Jornal do Brasil

Quinta-feira, 31 de Julho de 2014

Esportes

Valcke garante 64 jogos na Copa "aconteça o que acontecer"

Portal Terra

A 20 dias do início da Copa do Mundo, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, não está preocupado com os protestos e manifestações que poderão acontecer durante o Mundial no Brasil. Em encontro com jornalistas nesta sexta-feira, no Rio de Janeiro, o dirigente minimizou os impactos dos movimentos populares sobre o Mundial e garantiu que os 64 jogos da competição serão realizados “aconteça o que acontecer”.

“Nada terá impacto sobre a Copa. Talvez seja forte dizer isto, mas os 64 jogos vão ser realizados aconteça o que acontecer no país. Isto não é uma ameaça, e sim uma responsabilidade que nós, da Fifa, temos”, disse Valcke, quando questionado sobre os riscos que eventuais protestos poderiam gerar à Copa.

“Manifestações são direitos legítimos e é normal que as pessoas aproveitem o fato de que haverá 10 mil jornalistas no Brasil para protestar. Nada vai pôr em risco a Copa do Mundo de 2014. Nada vai afetar os jogos”, acrescentou, deixando subentendido que a realização do Mundial no Brasil servirá para potencializar a ocorrência de manifestações no País.

Além disso, Valcke também aproveitou a oportunidade para se explicar. Por constantes declarações polêmicas, como a de que o Brasil merecia um “chute no traseiro” para agilizar as obras de estádios e infraestrutura da Copa, imaginou-se que Fifa e governo brasileiro não teriam boas relações. Algo que foi negado pelo secretário-geral da entidade.

“Qualquer relação de trabalho tem altos e baixos, mas não acho que tenha havido problema entre Fifa e Brasil”, afirmou, antes de fazer uma espécie de mea-culpa. “Talvez eu tenha dito algumas palavras erradas em algum momento, mas não há nenhum problema entre nós. Inclusive, foi a Fifa que fez com que o Aldo Rebelo (ministro dos Esportes) e o Luís Fernandes (secretário executivo do ministério) estivessem presentes nas reuniões do Comitê Organizador durante todo este período”, exemplificou. Para Ricardo Trade, CEO do Comitê Organizador, sem governo Federal não se poderia ter feito nada. “Sem eles, seria impossível ter feito qualquer coisa”, elogiou.

Valcke evitou comparar Brasil com a África do Sul no mesmo período de 20 dias antes do jogo de abertura. “Não me lembro. Faz muito tempo e já tenho 53 anos”, desconversou. “Não dá para comparar Estados Unidos e África do Sul em termos de infraestrutura”, disse. Sobre o que pode mudar no futuro em relação às exigências da Fifa para países que realizem um mundial foi categórico: “Estádios privados podem ser um problema, porque é difícil definir quem paga a conta”, disse, lembrando que na Rússia em 2018, 11 dos 12 estádios são do governo.

Ele reclamou também sobre atrasos do país na aprovação da lei geral da Copa e uma vez mais, citou a Rússia, que já aprovou a lei. “Mas cada país é um país. Além disso, outras coisas não foram cumpridas em tempo”, disse, em referência principalmente aos estádios. “O prazo era 31 de dezembro, depois virou janeiro, fevereiro, março; e a Copa vai começar e ainda tem estádio em obra”, lamentou.

Ainda assim, disse que não vai faltar nada para que a Copa funcione. “Nos próximos 20 dias vamos ter muito trabalho para que tudo esteja pronto. Poderia ter sido feito antes? Poderia. Mas a prova do nosso compromisso é que estamos aqui olhando para que tudo esteja perfeito”, disse. “Quero que todas as seleções tenham o melhor lugar para treinar, o melhor hotel e possam ter total condições de fazer o melhor e chegar à o mais longe possível”, disse.

O secretário geral falou ainda sobre a necessidade de mais um jogo-teste no Itaquerão antes do mundial, dentro do período de exclusividade dos estádios. “Não ficamos satisfeitos com questões de serviço e segurança. Se o estádio não fosse o da estreia, não seria tão importante outro teste. Mas para como é jogo do Brasil, estreia do mundial, temos que fazer isso”, disse admitindo que se a estreia for bem sucedida, o resto sairá bem. Para o CEO do Comitê Organizador, Ricardo Trade, o primeiro teste em São Paulo foi um sucesso. “Mais de 90% das pessoas usaram transporte público, mas precisamos testar os públicos nas arquibancadas móveis”, afirmou.

LEGADO

Jerome Valcke falou ainda sobre o legado e por três vezes citou Cuiabá como exemplo de obras que vão ficar em benefício das pessoas, mesmo que não sejam entregues antes da Copa do Mundo. “Não posso falar em legado no dia 13 de julho (data da final da Copa), mas dentro de dois, três anos”, afirmou. “Muita coisa já mudou no Brasil em termos de estrutura de hotéis, comunicação e transporte. Ricardo Trade concorda. “Cuiabá talvez seja um dos grandes exemplos. Foram 56 obras de infraestrutura que se não fosse a Copa não seriam feitas. Nem todas as obras vão ficar prontas, mas vão ser um legado, sem dúvidas”, afirmou. 

Tags: brasil, Fifa, gastos, legado, Mundial

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