Jornal do Brasil

Quarta-feira, 10 de Abril de 2013

Estilo Iesa

Grandes marcas de moda continuam mudando de rumo 

Jornal do BrasilIesa Rodrigues

Paris – Chanel, Valentino, Yves Saint-Laurent são nomes que ficaram famosos graças ao talento e criatividade dos seus fundadores. No que morreram ou venderam as empresas, foi preciso renovar a equipe. Faz tempo que esta fase começou, e até hoje há uma cobrança em relação às inovações dos substitutos. Mesmo Karl Lagerfeld, há mais de duas décadas à frente da Chanel, ainda desperta contrariedades e exigências.

No desfile desta temporada, onde um globo terrestre girava, mostrando onde havia Chanel pelo mundo, o começo demonstrou a pretensão de modernizar o estilo, com ombros arredondados, mangas volumosas, saias com recortes. Quase tudo em tweed cinza, com botas enfeitadas por correntinhas e meias de cirê preto, mais uma peruca fake, colorida, que lembrava um capacete de Keroro, personagenzinho japonês. A cobiçada bolsa 2.55 (matelassê, de alça de correntinha) virou uma quase-pasta retangular, muito prática. Até aí, muito pouco Chanel. A coisa ficou mais estranha com os casacos de barra cortada em ponta e uma estampa estilo Spyrograph (aquela caneta que desenha círculos). Mas no final, alguns longos pretos e outros tailleurs de tweed mais conservadores, rejuvenescidos pelos comprimentos e pelas perucas, diminuíram o susto de ver uma Chanel modificada radicalmente.

CHANEL - peruca fake, casaco cortado em ponta e botas com correntinhas, novidades do Lagerfeld
CHANEL - peruca fake, casaco cortado em ponta e botas com correntinhas, novidades do Lagerfeld

Já Hedi Slimane, na segunda temporada na YSL (de Saint Laurent), exagerou na adaptação da marca aos tempos modernos. Com o tema California Grunge, Slimane apresentou vestidinhos estampados com cardigãs de tricô, hot pants com boás, vestidinhos e jaquetas de couro preto, modelos de xadrez escocês, sempre com botinhas pretas. Uma justificativa possível é lembrar que o próprio Yves Saint Laurent se inspirava na modas das ruas, no jeito da parisiense se vestir, nos anos 1960. Na época, isto era mega original. Ainda é? E este tipo de roupa, já não existe a preços acessíveis nas lojas de departamentos ou nas fast fashions? É preciso esperar para ver se dá certo. Este designer tem o poder de influenciar jovens – tanto que vemos muitos chapéus nas cabeças parisienses, iguais aos que ele sugeriu no desfile de setembro passado. Mas chapéu sustenta uma grife? Ok, a grife precisa do prestígio para vender produtos de beleza e perfumes.

YSL - shorts tipo hotpants, casasco de peles e blusinha florida, visão de Hedi Slimane para o inverno
YSL - shorts tipo hotpants, casasco de peles e blusinha florida, visão de Hedi Slimane para o inverno

A dupla Pier Paolo Piccioli e Maria Grazia Chiuri está se dando muito bem como substituta do Valentino Garavani. Na coleção há a sobriedade presente em quase toda as propostas, o espírito religioso, a inspiração nos hábitos de freiras. Há a elegância dos detalhes rendados, as pelerines, típicas da marca. E o branco, o vermelho, infalíveis em Valentino. Para ficar diferente, uma estampa azul, que lembra porcelana, em longos e curtos, que se misturam bem com as peças mais clássicas.

Valentino - inspiração meio religiosa 
Valentino - inspiração meio religiosa 

Nota-se uma viravolta geral na moda de Paris. O caminho em direção ao desfile digital parece sem volta. Muitas grifes convidam por e-mail para apresentações “live”, isto é transmissões ao vivo da sala do desfile. Isto pode representar uma economia razoável, evita montagem de tendas, de lugares para plateia, de equipes de bastidores. Um bom exemplo: Pedro Lourenço, que resolveu todo o show com uma modelo, com direito a detalhes de acessórios, música, convites por e-mail com o link para assistir ao desfile em determinado horário. Quase uma fila A, em casa ou no quarto do hotel, sem se expor ao frio ou ao calor.

Tags: chanel, iesa rodrigues, inverno 2013, Semana de Moda de Paris, valentino, ysl

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