Cabeças decoradas
Panamás e fascinators enfeitam os looks brasileiros
A palha fininha vem de um capim que só nasce sem cultivo em Pilé, uma região do Equador. O processo de secagem e a confecção são também técnicas dominadas apenas por descendentes dos incas, em cidades como Montecristo e Cuenca. Um senhor como Don Rosendo Delgado é capaz de fazer um modelo Red Treasure, que leva seis meses para ficar pronto e custa US$ 25 mil em sites internacionais como o www.montecristihats.com.
Esta é a história de um chapéu panamá, aquele levinho, em geral com fitinha preta, que cobre cabeças de famosos como Brad Pitt, Madonna, depois de ter sido um favorito de Napoleão, durante o exílio, Churchill, Santos Dumont. Quem sabe tudo sobre o chapéu elegante é Marcelo Sarkis, dono da Aba, que se apaixonou pelos modelos produzidos no Equador, abriu representação e começou a pesquisar quando ainda era representante comercial de chapéus em geral. “Um dia, um comprador me perguntou se eu tinha 'aquele molinho'. Eu nem sabia o que era, mas pesquisei e tentei comprar durante mais de dois anos. Até que fui ao Equador, comecei a descobrir os poucos habitantes daquelas duas cidades que faziam os chapéus 'molinhos'. Hoje em dia, muitos destes artesãos são meus amigos, e atendem a encomendas minhas, fazem as cores e os modelos que pedimos”, conta Marcelo, um apaixonado pelo panamá. Ele explica também as diferenças de preços.
“Não é pelo tamanho da aba nem a cor: é a qualidade, a espessura e a uniformidade da trama. O modelo conhecido como superfino parece feito de tecido, de tão delicado”.

Do Panamá? - A coleção da Aba complementou o desfile masculino da Limits, no Fashion Rio, e chamou a atenção dos compradores no espaço no Fashion Business. E por que o chapéu feito no Equador se chama panamá? “Porque os engenheiros franceses que vieram construir o Canal do Panamá imitaram os operários nativos, que protegiam as cabeças do calor com os chapéus. Quando voltaram para a França, respondiam, a quem perguntava sobre os chapéus, que eram do Panamá. E o nome ficou”, explica Marcelo, que vende online vários modelos clássicos e outros exclusivos, como os de aba larga e os azuis-Bic. Os preços variam de R$ 194 até R$ 1.100, e podem ser feitas encomendas dos superfinos, mais procurados pelos homens. “Eles nem se importam com o preço: querem a melhor qualidade”, completa Marcelo Sarkis.

Moda de princesa – O casamento do príncipe William com a plebeia Kate Middleton desencadeou uma busca pelos fascinators, espécie de adereço de cabeça com base de arco, pente ou um simples grampinho. Denis Linhares, que há 11 anos se dedica a lançar coleções de chapéus, atesta que, logo após o casório britânico, já recebia pedidos de headbands e fascinators. “Virou moda usar algo na cabeça. O fascinator é leve e jovem. Os modelos extravagantes são procurados por quem vai aos Bals de Tête que se realizam aqui na Casa Julieta de Serpa”, contou Denis, nos intervalos de atendimento a clientes que experimentavam os modelos em frente aos espelhos da loja na Rua Siqueira Campos. Ali, no velho shopping, a pequena chapelaria parece ocupar um lugar de acordo com as vitrines dos antiquários famosos. Denis “veste” cabeças de personagens de novelas, atende a colecionadoras destes adereços, que costumam presentear as amigas com toques e fascinators. E já confeccionou até uma cartolinha, usada em um casamento por um... cachorrinho que levou as alianças dos noivos!

Os fascinators são vendidos ou alugados por preços a partir de R$ 150.

Fascinator: como usar
Para o dia, podem ser de palha
Brilho, só à noite
De crinol, uma tela que é material clássico na chapelaria, pode ser usado 24 horas
As inglesinhas usam a combinação monocromática, o fascinator na mesma cor da roupa
Denis Linhares gosta de combinações em tom sobre tom, em harmonias de cores
Modelos: Marina Borges (agencia Vitrine) e Nicole Sarkis
Contatos: Denis Linhares 2235-8132 www.denislinhares.com.br
Aba Chapéus 3046-2161 www.chapeupanama.com.br
Dassa Danna: 3385-4231
Miss Couture: www.misscouture.com.br




