Jornal do Brasil

Sábado, 1 de Novembro de 2014

Esportes

UTV cresce no Rally dos Sertões

Portal Terra

A edição de 2014 do Rally dos Sertões terá pelo terceiro ano consecutivo cinco categorias de veículos. A mais nova delas, introduzida experimentalmente em 2012, é a dos UTVs (Utility Task Vehicle, sigla em inglês), que tem crescido regularmente nas últimas três edições do maior evento off-road brasileiro e terá praticamente o dobro de competidores neste ano em comparação com o último.

Mas o que são os UTVs? Ao contrário dos carros, motos, caminhões e até quadriciclos, eles não fazem parte do conhecimento popular quando se pensa em automóveis. "Agregador", o veículo de quatro rodas tem atraído pilotos de outras categorias por unir o que carros, motos e quadris trazem de melhor.

"Eu corri 14 anos de quadriciclo e minha transição foi muito fácil a partir do momento que eu experimentei (o UTV). Eu tenho certeza que todo mundo que experimenta o UTV sente um misto de emoções e reúne o melhor dos três tipos de produtos que você tem hoje para correr: carro, moto e quadriciclo", declarou Nuno Fojo, gerente de produtos da Polaris, marca metade dos UTVs que participam desta edição do Sertões - a outra metade é da Can-Am.

O argumento de Nuno, veterano em ralis e piloto de UTVs, embora não esteja na disputa no Rally dos Sertões, defende que a jovem categoria tem ganhado relevância por ter níveis de seguranças similares ao dos carros, consequência de uma estrutura tubular, bancos concha e um cintos de competição, mas sem que isso reduza a emoção de uma disputa sobre motos, na qual a sensação de velocidade, com o vento batendo no rosto, é fundamental.

José Hélio, piloto da Sacramento Racing, é um dos que trocou as motocicletas pelo UTV. Pentacampeão nas motos, Zé Hélio, como é tratado no meio, endossou a opinião de Nuno e aproveitou para exaltar a economia do veículo de quatro rodas, cuja manutenção não é tão custosa.

"O que o UTV oferece de mais legal, principalmente, é o custo, que não é tão caro quanto um trator ou uma caminhonete 4x4 e faz o mesmo serviço e, no caso da competição, ele é muito interessante porque tem a sensação gostosa de uma moto, que é o vento na cara, a liberdade de estar direto com a natureza, com a segurança de um carro de competição. Você está dentro de uma cápsula de segurança, sempre bem protegido e o custo é muito mais baixo do que competir na categoria de automóveis. Então ele une o útil ao agradável. Ele é rápido como um carro, tem o prazer de uma moto e o custo mais baixo", exaltou o piloto, que saiu do prólogo do Rally dos Sertões, realizado neste sábado, com a primeira posição na largada deste domingo.

Rodrigo Varela, do Divino Fogão Rally Team, será o segundo a arrancar entre os UTVs. Em seu quarto Rally dos Sertões, segundo nesta categoria, o jovem piloto de 23 anos analisou o crescimento rápido dela. Para ele, o fato dos veículos saírem das concessionárias com condições de competir facilitam a popularização no circuito profissional.

"O UTV é similar ao buggy, que muita gente conhece. É equipado com um motor de 1000 cilindradas, tração 4x4, suspensão independente nas quatro rodas. Ele tem uma aceleração muito forte. É bem rápido, muito bom para trechos travados, tem uma velocidade máxima que chega a 140 km/h. Em terra é bem forte. É uma categoria que está vindo para ficar, que vai substituir muitos carros, que o custo benefício não tem igual. Hoje você consegue correr um Sertões comprando um carro na concessionária e só colocando um tanque auxiliar para poder cumprir a quilometragem", explicou.

Crescimento rápido 

Apesar de pouco conhecido, o UTV tem ganhado força dentro das competições de rali brasileiras e o crescimento exponencial no Sertões é apenas um sinal do que deve estar pela frente. Depois de estrear no evento com menos de dez competidores, a categoria cresceu no seu segundo ano e praticamente duplicou em 2014.

Na atual edição da competição, 22 pilotos, em sua maioria acompanhados de navegadores, participarão dos UTVs. Envolvido na categoria desde sua concepção no Brasil, Nuno Fojo aposta na evolução dela rumo à maturidade nos próximos cinco anos.

"O Sertões só é um reflexo das outras modalidades no Brasil onde o UTV pode correr. O campeonato mais forte é o Baja. A gente tem hoje, em média, 36 inscritos por etapa. Como o Sertões é uma prova que exige mais preparação do produto e também mais investimento, você não pode comparar direto. Mas eu não tenho dúvida que, do mesmo jeito que em outros países e campeonatos o UTV já é líder de inscrição, vai ser também um dia no Sertões", projetou o gerente de produtos.

Otimista na sua nova aventura como piloto profissional, Zé Hélio também acredita na ascensão dos UTVs no cenário do rali brasileiro.

"É uma categoria nova que está fazendo muito sucesso. No campeonato brasileiro desse ano, em todas as etapas, a gente foi o maior número de inscritos, mais do que que motos e carros. E isso vem crescendo a cada mês que passa. A próxima competição sempre tem mais adeptos. Acredito que no ano que vem nós já vamos ser a categoria predominante no circuito nacional de rali", apostou.

Tags: corridas, pilotos, task, utility, vehicle

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