Folias no matagal: Alta Costura traz o verão na neve
Chanel mais uma vez acertou no conceito do desfile. Se em setembro, na coleção prêt-à-porter o cenário incluía ítens de energia alternativa, como placas para captar luz solar e turbinas eólicas girando suas hélices, nesta coleção de Alta Costura para o verão 2013 o tema foi ainda mais atual. Já que François Hollande,o presidente francês, está tentando legalizar os casamentos homoafetivos e a adoção de crianças por estes casais, o desfile no Grand Palais nesta manhã encerrou com uma série de noivas avulsas e acabou com duas noivinhas juntas, com um menininho ao lado. Pode ser apenas uma dupla de modelos com o mesmo vestido, mas também pode ser a manifestação de opinião de um grande designer e uma grande marca, a única independente do circuito das grifes tradicionais.

Na floresta - a neve castiga Paris, mas dentro de duas tendas era um paraíso de florestas e jardins, com trilha de passarinhos. Este tipo de ambientação, vista em Chanel e Dior, reforçou a lembrança de que são coleções de verão. E foram lindas,ambas: tanto Dior, pelo belga Raf Simons, que vai acertando o passo com as formas tradicionais da Maison, como Chanel, pelo alemão Karl Lagerfeld, que encurtou a maioria das saias, deu um ar sessentinha no geral, apesar de alguns looks abaixo dos joelhos, para as madames mais conservadoras. O final de noivas foi lindo, delicado, típico dos antigos e lendários desfiles de Alta Costura - mas com a mensagem mais do que atual, contra os preconceitos e a favor da liberação de todos os casamentos.

Impressiona ver a coragem da moda parisiense. Montar uma tenda espelhada no jardim das Tuilleries, em plena nevasca ou transformar o enorme espaço do Grand Palais em floresta - tudo isto por 10 minutos de desfile, são proezas admiráveis em tempos de consumo escasso e bolsas em baixa. Não as grifadas, levadas pelas elegantes: as Bolsas de Valores mesmo, que controlam a economia do mundo.
Com estes espetáculos, Paris se mantém no topo dos polos lançadores. Por enquanto, não tem para ninguém, nem para os clássicos ingleses e italianos, que fazem desfiles bem menos exuberantes (com exceção de Dolce&Gabbana), nem para os novos que chegam tentando se impor, como os chineses (um dia, eles conseguem - aprendem rápido), o pessoal de Jacarta ou da Coréia.
