Jornal do Brasil

Sábado, 1 de Novembro de 2014

Esportes

Flamengo: baixas no futebol em campo e na diretoria

Direção, cujo diferencial era ser formada por grandes executivos, pode ter novas desistências

Jornal do Brasil

O futebol do Clube de Regatas do Flamengo tem acumulado perdas nos jogos e em sua administração. No domingo (1), dia de derrota por 3 a 0 para o Cruzeiro, a sexta no Campeonato Brasileiro, assistiu ao ex-diretor do BNDES Wallim Vasconcelos renunciar ao cargo de vice-presidente de futebol. Antes, Flavio Godinho, empresário ligado a Eike Batista, abdicou do cargo de vice de relações externas. Agora, começam a surgir comentários sobre o possível afastamento do presidente do clube, Eduardo Bandeira de Mello, ex-chefe do Departamento do Meio Ambiente do BNDES. 

Bandeira de Mello tirou férias na última semana, com término nesta sexta-feira (6), e alguns integrantes do clube colocam em dúvida seu retorno. Vista a princípio como solução para os problemas do time, pela experiência dos integrantes em grandes empresas e aproximação de empresários como Eike Batista, a direção como foi proposta vai se diluindo, enquanto o time acumula derrotas e os negócios da EBX não vão tão bem quanto no período em que uma aproximação de Eike soava como algo promissor.

Time foi eliminado na primeira fase da Libertadores e figura na penúltima colocação do Campeonato Brasileiro, atrás de Coritiba e Vitória e a frente do Figueirense
Time foi eliminado na primeira fase da Libertadores e figura na penúltima colocação do Campeonato Brasileiro, atrás de Coritiba e Vitória e a frente do Figueirense

Quando a diretoria iniciou o processo para concorrer, em 2012, Wallim era indicado como presidente, mas teve a candidatura impedida. Era réu em um processo por improbidade administrativa na Justiça federal - referente ao período em que foi diretor do BNDES nos anos 1990. Eduardo Bandeira de Mello assumiu como presidente. A chapa, apoiada por Zico desde o início - que pela primeira vez anunciava sua torcida por um candidato -, entrou com a promessa de oferecer, entre 2013 e 2015, a gestão de executivos de alto nível, com experiência em grandes empresas, mas sem passagem por clubes.

Com a eliminação na Libertadores, o time bateu recorde de eliminação de um clube brasileiro na primeira fase da competição e está na penúltima colocação no Campeonato Brasileiro, atrás de Coritiba e Vitória e a frente do Figueirense. Zico, antes o maior entusiasta, depois da demissão de Jayme do cargo de treinador, anunciou seu apoio ao técnico demitido e deixou claro que não tem relação com os dirigentes.

No ano passado, um dos cabeças do futebol rubro-negro, Flávio Godinho,  vice de relações externas, pediu para sair, durante reunião do Conselho Gestor do Flamengo. O motivo seriam supostas divergências com Paulo Pelaipe, diretor executivo de futebol, e Wallim Vasconcellos. Godinho era sócio de Eike Batista no grupo EBX e havia deixado suas funções executivas no grupo em fevereiro de 2013. 

Godinho foi um dos grandes articuladores políticos da campanha da diretoria em 2012. Com a proibição de clubes no processo de licitação do Maracanã, a nova diretoria apostaria, no início, no bom relacionamento do grupo com Eike. A princípio, cogitou-se que a intenção do novo presidente, Eduardo Bandeira de Mello, era fazer com que o Flamengo firmasse uma parceria com a empresa de Batista. Para o lugar de Godinho, o Flamengo escolheu o substituto Plínio Serpa Pinto, que já foi dirigente do Rubro-Negro na pasta do futebol nas gestões de Kleber Leite e Marcio Braga.

Depois que saiu do Flamengo, em agosto, segundo informações do Radar on-line da Veja, Godinho voltou a se aproximar de Eike e ser ouvido por ele. No final de 2013, duas empresas do grupo EBX pediram recuperação judicial em menos de duas semanas. Os acionistas minoritários da ex-OGX, com o suporte do Ministério Público, acusam Eike de cometer crimes de manipulação de mercado com ajuda de integrantes do Conselho de Administração. Mas ainda assim o grupo consegue vitórias, como aprovação da recuperação judicial da ex-OGX e facilidade com dívidas com o BNDES, por exemplo. 

Wallim, ao renunciar ao cargo no domingo, indicou que sai por motivos ligados a sua carreira, dando a entender que não estava tendo tempo suficiente para se dedicar à função. Não deixou de reclamar, contudo, dos resultados do programa de sócio-torcedor, que consideraria o principal caminho para salvar o clube.  Disse que o torcedor não pode ser tão miserável a ponto de não ajudar o clube que ama. "Eu reclamo dos que têm condições de ajudar, não dos que não podem. Quem pode salvar o Flamengo são os sócios torcedores." Também tratou de celebrar o fato de ter tido a candidatura a presidente impugnada em 2012.

Tags: desempenho, diretoria, executivos, Flamengo, futebol

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.