Jornal do Brasil

Terça-feira, 23 de Setembro de 2014

Esportes

Comissão vai encaminhar à PF e ao MP denúncia contra CBV

Agência Câmara

A Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados vai encaminhar à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal as denúncias de desvio de dinheiro público na Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). O dinheiro viria de transferências do Ministério dos Esportes e do Banco do Brasil, patrocinador do vôlei brasileiro.

O assunto foi discutido nesta quarta-feira (21) na comissão. Os deputados consideraram muito graves as denúncias apresentadas pelo jornalista Lúcio de Castro, da ESPN. As denúncias dizem respeito a contratos irregulares para desviar o dinheiro e licitações dirigidas. Os benefícios iriam para empresas de funcionários e dirigentes da entidade.

As suspeitas de que tenha havido má gestão nas administrações anteriores foram confirmadas pelos dois convidados ao debate, o novo diretor de comunicação e marketing da entidade, o ex-jogador de vôlei Renan Dal Zotto, e o gerente-executivo do Banco do Brasil, José Avelar.

Informações

De acordo com o autor do requerimento para a realização do evento, deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA), a comissão também vai pedir informações à Controladoria-Geral da União (CGU) e ao Tribunal de Contas da União (TCU) sobre os recursos públicos aplicados nas entidades esportivas. A Comissão do Esporte também deverá exercer fiscalização sobre todas as demais confederações de esportes. De acordo com Jordy, da mesma forma que na CBV, nas demais entidades também há indícios de irregularidades.

"Nós estamos diante de uma grande lavanderia. Não é dessa gestão. Mais do que isso, culpar, responsabilizar criminalmente e civilmente todos aqueles que tenham desviado recurso público em nome do esporte brasileiro", disse Jordy.

Auditoria

Integrante da diretoria que assumiu a CBV em janeiro, Renan dal Zotto disse que, diante de indícios de que havia irregularidades em contratos da entidade, dirigentes foram afastados e foi realizada uma auditoria pela empresa Price Waterhouse, cujo resultado será analisado por advogados para orientar as providências a serem tomadas.

O dirigente disse que antes da análise legal não pode acusar ninguém, mas que, caso tenha havido desvio, isso será cobrado. “Hoje é uma irresponsabilidade dizer que houve desvio ou que não houve absolutamente nada. Eu prefiro dizer que o relatório ficou pronto e que está nas mãos dos advogados. Havendo irregularidades ou ilegalidades, vamos buscar os culpados”, disse o ex-jogador.

Mas para o jornalista Lúcio de Castro, autor da série de reportagens Dossiê Vôlei, que tornou públicas as denúncias, é insuficiente o controle exercido por uma auditoria privada, por melhor que ela seja. "Você entrega o documento que você quiser para a auditoria. A questão é desenvolver mecanismos de controle que o Estado tem que ter se ele dá dinheiro público. Se ele dá dinheiro público a fiscalização não pode ficar por conta de uma auditoria", afirmou.

A direção da CBV foi mudada com a eleição do então presidente Ari Graça para a presidência da Federação Internacional de Voleibol. Ele levou consigo Fabio Azevedo, funcionário da entidade e dono de uma das empresas cujos contratos estão sendo analisados. Um grupo de profissionais, entre eles o técnico da seleção brasileira masculina, Bernardinho, além de Renan, se aproximou da entidade. Eles afirmam que é preciso garantir a continuidade técnica do vôlei brasileiro.

Tags: brasil, desvios, polícia, recursos, vôlei

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