Jornal do Brasil

Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

Estilo Iesa

Destaques em Nova York e possibilidades brasileiras

Jornal do BrasilIesa Rodrigues

Uma beldade de 17 anos se destacou na semana de moda de Nova York, participando de nove desfiles dos bons: Marc Jacobs, Rag & Bone; Prabal; Gurung, Alexander Wang e Richard Chai, entre eles. É a inglesa Lara Mullen, que estreou no universo da moda nos desfiles de setembro de 2011. Nesta segunda temporada sentiu o peso das roupas de inverno, gostou das golas cobrindo as bocas em Alexander Wang “permitiu que eu entrasse no clima da coleção, assumisse a mulher Wang, dura, séria e rápida”, comentou em entrevista ao jornal WWD. Estranhou o tamanho e o peso dos chapéus de Marc Jacobs, mas em compensação, adorou o fato da altura dos saltos ter diminuído. Afinal, ela tem só 17 anos, e a primeira vez que calçou sapatos altos foi nas passarelas de setembro passado.

Nesta semana ela está feliz, porque circula na temporada de Londres, sua casa. 

Lara Mullen é a new face que destaca o encontro com Gisele como um grande momento. À direita, Gisele desfilou no final da coleção de Alexander Wang 
Lara Mullen é a new face que destaca o encontro com Gisele como um grande momento. À direita, Gisele desfilou no final da coleção de Alexander Wang 

Um dos momentos importantes da profissão de modelo para Lara foi o encontro com Gisele Bundchen no camarim da Givenchy, no ano passado. Provavelmente as duas se deram beijinhos antes do desfile, porque Gisele, juntamente com outras modelos veteranas como Shalom Harlow e Karolina Kurkova, participou do final da apresentação de Alexander Wang, com casaco de couro preto. Duas coisas impressionam: a longevidade da Gisele como modelo – lembro que em 1999, ela ainda era discreta, no desfile de Alexander McQueen para o ano 2.000 – mesmo assim, já são quase 15 anos (contando os trabalhos no Brasil) de moda. A segunda coisa é a tendência de convocar as modelos “antigas” para os desfiles mais antenados, competindo lado a lado com as novinhas, como a Lara Mullen, de rosto neutro e versátil.

A renda dourada marcou o desfile de Alexandre Herchcovitch, visto em São Paulo e Nova York
A renda dourada marcou o desfile de Alexandre Herchcovitch, visto em São Paulo e Nova York

 Destaque dourado – A semana de Nova York tem seus tops – Calvin Klein, Donna Karan, Ralph Lauren, Tommy Hilfiger, Jason Wu, Oscar de la Renta, Carolina Herrera, Michael Kors e outros menos votados – sempre há surpresas, como a BCBG, que foi muito bem. Mas temos que elogiar a persistência do brasileiro Alexandre Herchcovitch, que desfila a mesma coleção vista em São Paulo, em Janeiro. A mesmíssima! O que significa isto, como conceito: se a semana americana tiver alguma importância como tendência, e o dourado for identificado como tendência do inverno 2013 no Brasil, a moda brasileira estará se integrando no circuito lançador da moda internacional. Já temos aqui uma versão bem sucedida do salão Premiere Vision, o maior evento de tecidos, aviamentos e acessórios do mundo.

O que nos falta para sermos considerados referências? Claro, em primeiro lugar, a autoestima, que liberta da compulsão das cópias. Em segundo, um reconhecimento político, que contabilize a quantidade de empregos gerados pela moda (eles vão diminuir, se não houver uma saída para os manufaturados na China e outros países). E em terceiro, um trabalho de marketing levado a sério, com campanhas veiculadas em revistas e mídias especializadas. Elas divulgam o trabalho do setor – se a moda não influi no faturamento, ela passa a ser preterida em prol de produtos de beleza e histórias de personagens

Tags: alexandre herchcovitch, desfiles nova york, gisele bundchen, iesa rodrigues, moda brasil

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