Jornal do Brasil

Segunda-feira, 28 de Julho de 2014

Esportes

'The Sunday Times': Copa no Qatar teria sido garantida com compra de votos

Jornal inglês teve acesso a documentos que acusam Bim Hamman de corrupção

Jornal do Brasil

A Fifa estaria sob crescente pressão pela atribuição da Copa do Mundo de 2022 ao Qatar, de acordo com matéria publicada pelo britânico Sunday Times. Um dos principais patrocinadores do evento, a Sony, solicitou que fosse realizada uma investigação apropriada sobre as recentes acusações de corrupção. O Qatar foi escolhido para sediar a edição do Mundial de 2022 em dezembro de 2010, mas, segundo o jornal inglês, o vice-presidente da Fifa, Jim Boye, disse que apoiaria uma nova votação na busca por um outro país hospedeiro caso as denúncias de corrupção sejam confirmadas.

O Sunday Times publicou novas acusações com base em um suposto vazamento de documentos secretos.  As recentes denúncias dizem que o ex-integrante do comitê executivo da Fifa Mohamed Bin Hamman, do Qatar, suspenso por corrupção, teria usado seus contatos de alto nível na família real do Qatar e do governo para organizar reuniões e prestar favores que garantissem a realização do torneio em seu país.

Na semana passada, o jornal britânico publicou uma notícia onde afirmava que Bin Hamman, teria desembolsado US$ 5 milhões para ajudar a ganhar apoio comprando votos a favor do Qatar no período que antecedeu a votação da Copa do Mundo de 2022.

O jornal diz também que o presidente da Fifa, Joseph Blatter, pediu tempo para que possam investigar o problema. Blatter teria dito que não ignoraria relatos da mídia sobre conduta ética no futebol, mas que era preciso dar tempo para a Comissão de Ética trabalhar.

Contudo, outros fortes patrocinadores também já teriam demonstrado insatisfação com as denúncias. A Adidas, que teria um contrato de patrocínio com a Fifa até 2030, declarou que a carga negativa gerada pelo debate público em torno da Fifa não era proveitosa nem para o futebol e nem para os parceiros da Fifa.

De acordo com as informações divulgadas, Bin Hammam teria, entre outras coisas, visitado Vladimir Putin  para supostamente discutir “relações bilaterais” entre a Rússia e o Qatar, um mês antes dos votos para as Copas do Mundo de 2018 e 2022. Além disso, teria articulado reuniões fixa entre nove membros do Comitê Executivo da Fifa, incluindo Blatter, com membros da família real do Qatar. Outro ponto nessa história seria uma reunião suspeita entre presidente da Uefa, Michel Platini, com Mohammed Bin Hammam em 2010.

A equipe de candidatura do Qatar nega todas as acusações de “má fé” que vêm sendo feitas e garantiu em comunicado que “sempre manteve o mais alto padrão de ética e integridade em sua tentativa bem sucedida de sediar a Copa do Mundo de 2022”.

Mohamed Bin Hamman

Bin Hamman foi inicialmente banido do futebol após ter sido considerado culpado de tentativa de suborno, em julho de 2011. No entanto, a decisão teria sido anulada pelo Tribunal de Arbitragem do Esporte um ano depois, por não haver provas. Contudo, em dezembro de 2012, foi novamente expulso pela Fifa pelo seu envolvimento em outro escândalo de corrupção e sob a acusação de conflito de interesses.

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Tags: compra de votos, copa do mundo, Corrupção, Fifa, mohamed bin hamman

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