Jornal do Brasil

Domingo, 21 de Setembro de 2014

Esportes

Copa do Mundo vira piada em programa americano

Apresentador do canal HBO critica a Fifa e a organização do Mundial no Brasil

Jornal do Brasil

A Copa do Mundo virou piada nos Estados Unidos após o comediante John Oliver, apresentador do programa Last Week Tonight, da HBO, fazer piada sobre a realização do evento no Brasil. O vídeo foi publicado no Youtube e conta com mais de um milhão de visualizações. John critica a organização do evento, os altos custos das obras e também a FIFA, que chama de “comicamente grotesca”.

John começa suas críticas com uma brincadeira. Ele diz: “Quero falar com vocês sobre o princípio da salsicha: a teoria que afirma que, se você ama algo, nunca deve descobrir como aquilo é feito”. Em seguida, o comediante apresenta o tema do quadro - a Copa do Mundo 2014 – e diz que está animado e conflitante em relação ao evento.

John diz que, nos Estados Unidos, "o futebol é só uma atividade que você tem que buscar o seu filho de dez anos", mas que, para ele e para o resto do planeta, o esporte é um pouco mais importante que isso. Em seguida, o vídeo apresenta uma sequência de pessoas de vários lugares do mundo definindo o futebol como uma “religião”.

O apresentador explica que o seu maior conflito é que, apesar de amar a Copa do Mundo, ela é organizada pela Fifa. John segue dizendo que, para analisar como a Federação pode causar espanto nas pessoas, basta ver onde acontecerá a Copa de 2014. “No Brasil. Brasileiros se animam com qualquer coisa”, diz. Em seguida, um pequeno vídeo do desfile das escolas de samba no Carvanal é exibido enquanto o âncora comenta: “É assim que eles comemoram que a quaresma está chegando”. 

John fala que os brasileiros são os maiores fãs de futebol do mundo e que, por isso, devem estar animados com a possibilidade de sediar a Copa. A fala do apresentador é cortada por uma imagem que mostra protestos contra o evento. Em seguida, ele diz que não faz sentido que o país esteja desanimado para receber "a coisa que mais ama". Novamente a fala do apresentador é interrompida, dessa vez com o trecho de uma reportagem que comenta os gastos do governo para a construção de estádios. A matéria fala sobre a construção do estádio em Manaus, que receberá o segundo jogo da seleção norte americana. “Neste novíssimo estádio foram gastos 270 milhões de dólares. Manaus é tão remota que é quase impossível chegar de carro. É por isso que os oficiais tiveram que trazer os materiais de construção do estádio de barco”, diz o jornalista.

John volta a falar, definindo a construção do estádio como “desperdício de dinheiro”. O comediante diz o estádio será usado em apenas quatro jogos no Mundial e que não existe time em Manaus para usá-lo depois. John diz que não é de se admirar que os brasileiros estejam indignados com os gastos, já que o lucro irá para a Fifa. “Brasil, me deixe falar em termos que você possa entender. Pensem nisso como uma grande depilação com cera. A Fifa estará espalhada pelo Brasil durante o torneio, mas depois partirá levando todo o dinheiro, inclusive de locais em que você não imaginava que havia dinheiro”, fala o apresentador.

John critica também a venda de cerveja nos estádios, considerada ilegal pela lei brasileira. “A Fifa pressionou o Brasil e permitiu a venda de cerveja nos estádios. Nesse momento podemos ficar horrorizados, ou aliviados por eles terem como patrocinador a Budweiser, e não cocaína e serras elétricas”, diz.

Ainda criticando a Fifa, o âncora fala sobre a corrupção na Federação e ironiza o status de “organização sem fins lucrativos”, sendo isenta de impostos e contando com “reservas bancárias” de mais de um bilhão de dólares. John, então, critica Joseph Sepp Blatter, presidente da Fifa. Ele relembra Blatter disse que um bom ingrediente para aumentar a popularidade do futebol feminino seria diminuir o tamanho dos calções das jogadoras. O âncora ironiza ainda a produção do filme oficial da FIFA, que conta a história da Federação. "Quem faz um filme de esporte em que os heróis são os executivos?", pergunta.

John finaliza dizendo que o maior erro da Fifa não foi o seu passado ou o seu presente, mas sim a escolha da sede da Copa do Mundo de 2022, que acontecerá no Qatar. John fala sobre as altas temperaturas do país e também sobre as condições de trabalho do anfitrião da Copa, conhecido pela escravidão. “Espero que eu tenha conseguido provar que a Fifa é apavorante. E ainda assim, estou muito empolgado para a Copa do Mundo e é difícil justificar como posso ter tanta alegria de uma organização que causou tanta dor. Futebol não é apenas uma religião, é uma religião organizada, e a Fifa é sua igreja. Pense: é legal, infalível, induz países da América do Sul a gastar dinheiro que eles não têm,construindo catedrais opulentes e pode eventualmente ser responsável pela morte de um número chocante de pessoas no Oriente Médio [fazendo alusão às denúncias sobre as condições desumanas de trabalho dos operários da Copa do Qatar, que acontecerá em 2022]. Mas para milhões de pessoas ao redor do mundo como eu, é o guardião da única coisa que dá sentido a suas vidas. E se essa comparação não fizer os americanos amarem futebol, nada conseguirá”, finaliza. 

Tags: brasil, Copa, Críticas, Fifa, futebol, john oliver, religião

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