no conceito da marca, famosa pelas bolsas assinadas, as malas exclusivas e a estampa dos quadrdinhos, a Damier. Pois neste último dia da semana de moda de Paris, o desfile da Vuitton foi além da mera promoção das bolsas: os looks foram tão bonitos e usáveis, que os acessórios ficaram em segundo plano.

Não que fossem banais: nesta coleção de outono-inverno 13/14 as Speedy, Lockit e Pochette perderam os monogramas e quadrados e ganharam texturas ricas como omarabu, as penas de ganso e o crocodilo encerado. Há a Speedy de mink, com alças de madeiras exóticas e perfumadas, esculpidas à mão; já nas bolsas de python elas são de chifre e as alças de correntinha das Pochettes foram enfeitadas com pedras preciosas.

Um luxo que reflete o foco no trabalho dos artesãos da marca. Mas e as roupas? Elas deixam de ser acompanhamentos e viram peças muito cobiçaveis, capazes de gerar tendências. O tema é um quarto de hotel, portanto a sala foi cercada por portas por onde as modelos saíam e entravam. Vestidas com looks inspirados em pijamas, combinações e camisolas de sedas, debruadas de rendas, como lingeries antigas, com jeito de boudoir.Por cima, sobretudos gloriosos, com barras e punhos trabalhados em degradês de cristais, em tons próximos ao tecido de base.
Marc Jacobs sempre dá um ar antiguinho às coleções. Hoje, ele apareceu nas perucas de cabelos escuros e com gel, franjas crespas. E nos sapatos, dos poucos nesta semana ainda com plataforma meia-pata, salto bem alta e alma curva, levados com garbo pelo elenco arrematado por Kate Moss, eterna estrela do único desfile que começa no horário marcado – muitas convidadas chiques chegam correndo nos saltos e encontram as portas fechadas. Desta vez, elas perderam um belo desfile de roupas e acessórios de luxo.
