Maria Bonita em nova fase
Uma das missões mais difíceis em qualquer atividade criativa é substituir o criador original. Vimos muitos exemplos de continuações fracassadas - Company, Kenzo, Yes, Brazil, Paco Rabanne -, e outras que deram certo, como Galliano na Dior e Alber Elbaz na Lanvin, sem falar em Lagerfeld na Chanel.
Depois da morte de Maria Cândida, criadora da marca e sócia de Malba Paiva, a Maria Bonita passou por um período de adaptações, experimentou com a Danielle Jensen, que era assistente de estilo. Dani tinha talento artístico e conceitual, fez lindos desfiles. Mas a roupa, muito ousada, amedrontava as clientes adeptas da alfaiataria e das formas femininas típicas da grife.

A nova fase recupera estas formas, com cinturas marcadas, ou o corpo delineado por pences. Traz novamente o luxo nas matérias, com tecidos italianos exclusivos. E a criação corre por conta de um núcleo de profissionais, liderado por Luiza Bonadiman, conhecida no circuito carioca como consultora de estilo e que pela primeira vez se joga na arena das coleções.
- Assumi a direção de estilo, apostando na alfaiataria perfeita, na modelagem feminina e ao mesmo tempo, inovadora, que destaque os pontos fortes das mulheres - contou, na apresentação no show-room, em São Cristóvão, poucos dias antes da bagunça carnavalesca.
Outra característica prezada por Cândida, o material, também é replicada nesta linha de inverno: há cetins dublados com crepes de lã, sedas rústicas, couros recortados, neoprenes leves e o mais importante, a guipure geométrica. Em padrão gradeado ou de folhagens, esta exclusividade desenvolvida na Itália faz casacos a serem jogados sobre vestidos simples, ou entalhes gradeados nas costas de vestidos longos ou curtos.

- Buscávamos a essência da marca, este luxo elegante, em tecidos diferentes. A camisaria branca da linha Infinita tem entalhes transparentes nas laterais, abotoaduras de vidro. Vidro, para lembrar os vidrinhos onde os exploradores das expedições europeias, que vinham catalogas nossas espécies botânicas guardavam as amostras. Esta foi o ponto de partida da coleção, evidente nas estampas digitais em preto e branco ou coloridas, onde se reproduzem sementes sobre sedas - completou Luiza.
Ao lado, Alexandre Aquino, marido de Luiza e sócio de Malba Paiva na Maria Bonita, acrescenta que os preços foram ajustados, por conta da importação dos tecidos.
- Temos que manter a imagem do luxo, que é esperada pelas clientes. Daí, os materiais exclusivos italianos - que muitas vezes têm preços menores que os nacionais. Não podíamos fazer uma série só em algodão e malha. Mas um vestido de seda com estampa custa em média R$ 1.400 - há cerca de 30% a menos nos preços das duas marcas.
A Extra brilha - a Maria Bonita Extra conquista pelo visual fácil e jovem.

- Queremos que ela seja o luxo das garotas! O tema é o Urban Rocker, inspirado na Blondie e no CBGB (Country, BlueGrass, and Blues), clube novaiorquino coberto de grafites, que se repetem nas estampas da Extra. As meninas irão para a naite ou para as festas de casamento das amigas com vestidos com shape anos 60; se esfriar, terão o encanto dos casacos 7/8; para arrasar na pista escolherão entre os shorts de micropaetês ou o microvestido de renda dourada laqueada. Nos pés, escarpins altos, de saltos grossos, metalizados, como as carteiras. As boquinhas, símbolos do rock, estão em jacquard, um requinte muito maior do que simplesmente estampadas. Fora as pedrarias, que dão ares de jóias até nas regatinhas de seda.

Sem excessos conceituais ou modelagens restritas a corpos perfeitos, a nova fase das Bonitas merece atenção. Tem para todo mundo, "até para aqueles bracinhos que já não são tão esguios: joga um 7/8 de guipure por cima e fica maravilhoso!" avisa a Luiza, na maior animação. É isto que as mulheres querem: se sentirem na moda, jovens, bonitas e com seus defeitinhos escondidos.
