Jornal do Brasil

Quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

Esportes

Fifa "diz não ao racismo", mas faz pouco para evitá-lo 

Portal Terra

Apesar da campanha “Say no to Racism” (Diga não ao racismo), a Fifa perdeu a chance de entrar a sério na campanha contra qualquer tipo de discriminação na Copa do Mundo que acaba no dia 13 de julho. O diretor da força tarefa contra o racismo da entidade, Jeffrey Webb, que também é presidente da Concacaf, lamentou a ausência de agentes anti-discriminação nos estádios, como foi sugerido à Fifa no mês de março.

“Havia um plano de ação que foi apresentado e que previa treinar oficiais anti-discriminação, através de ONGs. Não posso responder o porquê não foi implantando. Talvez o Secretário Geral possa responder. Talvez no próximo torneio tenhamos essas medidas tomadas e com um regulamento claro que possa servir de base ao comitê disciplinar para punir”, disse Webb.

Esse "talvez" deixa em dúvida se a Fifa terá força suficiente para implantar esse time de ação na Rússia e no Catar, onde a questão de discriminação por raça e por gêneros é muito mais forte que no Brasil. Mas a resposta da Fifa veio da plateia da sala de coletivas do Maracanã, onde Webb falava. O diretor de responsabilidade social da entidade, Federico Addiechi se levantou e, em evidente mal estar, deu sua resposta.

“A proposta foi feita à Fifa e em abril rapidamente tentamos disponibilizar tudo. Mas a preparação e o treinamento para cada uma das 32 seleções participantes não foi possível em tão pouco tempo. O treinamento começará através de ONGs e é preciso entender que o prazo não foi suficiente”, respondeu Addiechi.

A força-tarefa seria uma espécia de fiscal de torcida para evitar casos como o de torcedores alemães que entraram com a cara pintada de preto e faixas com dizeres nazistas que foram recolhidas de torcedores croatas. Em ambos os casos não houve punição aos envolvidos.

“É claro que quando falamos de discriminação, falamos de atos graves que não fáceis de combater. A Fifa precisa saber quem fez para punir”, disse o presidente do Comitê Disciplinar da Fifa, Claudio Sulser, que alegou que a faixa croata estava no meio da torcida brasileira. Mas não soube dizer como um brasileiro poderia levar ao estádio uma faixa com dizerem nazistas em croata.

“Como punir a associação croata sem saber quem entrou com a bandeira? Se fosse numa eliminatória seria mais fácil identificar a torcida, mas em uma competição como a Copa do Mundo é mais complicado”, afirmou.

Aliás, punição é algo que Fifa parece querer evitar em casos de racismo. “Se ficarmos procurando pelo em ovo vamos até encontrar. Mas no Brasil a manifestação é de alegria. Houve casos isolados. No direito temos que atacar os responsáveis e infelizmente não podemos sancionar. A sanção seria uma medida adicional. As sanções devem ser usadas quando há algo concreto”, disse, lembrando que a Fifa puniu com dez jogos o croata Simonic por cantos nazistas. Simonic ficou até mesmo fora da Copa.

Para o ex-jogador Cafu, é preciso punições mais rigorosas para casos de racismo. “Precisamos de punições severas contra quem comete ato de desigualdade social em qualquer lugar. É uma questão de educação. Mas se não tivermos pulso firme para punir essas pessoas, vamos continuar debatendo isso”, disse.

Já de acordo com Dwigt Yorke, ex-atacante de Trinidad e Tobago, a discriminação precisa ser erradicada do futebol. “O futebol desempenha um papel importante ainda mais na Copa do Mundo. Como ex-jogadores somos vistos como exemplo e cabe a nós erradicá-la e evitarmos que se alastre”. Mas parece que a Fifa prefere esperar um pouco mais. 

Tags: combate, Críticas, federação, futebol, Racismo

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.