Destaques em Nova York e possibilidades brasileiras
Uma beldade de 17 anos se destacou na semana de moda de Nova York, participando de nove desfiles dos bons: Marc Jacobs, Rag & Bone; Prabal; Gurung, Alexander Wang e Richard Chai, entre eles. É a inglesa Lara Mullen, que estreou no universo da moda nos desfiles de setembro de 2011. Nesta segunda temporada sentiu o peso das roupas de inverno, gostou das golas cobrindo as bocas em Alexander Wang “permitiu que eu entrasse no clima da coleção, assumisse a mulher Wang, dura, séria e rápida”, comentou em entrevista ao jornal WWD. Estranhou o tamanho e o peso dos chapéus de Marc Jacobs, mas em compensação, adorou o fato da altura dos saltos ter diminuído. Afinal, ela tem só 17 anos, e a primeira vez que calçou sapatos altos foi nas passarelas de setembro passado.
Nesta semana ela está feliz, porque circula na temporada de Londres, sua casa.

Um dos momentos importantes da profissão de modelo para Lara foi o encontro com Gisele Bundchen no camarim da Givenchy, no ano passado. Provavelmente as duas se deram beijinhos antes do desfile, porque Gisele, juntamente com outras modelos veteranas como Shalom Harlow e Karolina Kurkova, participou do final da apresentação de Alexander Wang, com casaco de couro preto. Duas coisas impressionam: a longevidade da Gisele como modelo – lembro que em 1999, ela ainda era discreta, no desfile de Alexander McQueen para o ano 2.000 – mesmo assim, já são quase 15 anos (contando os trabalhos no Brasil) de moda. A segunda coisa é a tendência de convocar as modelos “antigas” para os desfiles mais antenados, competindo lado a lado com as novinhas, como a Lara Mullen, de rosto neutro e versátil.

Destaque dourado – A semana de Nova York tem seus tops – Calvin Klein, Donna Karan, Ralph Lauren, Tommy Hilfiger, Jason Wu, Oscar de la Renta, Carolina Herrera, Michael Kors e outros menos votados – sempre há surpresas, como a BCBG, que foi muito bem. Mas temos que elogiar a persistência do brasileiro Alexandre Herchcovitch, que desfila a mesma coleção vista em São Paulo, em Janeiro. A mesmíssima! O que significa isto, como conceito: se a semana americana tiver alguma importância como tendência, e o dourado for identificado como tendência do inverno 2013 no Brasil, a moda brasileira estará se integrando no circuito lançador da moda internacional. Já temos aqui uma versão bem sucedida do salão Premiere Vision, o maior evento de tecidos, aviamentos e acessórios do mundo.
O que nos falta para sermos considerados referências? Claro, em primeiro lugar, a autoestima, que liberta da compulsão das cópias. Em segundo, um reconhecimento político, que contabilize a quantidade de empregos gerados pela moda (eles vão diminuir, se não houver uma saída para os manufaturados na China e outros países). E em terceiro, um trabalho de marketing levado a sério, com campanhas veiculadas em revistas e mídias especializadas. Elas divulgam o trabalho do setor – se a moda não influi no faturamento, ela passa a ser preterida em prol de produtos de beleza e histórias de personagens
